Formação

A vida consagrada, «transformados pelo esplendor de sua beleza»

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Discurso aos superiores e superioras gerais dos institutosde vida consagrada e sociedades de vida apostólica – 2006

 

Senhor cardeal,

Venerados irmãos no episcopado e no presbiterado,

Queridos irmãos e irmãs:

 

Para mim é uma grande alegria participar deste encontroconvosco, superiores e superioras gerais, representantes e responsáveis da vidaconsagrada. Dirijo a todos minha cordial saudação. Com afeto fraterno, saúdo emparticular ao senhor cardeal Franc Rode, e lhe dou graças por ter manifestadovossos sentimentos, junto a outros representantes vossos. Saúdo ao secretário eaos colaboradores da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e asSociedades de Vida Apostólica, dando graças pelo serviço que oferece estedicastério à Igreja em um campo tão importante como é o da vida consagrada.

     Meupensamento, se dirige neste momento, com profunda gratidão, a todos osreligiosos e religiosas, os consagrados e consagradas, e os membros dassociedades de vida apostólica que difundem na Igreja e no mundo a «boa fragrânciade Cristo» (Cf. 2 Coríntios 2, 15). A vós, superiores e superioras maiores,peço-vos que dirijais uma palavra de especial atenção a todos que estão emdificuldade, aos anciãos e doentes, a quem está passando momentos de crise e desolidão, a quem sofre e se sente perdido e, junto aos jovens, a quem tambémhoje toca à porta de vossas casas pedindo poder entregar-se a Jesus Cristo, naradicalidade do Evangelho.

     Desejo que este momento de encontro e de comunhão profundacom o Papa possa ser para cada um de vós um motivo de alento e de consolo nocumprimento de um compromisso sempre exigente, que em certas ocasiõesexperimenta oposição. O serviço à autoridade exige uma presença constante,capaz de animar e de propor, de recordar a razão de ser da vida consagrada, deajudar às pessoas que vos são confiadas a corresponder com uma fidelidadesempre nova ao chamado do Espírito. Esta tarefa vossa com freqüência vaiacompanhada pela Cruz e às vezes também por uma solidão que exige um sentidoprofundo de responsabilidade, uma generosidade que não conhece desfalecimento eum constante esquecimento de vós mesmos.

     Estais chamados a apoiar e guiar avossos irmãos e a vossas irmãs em uma época que não é fácil, caracterizada pormuitas insídias. Os consagrados e as consagradas têm hoje a tarefa de sertestemunhas da transfigurante presença de Deus em um mundo cada vez maisdesorientado e confundido, um mundo no qual os matizes substituíram as coressumamente claras e destacadas. Olhar a nosso tempo com os olhos da fé significaser capazes de olhar o homem, o mundo e a história à luz de Cristo crucificadoe ressuscitado, única estrela capaz de orientar «o homem que avança entre oscondicionamentos da mentalidade imanentista e as limitações de uma lógicatecnocrática» («Fides et ratio», 15).

     A vida consagrada nos últimos anos voltou a ser compreendidacom um espírito mais evangélico, mais eclesial e mais apostólico; mas nãopodemos ignorar que algumas opções concretas não ofereceram ao mundo o rostoautêntico e vivificante de Cristo. De fato, a cultura secularizada penetrou namente e no coração de não poucos consagrados, que vêem nela uma forma de acessoà modernidade e de aproximação do mundo contemporâneo. A conseqüência é quejunto com um indubitável impulso generoso, capaz de testemunho e de entregatotal, a vida consagrada experimenta hoje a insídia da mediocridade, doaburguesamento e da mentalidade consumista. No Evangelho, Jesus nos diz que sóhá dois caminhos: um é o estreito que conduz à Vida, o outro é o espaçoso queleva à perdição (cf. Mateus 7, 13-14). A verdadeira alternativa é e será semprea aceitação do Deus vivo, por meio do serviço de obediência pela fé, ou arejeição do próprio Deus. Uma condição prévia do seguimento de Cristo é arenúncia e o desapego de tudo o que não é dEle. O Senhor quer homens e mulhereslivres, que não estejam condicionados, capazes de abandonar tudo para encontrarsó nEle seu tudo. São necessárias opções valentes, a nível pessoal ecomunitário, que imprimam uma nova disciplina à vida das pessoas consagradas eas levem a redescobrir a dimensão integral do seguimento de Cristo.

