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A educação sexual da criança: verdade e significado

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A educação sexual da criança: verdade e significado

Papa João Paulo II

 

A educação ao amor

A educação ao amor como dom de si constitui também a premissa indispensável para os pais chamados a oferecer aos filhos uma clara e delicada educação sexual. O serviço educativo dos pais deve firmar-se sobre uma cultura sexual que seja verdadeira e plenamente pessoal, superando uma cultura que banaliza largamente a sexualidade humana, porque a interpreta e a vive de modo reduzido e empobrecido, ligando-a unicamente ao corpo e ao prazer egoístico. A sexualidade, de fato, é uma riqueza de toda a pessoa – corpo, sentimento e alma – e manifesta o seu íntimo significado no levar a pessoa ao dom de si no amor. A educação sexual, direito e dever fundamental dos pais, deve atuar-se sempre sob a sua guia solícita, seja em casa, seja nos centros educativos por eles escolhidos e acompanhados. A escola observa a lei da ajuda quando coopera para a educação sexual, colocando-se no mesmo espírito que anima os pais.

É de todo irrenunciável a educação à castidade, como virtude que desenvolve a autêntica maturidade da pessoa e a torna capaz de respeitar e promover o significado esponsal do corpo. Antes, os pais cristãos reservarão uma particular atenção e cuidado para a educação à virgindade, como forma suprema do dom de si. A educação deve conduzir os filhos a conhecer e a estimar os valores éticos e as normas morais como necessária e preciosa garantia para um responsável crescimento pessoal da sexualidade humana.

Uma certa forma de informação sexual, desprovida dos princípios morais, tão freqüentemente difundida, não é senão uma introdução à experiência do prazer – ainda nos anos da inocência – abrindo a estrada ao vício.

 

Dificuldades do ambiente cultural

Na nossa época se manifesta uma profunda crise da verdade e em primeiro lugar uma crise de conceitos. Os termos “amor”, “liberdade”, “dom sincero”, e por fim aqueles de “pessoa, “direitos da pessoa”, significam na verdade aquilo que pela sua natureza contêm? Apenas se a verdade acerca da liberdade e da comunhão das pessoas no matrimônio e na família reconquistar o seu esplendor, acontecerá verdadeiramente a edificação da civilização do amor.

O utilitarismo é uma civilização do produto e do prazer, uma civilização das coisas e não das pessoas. A mulher pode tornar-se para o homem um objeto, os filhos um obstáculo para os pais, a família uma instituição que impede a liberdade dos membros que a compõem. Para convencermo-nos disso, basta examinar certos programas de educação sexual, introduzidos nas escolas, freqüentemente não obstante o parecer contrário e protestos de muitos pais; ou as tendências favoráveis ao aborto, que procuram em vão esconder-se de trás do assim chamado “direito de escolha”. O “sexo seguro”, propagandeado pela civilização técnica, está, na verdade, sob o perfil das exigências globais da pessoa, radicalmente não-seguro, antes gravemente perigoso.

A verdade, apenas a verdade, vos preparará a um amor do qual se possa dizer que é “belo”. Um amor reduzido apenas à satisfação da concupiscência (cf. 1Jo 2,16), ou a um recíproco uso do homem e da mulher, torna as pessoas escravas das suas fraquezas. Não levam a esta escravidão certos modernos programas culturais? São programas que jogam com as fraquezas do homem, tornando-o assim sempre mais fraco e indefeso.

 

Preparar para os relacionamentos com os outros

Não deixe de lado, no contexto da educação, a questão essencial da escolha vocacional e, nessa, em particular da preparação para a vida matrimonial. Não seja esquecido que a preparação para a futura vida de casal é dever sobretudo da família. Com efeito, a preparação tem início desde a infância, naquela sábia pedagogia familiar, orientada a conduzir os pequenos a descobrir a si mesmos como seres dotados de uma rica e complexa psicologia e de uma personalidade particular, com as próprias forças e fraquezas. É o período no qual se instala a estima por todo autêntico valor humano, seja nos relacionamentos interpessoais, seja nos sociais, com aquilo que isto significa para a formação do caráter, para o domínio e o reto uso das próprias inclinações, para o modo de considerar e encontrar as pessoas e a si mesmo.

 

 

 

Fonte: Revista Shalom Maná – Ed. Shalom

 

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