Formação

A serpente e a cruz

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Dom Gil Antônio Moreira

     Depoisde tanta reclamação do povo judeu no deserto, apareceram serpentes quepicava as pessoas. Estas morriam. Foi preciso a intercessão de Moisésjunto a Deus para que houvesse um antídoto capaz de superar o venenodaqueles animais rastejadores. O milagre aconteceu. Quem olhasse para aserpente de bronze erguida a mando do Senhor ficava curado! Podemosavaliar também o veneno de tantas serpentes danosas de nossa realidade:concentração de renda versus miséria; terras e mais terras versus ossem terra; educação aprimorada para alguns versus grandes parcelas semeducação de qualidade; construção de grande acervo econômico e culturalfeito com o suor e a vida de negros, pobres, índios e outros versus usoe domínio com desenvolvimento por parte de elites às vezesdesrespeitadoras das culturas, das pessoas, das etnias… O venenomaligno do egoísmo humano tem provocado falta de segurança, agressão emorte a tantos!

     Estetempo da Quaresma é propício à vida intensificada de oração, meditaçãona Palavra de Deus, sacrifício, prática da caridade e serviço aosnecessitados, com o uso dos textos da Campanha da Fraternidade para aoração em família. Tudo isso são meios altamente coadjuvantes para orepensamento da vida com os critérios daquele que se deixou crucificarpara nos dar vida. Passar pela cruz com Jesus, na renúncia ao veneno dodesrespeito à vida do semelhante, faz-nos ter o antídoto eficaz paranos curar a partir de dentro de nosso eu, com reflexo na comunidade.

     Todosquerem vida próspera e sem males. Devido ao pecado ou egoísmo humano,não passamos sem os distúrbios da convivência insegura e violenta.Seguir a Cristo necessariamente nos envolve na cruz da renúncia atantos atrativos para fazermos escolhas de mais e fecundo resultadoposterior. Não conseguimos muito êxito em qualquer busca de valores senão nos exercitarmos na prática do bem. Renunciamos ao egoísmo parapensarmos e promovermos o bem do semelhante e de toda a comunidade. Nãohá paz sem promoção da justiça. Não há segurança sem envolvimento nasolidariedade para superarmos os males na convivência social.

     Como Cristo da cruz, vamos à vida nova da ressurreição. Aceitamos odesafio de Jesus para superarmos tudo o que se opõe ao projeto de Deus.Querer um tesouro, por exemplo, nos leva a buscá-lo com esforço, boavontade e perseverança. Sozinhos, podemos não conseguir o intento. Porisso, Jesus nos ensina o caminho. A Quaresma nos convida a aceitarmosseguir os passos d’Ele. Cristo sem cruz não é possível. Cruz sem Cristoé um desespero. Vamos então com Ele na direção de nossa plenarealização.

     EmCristo nos tornamos criaturas novas, pois, nossa vida encontra a basepara a segurança e a certeza de que Ele nos ajuda a superar nossoslimites, pois Ele ressuscitou e nos dá garantia de vida plena.


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