Formação

A parábola do juiz iníquo e a pobre viúva: Rezar sempre, sem desanimar.

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Introdução

O Evangelho deste 29º Domingo do Tempo Comum apresenta a parábola do juiz impiedoso e da viúva perseverante (Lc 18,1-8). E Jesus a conta para mostrar “a necessidade de rezar sempre e nunca desistir”. 

A história é simples, dois personagens: um juiz injusto e uma viúva. Esta, insiste até ser ouvida em sua causa e o juiz, cansado com a importunação da viúva, e com receio de ser agredido, acaba fazendo justiça. E o Senhor conclui: “E Deus, não fará justiça aos seus escolhidos, que dia e noite gritam por ele?” Ou seja, se até um homem sem fé, cede diante da insistência, quanto mais Deus, que é Pai cheio de amor e misericórdia, não atenderá os que clamam a Ele dia e noite!

O Evangelho termina com uma pergunta que atravessa os séculos e deve nos questionar: “Mas o Filho do Homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” (v. 8). Na sua volta, o Senhor nos encontrará, como discípulos vigilantes na fé ou como servos desleixados e incrédulos? Rezar sempre, sem esmorecer: esse é o caminho para uma fé viva.

A seguir, apresentamos sete pontos que comentamos no podcast dominical sobre este Evangelho no canal do YouTube @FelizesOsQueOuvem”, — para ajudar na sua oração pessoal com a Palavra de Deus.

  1. Rezar sempre

Jesus ensina que a oração não deve ser um evento isolado, mas um estado de alma. “Rezar sempre” é viver em comunhão com Deus, como quem respira a presença divina. Como nos diz São Paulo: “Orai sem cessar” (1Ts 5,17). Isto não significa multiplicar as palavras, mas deixar que cada gesto, cada pausa, cada decisão seja uma oportunidade de encontro com Ele.

Quem tem o desejo da oração sempre em seu coração, não separa as coisas ordinárias do seu dia da sua fé: tudo se torna ocasião de diálogo com Aquele que nos ama. Imitemos Santa Teresa de Jesus que até entre as panelas encontrava o Senhor.

  1. Nunca desistir

A tentação do desânimo é comum a todos os que rezam. Às vezes, oramos muito tempo sem ver mudanças externas e podemos pensar que Deus não nos escuta. Algumas traduções deste versículo trazem ainda: “Sem desfalecer”, “sem perder o ânimo”, ou “sem se deixar vencer pelo mal”. O orante perseverante não esmorece, não desanima, pois sabe que o primeiro a mudar é o seu coração e só então verá as mudanças nas circunstâncias. 

Enquanto esperamos, Deus nos transforma, nos amadurece e nos faz ver que a graça vem no tempo certo.

  1. O juiz mundano

Um juiz que não temia a Deus nem respeitava homem algum.” (v. 2). Este juiz é a figura dos homens mundanos, materialistas, sem temor a Deus, frios, egoístas que só pensam em si mesmos e nos bens desta terra.

Ele representa também as resistências que temos dentro de nós — os lugares onde a vontade própria fala mais alto que a vontade de Deus.

  1. A oração insistente da viúva

A viúva, porém, insistia no seu pedido: “Faze-me justiça contra o meu adversário!” (v. 3b). Ela não muda de discurso, não desiste, não se cansa. Sua perseverança é expressão de fé.

Ela é símbolo da Igreja, que não tem poder humano, mas possui a força da oração constante diante de Deus. 

A insistência da viúva é a confiança de quem sabe que Deus escuta, mesmo quando parece calado. O Apocalipse diz: “E eles clamaram em alta voz: “Até quando, ó Senhor santo e verdadeiro, tardarás a fazer justiça, vingando nosso sangue contra os habitantes da terra?…” (Ap 6,10).

  1. O medo do juiz

O texto então diz que o juiz, enfim cede, pois, a viúva já o estava aborrecendo e “para que ela não venha me agredir” (v. 5). No grego, este último termo pode se traduzir por “dar um soco embaixo do olho”. Os ouvintes talvez tenham sorrido ao imaginar a cena, mas revela algo profundo: o mal teme a fidelidade do bem. A constância dos fiéis incomoda o injusto. O inimigo se cansa de quem não desiste. Assim também na vida espiritual: o demônio não teme quem começa, mas quem persevera.

Jesus quer que entendamos a lógica: se até o injusto acaba cedendo, quanto mais o justo Senhor não ouvirá o clamor dos seus filhos. 

  1. Deus fará justiça

E o Senhor garante: “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos que clamam a Ele dia e noite?” (v. 7). Pode parecer que o Senhor tarda, mas a verdade é que Ele nunca se atrasa. Seu tempo é o da misericórdia. Enquanto esperamos, Ele trabalha em silêncio.

Deus não esquece nenhuma oração feita com fé, ainda que a resposta venha de forma diferente da esperada. A justiça de Deus é sempre salvífica: não destrói, mas salva.

  1. A fé e a oração

Mas o Filho do Homem, quando vier, será que ainda vai encontrar fé sobre a terra?” (v. 8). A oração perseverante é o termômetro da fé. Quem crê, reza. Quem deixa de rezar, vai perdendo a fé.

A fé não é um sentimento, é decisão. Precisamos continuar orando diante de Deus mesmo sem consolações. A fidelidade na oração é uma prova de maturidade espiritual: rezamos porque amamos, não porque sentimos ou deixamos de sentir.

Conclusões práticas

O Evangelho de hoje nos chama a uma fé firme e a uma oração perseverante. Rezar sempre, sem desistir, mesmo quando Deus parece demorar, é o caminho dos santos.

Quando tudo estiver difícil, lembre-se da viúva: ela não tinha poder, mas tinha fé e, no fim, foi atendida.

Que o Senhor nos encontre rezando, confiando e perseverando até o fim.

Passos da Lectio Divina

  1. Leitura (lectio): Leia Lucas 18,1-8 com calma. Observe as palavras que mais o tocam: “rezar sempre”, “nunca desistir”, “faze-me justiça…”.
  2. Meditação (meditatio): Onde minha oração tem se enfraquecido? Tenho a confiança que Deus me ouve, mesmo quando parece demorar?
  3. Oração (oratio): Reze: “Senhor, aumenta a minha fé. Dá-me um coração perseverante, que reze sempre e sem desistir.”
  4. Contemplação (contemplatio): Permaneça em silêncio, entregue a presença de Deus, que trabalha em silêncio.
  5. Ação (actio): Escolha uma intenção concreta e reze por ela todos os dias desta semana. Persevere sem desanimar e veja depois o resultado da sua oração.

Até a próxima semana!

Shalom!


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