Corremos o risco de pensar que a santidade é privilégio somente de religiosos, consagrados, padres ou freiras enclausuradas, distantes das tentações do mundo. Mas a verdade é que muitos jovens — rapazes e moças — têm mostrado que é possível ser santo e configurar a própria vida a Cristo.
A santidade não é coisa do passado. Ela é atual, necessária e plenamente possível.
Desde sempre, o ser humano busca a felicidade. Hoje, mais do que nunca, corre atrás dela de forma desesperada, tentando encontrá-la nas promessas do mundo. Porém, tudo o que encontra é passageiro. Só existe uma felicidade que não passa: aquela que nasce do encontro com Deus.
Trilhamos tantas estradas largas, que parecem mais fáceis e rápidas, mas que não nos levam a lugar nenhum. Muitas vezes, passamos distraídos pela única via que conduz à vida plena: Cristo Jesus. Ele é o caminho que dá sentido à existência, mas as luzes artificiais do mundo podem facilmente nos cegar.
Quando nos configuramos ao Filho de Deus, experimentamos a verdadeira paz e alegria que tanto desejamos.
Este é o chamado à santidade: sermos reflexo de Cristo, imagem de Deus, participantes da sua Natureza Divina. Nela encontramos Plenitude, Paz e a única Felicidade que não tem prazo de validade.
O Papa João Paulo II nos recordou que o mundo precisa de santos — santos que usam jeans, tomam Coca-Cola, vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos. Precisamos de santos modernos, do século XXI, com uma espiritualidade inserida em nosso tempo. Santos que estejam no mundo,saibam apreciar as coisas puras e boas da vida, mas que não se deixem dominar pelo espírito do mundo.
Dois jovens, diferentes em época, mas semelhantes na fé, provam que a santidade é possível: Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis
De graça em graça, eles se aventuraram na via da configuração total a Cristo, deixando que a glória de Deus resplandecesse em suas vidas. Eles não perderam tempo para ser santos; buscavam constantemente tornar-se amor, tornar-se Cristo para aqueles que os cercavam.
Frassati, “o homem das bem-aventuranças”, viveu no século XX. Como todo jovem do seu tempo, gostava de esportes, trilhas, amizades e tinha uma vida universitária intensa. Mas em seu coração carregava o diferencial da santidade: amava a Eucaristia, cultivava uma bela relação com Maria e dedicava-se intensamente aos pobres das periferias de Turim. Como escalar uma montanha, ele subia pouco a pouco ao Céu.
Carlo Acutis, por sua vez, viveu em nosso tempo. Santo de calça jeans, jogava videogame, convivia com os amigos e navegava na internet. No entanto, soube transformar tudo isso em caminho de santidade. Fez da Eucaristia sua “autoestrada para o Céu” e usou a informática para criar um site sobre milagres eucarísticos que ainda inspira milhões de pessoas.
Tanto Carlo quanto Frassati nos ensinam que, para ser santo, não é preciso realizar grandes feitos, mas viver o ordinário de forma extraordinária. Em tudo o que faziam, buscavam amar e consumir-se inteiramente a Deus.
O que guiava suas escolhas não eram suas vontades, mas Cristo Jesus. Eles escolheram viver de Céu.
Podemos aprender com suas vidas que a santidade não está fora do alcance de ninguém. Muito pelo contrário: é exatamente o que Deus sonha para cada um de nós. Se Frassati pôde ser santo nas montanhas e Carlo pôde ser santo na internet, por que nós não poderíamos buscar a santidade na escola, no trabalho, em casa ou nas redes sociais?
A santidade não é para alguns. É para todos. É possível. É hoje.