Era domingo, e como de costume, fiz o sinal da cruz na sua testa quando chegamos à porta.
– “Papai, eu posso ir deixar uma pipoquinha para Jesus na casinha dele ? ” – Perguntou ela sussurrando no meu ouvido.
Eu abri a porta.
– “pode sim filha… Acho que Ele vai adorar. “, respondi em meia voz.
Algumas pessoas que rezavam em silêncio levantaram os olhos discretamente e nos olharam curiosos sem saber o que ela poderia fazer.
A energia própria desta idade, ou como diria Chesterton: o “excesso de vida” própria desta fase reservam surpresas.
Mas lá foi ela. Silenciosa, com passinhos curtos e tímidos, como quem anda em uma linha retíssima. Foi entregar o que ela tinha de mais precioso naquele momento: uma pipoquinha escolhida a dedo em meio a tantas outras presentes no seu saquinho valioso.

Abaixou-se fazendo uma genuflexão perfeita como quem sabe estar diante de um grande rei. Inclinou-se e com um sorrisinho discreto ofertou seu precioso tesouro. Colocou lentamente no chão, Olhou os móveis, as velas e as flores cuidadosamente colocadas entre ela e o seu Rei. Estas, na sua imaginação, seria o único obstáculo entre ela e o seu belo rei. Porém, rapidamente ela consegue transformar estas flores em um imenso jardim colorido que a convida a uma entrega feliz. As velas, os ornamentos, as flores… A beleza e a paz… E que paz… Ela não titubeia, está em um palácio real. São poucos segundos e ela volta precisando a metade do tempo necessário para sua ida até o altar. Me abraça. Está feliz .

Neste momento Sua generosidade própria de uma criança de 3 anos fez meu coração escutar uma voz carinhosa como em um sussurro me confidenciando um segredo… “Deixem vir a mim as crianças e não as impeçam; pois o Reino dos céus pertence aos que são semelhantes a elas”… Saímos da capela e não tivemos dúvidas. Os seus olhos viram o Rei e eu o escutei.
Eduardo Bezerra