Formação

Leitura orante: A visitação de Nossa Senhora

comshalom

Já foi dito que sobre Maria de Nazaré nunca se falará o suficiente. Portanto, neste mês de maio, tomemos para meditar com o método da Lectio Divina o trecho do evangelho da Visitação de Maria a sua prima Isabel, cuja festa encerra o mês mariano.

Leia em voz alta, ou pelo menos audível para você mesmo, Lc 1,36-45.

A leitura é o primeiro passo na Lectio e dele dependem os passos seguintes. É tão simples que às vezes temos a tentação de pulá-lo, por achar que já conhecemos o trecho proposto. Puro engano! Se você deseja ter uma experiência real com a Palavra de Deus por esta via, siga passo a passo, sem querer pular nenhum dos passos propostos. Então, vamos lá? Leia em voz alta o trecho acima – assim, você estará exercitando pelo menos dois sentidos: visão e audição –. Em seguida, leia silenciosa e lentamente mais uma vez, deixando que cada palavra vá caindo em seu coração. O segundo passo é a meditação, que confronta o texto lido com a vida. O próximo passo é a oração, que pode ser de louvor, súplica, perdão… conforme o que Deus lhe tenha mostrado na meditação. O último passo é a contemplação dos mistérios ou verdades reveladas.

Logo após receber o anúncio do anjo e a notícia da gravidez de Isabel, Maria “pôs-se a caminho para a região montanhosa, dirigindo-se apressadamente…” (cf. v.39). Maria tem pressa, sabe que a idosa Isabel está grávida de seis meses e cada dia fica mais “pesada”, então põe-se de imediato a caminho. Sua “subida à montanha” pode ser comparada com outras subidas que seu Filho depois realizaria em sua vida pública.

A primeira, relatada em Mt 5,1-7,28, onde Jesus “sobe o monte” e começa o “Sermão da Montanha”. Maria é o exemplo ímpar das “Bem-aventuranças” e mesmo sem palavras ensina com seus gestos e ações o que Jesus deixou como programa de vida do discípulo.

A segunda “subida” é a da “transfiguração” (Mt 17,1-8). Jesus sobe ao monte e se transfigura diante de Pedro, Tiago e João mostrando-os sua “glória”. Isabel é tomada de alegria ao receber Maria, que trás Jesus em seu seio, pois o Espírito Santo estremece João Batista revelando que ali estava o “Senhor da glória”.

A terceira subida de Jesus é a Jerusalém, onde vai assumir sua missão de salvação através da cruz. Maria, ao realizar a sua subida à região montanhosa, também assume já a partir daquele momento a sua missão de mãe e servidora da humanidade. Ela dera seu “sim” para ser a mãe de Jesus e depois repetiria o “sim” como mãe dos discípulos (cf. Jo 19,26-27), com todas as conseqüências e incansavelmente determinou-se até o fim. Ela ansiava, como Jesus, que todos já estivessem tomados por este fogo do Espírito (cf. Lc 12,49). Ela tinha pressa!

“Entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel” (v.40). Esta saudação é muito mais do que um “bom dia”. A saudação por excelência para o povo judeu era – e ainda é – Shalom! Paz a vós! Era desejar a saúde de corpo, a felicidade perfeita e a salvação trazida pelo Messias que se concretizariam plenamente em Jesus.

Maria antecipa assim a missão dos apóstolos enviados de dois em dois (cf. Lc 10,1-16). Jesus pede que eles, ao entrarem em uma casa, saúdem-na e anunciem que o Reino de Deus está próximo. Não foi exatamente isto que aconteceu nesta visitação de Maria, com a saudação e a “descoberta” de Jesus por Isabel?

Chegamos, a meu ver, ao versículo chave deste trecho: “Feliz aquela que creu, pois o que foi dito da parte do Senhor será cumprido!” (v.45). Maria acreditou e por isso as promessas do Senhor foram e seriam cumpridas. Se “Abraão creu em Deus e isso lhe foi levado em conta de justiça” (Rm 4,3), quanto mais não podemos dizer sobre a fé de Maria.

Ela é bem-aventurada porque não viu e nem tinha razões humanas para isso, mas acreditou. Compare com a fé de Tiago em Jo 20,28. Felizes e bem-aventurados somos quando acreditamos mesmo sem ver. Quantas vezes Deus já não nos tem falado e ainda fraquejamos, duvidamos, pedimos sinais, provas e confirmações antes de acreditarmos…

Inicie sua oração com toda simplicidade de um filho que fala ao seu pai: “Pai de amor e de toda bondade, perdoa-me as vezes que não acreditei em tua Palavra. Aumenta-me a fé. Faze que eu cresça na tua graça, a cada dia. Obrigado, pois estás sempre ao meu lado e nunca me abandonas …”

Deixe agora que o Senhor complete sua obra através da contemplação do mistério deste Deus que vem lhe visitar e vem no seio de uma jovem: Maria! Que insondável amor esse que tem pressa, que vem para servir (não para ser servido), nos dá o seu Shalom, a sua paz, a felicidade perfeita, a salvação.

Não se esqueça de anotar em seu caderno e partilhar com seu grupo ou comunidade.

Shalom!

José Ricardo F. Bezerra
(artigo originalmente publicado na Revista Shalom Maná)


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