
Assim, se por acaso ele passasse na rua, eu não o reconheceria. Como disse, hoje fui visitá-lo na UTI. Foi uma das emoções mais fortes que tive na vida. Minhas pernas tremiam mais do que uma vara verde. Não sabia onde tocá-lo, se podia mexer nele, dar um beijo, sei lá, se poderia fazer mal… Muito timidamente e olhando para os lados, aproximei-me.
Verifiquei que os batimentos estavam estáveis em 40 ( não sei como se chama a nomenclatura para isso). Cheguei perto do rosto dele e disse: “Pai, aqui é a sua filha, Neide, eu vim dizer que o perdoo, fique em paz”.
Imediatamente, sem exagero, imediatamente os batimentos foram caindo. Eu, naquela UTI, chamei a responsável e ela disse que ele estava partindo. Então, os batimentos caíram até chegar em 0. E, assim, ele se foi. Nesses poucos minutos que fiquei com meu pai, pude perceber alguns traços meus nele, descobri de onde vinha minha calvície, e a nossa cor de pele é a mesma. Pode-se dizer que, por eu não ter crescido com ele, não aprendi coisas legais como andar de bicicleta, ir ao estádio ou algo parecido. Mas no último instante da vida dele, ele me deu de presente a maior lição que qualquer pai poderia dar: o valor do perdão!
Obrigada, pai, que Deus o tenha!
Maria Neide Oliveira
Neide, Que Testemunho lindo!
Que lindo!!! Parabéns. Esse gesto é um grande exemplo a todos nós!
Belo testemunho, me emocionou e fez pensar… Que Deus o tenha!