Pertencer totalmente a Cristo quer dizer arder com seu amorincandescente, ficar transformados pelo esplendor de sua beleza: nossa pequenezse oferece como sacrifício de suave fragrância para que se converta emtestemunho da grandeza de sua presença para nosso tempo, que tanta necessidadetem de ficar ébrio pela riqueza de sua graça. Pertencer ao Senhor: esta é amissão dos homens e mulheres que optaram por seguir Cristo casto, pobre eobediente, para que o mundo creia e se salve. Ser totalmente de Cristo sendouma permanente confissão de fé, uma inequívoca proclamação da verdade queliberta da sedução dos falsos ídolos que deslumbram o mundo. Ser de Cristo significamanter sempre ardente no coração uma chama viva de amor, alimentadacontinuamente pela riqueza da fé, não só quando leva consigo a alegriainterior, mas também quando vai unida às dificuldades, à aridez, ao sofrimento.O alimento da vida interior é a oração, íntimo colóquio da alma consagrada como Esposo divino. Um alimento mais rico ainda é a cotidiana participação nomistério inefável da divina Eucaristia, na qual se faz presente constantementeCristo ressuscitado na realidade de sua carne.

Para pertencer totalmente ao Senhor, as pessoas consagradasabraçam um estilo de vida casto. A virgindade consagrada não pode se marcar nalógica deste mundo; é o paradoxo cristão mais «irracional» e não todos podemcompreendê-lo e vivê-lo (cf. Mateus 19, 11-12). Viver uma vida casta quer dizertambém renunciar à necessidade de aparecer, assumir um estilo de vida sóbrio ehumilde. Os religiosos e as religiosas estão chamados a demonstrá-lo também naeleição o hábito, um hábito simples que seja sinal da pobreza vivida em uniãocom Aquele que, sendo rico, fez-se pobre para tornar-nos ricos com sua pobreza(cf. 2 Coríntios 8, 9). Dessa forma, e só dessa forma, é possível seguir semreservas a Cristo crucificado e pobre, submergindo-se em um mistério eassumindo as opções de humildade, pobreza e mansidão.

A última reunião plenária da Congregação para os Institutosde Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica teve por tema «O serviçode autoridade». Queridos superiores e superioras gerais, é uma ocasião paraaprofundar na reflexão sobre um exercício da autoridade e da obediência queesteja cada vez mais inspirado pelo Evangelho. O jugo de quem está chamado adesempenhar a delicada tarefa de superior e de superiora a todos os níveis serásuave na medida em que os consagrados saibam redescobrir o valor da obediênciaprofessada, que tem como modelo a de Abraão, nosso pai na fé, e mais ainda, ade Cristo. É necessário deixar de lado o voluntarismo e a improvisação paraabraçar a lógica da Cruz.

Concluindo: os consagrados e as consagradas estão chamados aser no mundo sinais confiáveis e luminosos do Evangelho e de seus paradoxos,sem conformar-se com a mentalidade deste século, mas transformando-se erenovando continuamente o próprio compromisso, para poder discernir a vontadede Deus, o que é bom, o que lhe agrada e é perfeito (cf. Romanos 12, 2). Este éprecisamente meu desejo, queridos irmãos e irmãs, para o qual invoco a maternaintercessão da Virgem Maria, modelo insuperável de toda vida consagrada. Comestes sentimentos envio com afeto a benção apostólica, que estendo com prazer atodos que fazem parte de vossas múltiplas famílias espirituais.

[Traduzido por Zenit]

 

BOX:

1- “Em um mundo cada vez mais desorientado e confundido, osconsagrados são chamados a ser testemunha da transfigurante presença de Deus”.

2- “O Senhor quer homens e mulheres livres, que não estejamcondicionados, capazes de abandonar tudo para encontrar só nEle seu tudo”.


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