Formação

A virtude da fortaleza como ferramenta para enfrentar as tribulações com coragem

São João Paulo II apresenta exemplos comuns, porém, heroicos, de vivência da virtude da fortaleza. Mas afinal, você sabe o que é ser forte?

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“Há quatro virtudes que desempenham um papel fundamental. Por isso, se chamam “cardeais”; todas as outras se agrupam em torno delas. São: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. “Se alguém ama a justiça, o fruto dos seus trabalhos são as virtudes, porque ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza” (Sb 8, 7). Com estes ou outros nomes, estas virtudes são louvadas em numerosas passagens da Sagrada Escritura.”

(Catecismo da Igreja Católica, 1805)

“A fortaleza é a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na prossecução do bem. Torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral. A virtude da fortaleza dá capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições. Dispõe a ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa duma causa justa. “O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória” (Sl 118, 14). “No mundo haveis de sofrer tribulações: mas tende coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33).”

(Catecismo da Igreja Católica, 1808)

Segundo a doutrina de São Tomás, a virtude da fortaleza encontra-se no homem, que está pronto a aggredi pericula, isto é, a afrontar o perigo; e que está pronto a sustinere mala, isto é, a suportar a adversidade por uma causa justa. Por isso, a virtude da fortaleza requer sempre alguma superação da fraqueza humana, especialmente do medo.

O homem, por natureza, teme o perigo, a dor e o sofrimento. A virtude da fortaleza está diretamente relacionada à coragem. Ter coragem não significa não ter medo, de fato, “não ter medo” não é sinônimo de coragem, mas de temeridade (contrário à virtude da prudência), a qual diante de situações perigosas perde noção da realidade e das consequências dos atos. Ter coragem dada pela virtude da fortaleza significa superar os medos apoiado na confiança em Deus e na sua graça.

Como exemplo de máxima expressão desta virtude temos o testemunho dos mártires. A tradição nos ensina que todos os Apóstolos de Jesus seguiram-no até o martírio: Pedro foi crucificado de cabeça para baixo; André, irmão de Pedro, foi crucificado em forma de “X” sem ser pregado, a modo de prolongar o sofrimento; Paulo foi decapitado em Roma; Bartolomeu, foi esfolado vivo; os outros foram espancados até a morte, apedrejados, decapitados e crucificados.

Até Matias, o décimo-terceiro apóstolo, morreu martirizado, na Etiópia. O evangelista João, seria o único dos Apóstolos que teria morrido por morte natural, contudo, não foi poupado dos sofrimentos próprios do testemunho cristão, pois, passou seus últimos anos de vida no exílio e, segundo algumas tradições, teria sobrevivido a diversas tentativas de morte, tais como ter sido jogado num caldeirão de óleo fervente. A perseguição do Império Romano aos cristãos durou três séculos.

Misteriosamente, na medida em que mais cristãos eram martirizados, mais a Igreja crescia. O escritor cristão do século II, Tertuliano, escreveu em seu “Apologeticum” para o imperador sanguinário, Marco Aurélio, que não adiantava matar mais cristãos porque “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”.

São João Paulo II apresenta exemplos comuns, porém, heroicos, de vivência da virtude da fortaleza: “Penso, por exemplo, numa mulher, mãe de família já numerosa, a quem é “aconselhado” por muitos suprimir uma nova vida concebida no seu seio, submetendo-se “à intervenção” que interrompe a maternidade: e ela responde com firmeza: Não. Sem dúvida sente toda a dificuldade que este “não” traz consigo, dificuldade para ela, para o marido, para toda a família; apesar de tudo, responde: Não.

A nova vida humana nela concebida é um valor demasiado grande, demasiado “sagrado”, para ela poder sujeitar-se a tais pressões. Mais um exemplo: um homem a quem é prometida a liberdade e até uma carreira fácil, contanto que renegue os seus princípios ou aprove alguma coisa que seja contra a sua honestidade para com os outros. E também ele responde: “não”, mesmo defronte a ameaças, por um lado, e atrativos, por outro. Eis um homem corajoso!”

Billy Fitness

Certo dia, Billy começou a sentir dores na perna enquanto corria. Ele não deu muita atenção, pois, a dor sumiu logo depois. No entanto, cada vez que Billy corria, sentia dores maiores e mais intensas. Foi no médico e fez diversos exames.

O doutor falou sem rodeios: “você não pode correr nunca mais na sua vida”. Este diagnóstico foi muito duro para o Billy, pois, o esporte ao longo do tempo havia se transformado em algo importante para ele. Billy sentiu-se triste. Sabia que se desobedecia ao médico as consequências seriam piores e poderia ficar até impossibilitado de caminhar.

Em certo momento, Billy se encontrou perdido na tristeza. A própria ausência do exercício físico foi deprimindo-o progressivamente. Ele continuou indo no parque pela manhã, no mesmo horário que de costume, porém, só ficava olhando os atletas que passavam velozes. Inconscientemente, Billy fazia isso como uma espécie de tortura.

Depois de um certo tempo, Billy encontrou o seu antigo personal trainer fazendo esporte no parque. Ambos se alegraram pela presença do outro. O personal trainer não hesitou em perguntar por que que o Billy havia permanecido ausente, escondido.

Billy contou a história da dor e do médico, e como isso havia lhe afetado por sobremaneira. O personal trainer lhe respondeu: “Billy, eu imagino como deve ser difícil deixar de fazer algo que você gosta tanto, que é tão importante para você. Mas, você não pode deixar que isso te deprima! você já pensou em fazer outro esporte? Por exemplo, natação ou caiaque?”

Billy respondeu: “Nunca havia pensado nisso; para ser sincero a tristeza e o medo de ficar assim me impediram de pensar bem.” O personal trainer disse: “coragem! Não tenha medo!”

Billy seguiu o conselho do seu velho amigo. A esar de que o diagnóstico ainda estava recente, ou seja, a tristeza ainda batia à sua porta, o Billy teve coragem de se arriscar no novo. Começou do zero.

Sem conhecimento do novo esporte, começou a treinar todos os dias. Vieram dias difíceis, nos quais se sentia um fracassado. Às vezes pensava que havia regredido na sua vida esportiva por não ter tanto domínio do esporte, sem perceber que na verdade havia progredido de forma gigantesca por ter atingido um alto nível de domínio de si.

Bastou apenas alguns meses de duro treinamento e o personal trainer foi apoiar o Billy numa competição do seu novo esporte.

Que Deus lhe dê essa virtude para que você consiga alcançar, com êxito, a santidade que lhe foi confiada.


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