Formação

A Urgência da Conversão

Só o regresso a Deus é verdadeiramente urgente na nossa vida, porque só Deus é absolutamente indispensável e necessário.

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A urgência da conversão atravessa toda a sagrada Escritura; ela corresponde à veemência do amor de Deus por nós, à urgência do Reino de Deus. A pessoa de Jesus significa um passo decisivo na realização desse Reino de Deus. Deus nunca esteve tão próximo de nós e tão acessível a Sua intimidade. Essa é a boa notícia do Reino, que constitui o primeiro anúncio da pregação profética de Jesus: “O tempo já se cumpriu e o Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e acreditai na boa-nova” (Mc. 1,15). A urgência da conversão está, igualmente, expressa no veemente apelo do Apóstolo Paulo: “Nós vo-lo pedimos por amor de Cristo: reconciliai-vos com Deus” (2Cor. 5,20).

Porquê esta urgência da conversão? Ela é, fundamentalmente, uma urgência de Deus. Jesus Cristo é a manifestação radical e definitiva do amor de Deus por nós. Mas para que esse amor de Deus, manifestado em Jesus Cristo, se torne comunhão de amor, mistério de aliança vivida, nós temos de nos abrir a esse amor, desejá-lo no íntimo do nosso ser, mudar em nós aquelas atitudes que o dificultam ou mesmo impedem. Para que Deus se reconcilie conosco, nós temos de nos reconciliar com Deus. A conversão é um regresso a Deus, à confiança, à fidelidade, à esperança de O encontrar e de com Ele conviver. “Voltai para Mim de todo o coração… Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes… Voltai para o Senhor vosso Deus” (Joel 2,12-13).

Só o regresso a Deus é verdadeiramente urgente na nossa vida, porque só Deus é absolutamente indispensável e necessário. O convite à conversão é um convite à fé, à confiança, à fidelidade. Para nós, os crentes, é um convite para tomarmos Deus a sério, como Deus Vivo, ansioso por se encontrar conosco. Converter-se é escutar com amor a Sua Palavra, é procurar na oração o restabelecer de uma intimidade, exprimir no arrependimento uma mágoa sentida por O termos ofendido. Não nos convertemos por medo, mas por amor, pois só a confiança do amor vence o medo. Para os descrentes, se chegarem a ouvir este convite à conversão, ele é o anúncio que Deus é bom e que é bom acreditar em Deus.

O convite à conversão dirige-se a todos, pois é com todos os homens que Deus deseja estabelecer uma aliança de amor, a nova e definitiva aliança ratificada na Páscoa de Jesus. Segundo o Profeta Joel, esse apelo à conversão é dirigido a toda a assembleia do Povo de Deus: aos anciãos, às crianças, mesmo de tenra idade, aos recém-casados, aos sacerdotes que servem o Povo do Senhor.

Este apelo à conversão mantém a sua atualidade, em todos os tempos, porque é dirigido, em nome de Deus, pela Igreja, sacramento de Jesus Cristo. É essa a consciência do Apóstolo Paulo: “Nós somos embaixadores ao serviço de Cristo: é Deus que exorta por nosso intermédio” (2Co. 9,20). A quem dirige, hoje, a Igreja este apelo à conversão? Tal como nos tempos do Profeta Joel, ela dirige-o, antes de mais, a toda a assembleia do Povo do Senhor. O apelo à conversão de que a Igreja é porta-voz, em nome de Cristo, dirige-se, primeiramente, a ela própria, de quem o Senhor espera que seja o Povo do Seu enlevo, que Ele quer amar como um esposo ama uma esposa.

Dirige-se, antes de mais, a nós sacerdotes, que Ele enviou ao Seu Povo com a solicitude do Bom Pastor, para que deixemos que toda a nossa vida seja repassada pela exigência dessa missão, e tudo em nós, o que somos e o que temos, possa ser sacramento do amor.

Dirige-se, depois, a todos aqueles e aquelas que consagram totalmente a sua vida a Deus, para o serviço do Reino, para que busquem na intimidade da oração a radicalidade do dom, e que não retirem, em nenhum momento das suas vidas, nada do que um dia consagraram ao Senhor, antes o radicalizem na perfeição da sua vivência.

Dirige-se ainda a todos os cristãos que exercem na Igreja um serviço, para a propagação da fé, para a prática da caridade ou na celebração comunitária do mistério da salvação. A todos esses o Senhor chama, na realidade das suas vidas e no concreto da sua missão, a crescerem na fé e na fidelidade ao Senhor que os chama e os ama.

Dirige-se também àqueles cristãos cuja missão é serem testemunhas do amor de Deus no meio da cidade, no seu trabalho, nas responsabilidades sociais, econômicas e políticas, para que encontrem em Deus a luz que os guia, a força que os move e a exigência que os fortalece na luta pela verdade, pela justiça, pela honestidade, pela defesa e promoção da vida.

Este convite à conversão é, hoje, particularmente dirigido a tantos cristãos, que sem terem perdido a fé, deixaram de a celebrar, só conhecem Deus de nome e nunca experimentaram a alegria de uma intimidade. A todos esses a Igreja diz: regressai sem medo, vós que pelo batismo vos unistes a Jesus Cristo, e O deixastes tanto tempo à espera de ver germinar em vós a semente de vida que Ele semeou em vós. Vinde e sentireis que a vossa vida descobre um sentido novo no amor de Jesus Cristo.

Não podemos deixar de lançar este apelo à conversão também àqueles que não creem e que são, conosco, construtores da mesma Cidade. É urgente que a nossa sociedade redescubra um sentido nobre para o nosso viver coletivo, que busque a dignidade, a verdade, a generosidade; construa a justiça, respeite a pessoa humana, promova a paz. É urgente construir um horizonte mais profundo, que enquadre as lutas do presente. Não tenhais medo de Deus; Ele é a verdadeira fonte do sentido da nossa vida.

Que  nenhum cristão hesite em falar de Jesus Cristo aos seus irmãos; e que ninguém leve a mal que lhe falem de Deus. Ele vem sempre por bem, batendo à porta de cada um de nós com humildade e com esperança.

 A entrega do “Kerigma” da missão. São aquelas verdades fundamentais acerca de Jesus Cristo, nosso salvador e que cada cristão tem de ter enraizadas no seu coração, para que as possa anunciar. Elas são o “kerigma para a nossa cidade”. Rezai pelo vosso Bispo, para que viva cada vez mais estas verdades e possa ser profeta do seu anúncio, neste tempo que é o nosso, nesta cidade que amamos.

 


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