“Hoje eu acordei, beijei meu Tau, agradeci a Deus por sua eleição por mim e fui em missão”. Este texto tão conhecido por muitos de nós, ainda traz ao meu coração uma mistura de sentimentos, uma alegria que vem de Deus e uma esperança sem fim.
No início deste ano, recebi minha resposta que a Comunidade Católica Shalom aceitava meu pedido de ingresso no Discipulado, como Comunidade de Aliança, e assim, me tornei neo-discípula.
Foi a grande manifestação do amor de Deus na minha vida! Ele me concebia cada dia mais Shalom, por sua graça, por sua misericórdia, e eu não cabia em mim de tanta felicidade. Além deste novo tempo dentro da minha vocação, não podia pensar em outra coisa: eu ia ter um Tau, sinal visível da eleição invisível de Deus por mim.
Retiro de ingresso agendado, missa de ingresso também, faltava alguns detalhes para o grande dia! Meus planos estavam prontos, ia ser tudo perfeito! Mas Deus, que é uma eterna novidade, ia me surpreender mais uma vez. E para isso, Ele precisava realizar os planos Dele e eu precisava aprender, com paciência, que o tempo de Deus é o mais belo e o mais perfeito para mim.
E foi em meio a uma pandemia mundial, praticando a paciência que só Deus sabe o quanto é difícil para mim, que eu descobri o verdadeiro significado de ser discípulo e “ter um Tau”.
“O discipulado nos impõe carregarmos nossas próprias cruzes, caminharmos nas adversidades, nas tribulações, mas vencermos como Cristo”, dizia um padre em sua homilia um dia desses.
Neste tempo pascal, a liturgia diária tem me sustentado na esperança. É através da Palavra de Deus, que é viva, que o Senhor me mostra diariamente (sim, porque diariamente eu pergunto a Deus “Como isso se dará? O que Ele quer de mim neste tempo?”) a alegria e a responsabilidade de ser seu discípulo, como os doze, como aqueles dois no caminho para Emaús, como Estevão e tantos outros.
Ele me constituiu discípula, para ir e anunciar o Evangelho a toda criatura, perto ou longe, pessoalmente ou através das redes sociais. Ser discípula por amor e gratidão a Deus, que venceu o meu pecado, me tirou da morte e me deu nova vida.
Eu ainda não sei como se dará o que Ele planejou para mim, nem quando irei beijar meu Tau, mas confio plenamente na graça de Deus que permanece comigo e não me abandona neste tempo de espera, doce espera n’Aquele que sempre tem o melhor para mim, que sempre irá me surpreender.
Por Juliane Monteiro