Poucas virtudes foram tão mal interpretadas mesmo no ambiente cristão como a castidade. Já presenciei discursos muito bem intencionados, porém superficiais e reducionistas sobre esse bendito dom. O conceito que normalmente predomina sobre essa virtude é aquele relacionado à ausência de sexo para quem não é casado.
Uma vez em uma palestra perguntei à assembleia: O que é castidade? Alguém respondeu de imediato: “É coisa de padre e freira!” Percebi, no clima que essa pergunta gerou e na resposta que o rapaz teve a coragem de dar, como essa abençoada virtude precisa ser conhecida para com a graça de Deus ser mais bem vivenciada.
Nesse texto gostaria de, sem a pretensão de esgotar o assunto, refletir um pouco sobre esse dom tão belo e tão necessário, sobretudo, no atual mundo em que vivemos.
Um coração inteiro
Castidade deve ser entendida como inteireza de coração. Porém, atenção: inteireza de um coração convertido, ordenado para Deus e para uma vida virtuosa. O coração é o núcleo gerador das decisões mais profundas de uma pessoa. Às vezes, acontece de intuirmos em nosso interior, com muita convicção, que um gesto ou uma atitude é a melhor a ser tomada, mesmo não sabendo explicar racionalmente o porquê.
Daí podemos imaginar o que acontece quando não temos um coração convertido e ordenado para Deus. Esse coração pode intuir coisas estranhas e confusas, de modo a impulsionar o cérebro a maquinar ideias terríveis. E isso pode levar o corpo a por em práticas ações que podem trazer consequências desastrosas.
Por isso, a conversão mais autêntica e decidida passa sem dúvida pelo cérebro, pela racionalidade, mas tendo como alvo mais essencial a mudança do coração. Quando o coração muda, mudam aos poucos também as coisas que nos causam prazer, contentamento e/ou irritação. Começam a surgir, então, entre aqueles que nos conhecem comentários do tipo:
“Nossa, fulano(a) está tão mudado(a)! Está fazendo escolhas tão diferentes das anteriores! Mudou o jeito de se vestir, de se relacionar, mudou os lazeres e divertimentos, até suas amizades possuem um perfil diferente das anteriores”.
A pessoa casta descobre com o coração algo que Jesus se esforçou muito para que seus ouvintes entendessem: “Há mais alegria em dar do que em receber” (Atos 20, 35). O interior é purificado de toda mancha de egoísmo. A interrogação que passa a orientar suas escolhas é: Onde e como posso ser melhor e mais virtuoso? Onde e como amar mais a Deus e ao meu próximo?
Novo coração, novas decisões
Esse coração convertido e casto vai aos poucos entendendo que pornografia, certos modelos de roupas, lazeres, certos programas de TV, rádio, sites, assuntos e até supostas amizades não contribuem em nada para a vida que ele está disposto e decidido a abraçar. Se você namora, ou é casado, tem filhos e amigos, etc. Pergunte a Deus:
“Senhor, como me relacionar com inteireza de coração nesse meu ciclo de relações? O que eu tenho no coração hoje vale a pena ser compartilhado ou preciso me converter um pouco mais para compartilhar algo que valha a pena?”
Esforcei-me para que meus dedos tenham digitado algo de que meu coração está cheio. Desejo que esse texto tenha sido um fermento de benção na sua vida e no seu coração. Se sim, faça com que essa graça chegue a outras pessoas.
Deus abençoe sempre, Shalom!
Por Rodrigo Santos
