Cresci na Igreja católica, desde muito cedo havia em mim uma sede meio doida de servir a Deus, uma sede que eu nunca entendi muito bem. Fiz a primeira comunhão, fui coroinha, por fim, entrei no grupo de jovens, fiquei lá bem firme todos os domingos servindo e foi justamente nessa época que as coisas começaram a acontecer.
Conheci um garoto através de uma amiga. Nos aproximamos e namoramos por 5 meses. Não tínhamos NADA A VER, não me identificava com ele nem com os amigos dele, mas estava numa situação confortável. Ele me traiu por diversas vezes, inclusive com “minhas amigas”, e eu o perdoei muitas vezes. Minhas amigas me chamavam de idiota, o meu pai ficava bravo e brigava comigo, mas tudo isso fazia parte de uma busca por algo a mais que meu coração tanto desejava.
Em 2013 começava um novo ano e um novo ciclo. O grupo de jovens da paróquia acabou, e eu que já estava muito desanimada com tudo, sai dos coroinhas, ia para a missa uma vez por mês e olhe lá! Comecei a fazer aula de música e conhecer várias pessoas mais velhas, além de andar com a galera do ensino médio.
Era adolescente descolada, falava com todo mundo, gostava de todo mundo, estudava na sala mais unida da escola. Foi aí que eu comecei a ver o “mundo real”. As festinhas, os garotos, as bebidas, os assuntos, as músicas, lá estava eu ganhando o mundo e me achando a garota mais top de todas. Porém, algo ainda me faltava.
Não digo isso como uma frase clichê, que todo mundo diz quando tem uma mudança radical na vida! Mas como alguém que sempre se questionou, se sentia diferente e, apesar de estar envolvida com todos, aquilo não me bastava. Que sede era aquela que eu tinha de ajudar as pessoas? De querer fazer algo a mais por quem precisasse?
O tempo foi passando e conforme a minha vida social só melhorava, a minha vida familiar só piorava. Brigas bem constantes na minha casa, não suportava meus pais nem minha irmã, brigávamos o tempo todo e eles brigavam entre si. Não tinha quem convivesse. Fomos empurrando essa relação com a barriga. Eu já não me importava com a minha relação familiar, ou com a confiança dos meus pais nem nada do tipo.
Em 2014, minha mãe disse que me inscreveria para fazer audição para um musical. Nessa época eu fazia teatro, estudava, fazia aula de música e trabalhava em um buffet infantil. Fazer um musical sem remuneração, e ainda da Igreja? Sem chance! Mas não me opus, e lá foi minha mãe inscrever toda a família no musical!
Fizemos a audição para o musical o Pequeno Grande Rei, da Comunidade Shalom de Santo André (SP) e todos nós passamos. Logo no primeiro dia após a oração e partilha, já queria sair correndo dali e nunca mais voltar. Pensava que só tinha doida naquele lugar.
Meu pai adorou de cara e falou que não tínhamos opção, todos iríamos participar do espetáculo e ponto final. Comecei a levar aquilo com um aprendizado artístico, apenas. Fazia questão de ser o mais antipática possível.
Até que comecei a conversar com algumas pessoas da minha idade e começaram a falar de um tal de Acamp’s. O nome logo me interessou, sempre quis acampar, e comecei a ouvir testemunhos que foram me cativando. Nesse tempo de ensaios, Deus foi me seduzindo para ele e para o lugar que Ele tinha reservado para mim.
De tanto falarem fiquei empolgada, e antes mesmo de lançarem as inscrições, o coordenador da Secretaria Jovem da missão já possuía todos os meus dados. Fui me engajando na comunidade, com um pé cá e outro lá, porém já começava a sentir que estava me encontrando.
Chegou o tão esperado Acamp’s. Fui me permitindo viver tudo que aquele evento me proporcionava. Foram 4 dias que mais pareceram um mês, de tantas coisas que aconteceram. Cada oração, pregação, gincanas, festas, eu sentia presença de Deus. Foi ali, naquele acampamento que Deus selou em mim a minha eleição, o amor Dele por mim! O que eu busquei a vida toda, em todos os lugares, em muitas pessoas, eu tinha encontrado ali! Ou melhor, eu tinha encontrado NELE! Ele nunca desistiu de mim, e tinha certeza de que nunca vai desistir! Estava então, disposta a mudar, disposta a amar, ser melhor, a ser eu mesma!
Em 2018 irei para o meu quarto Acamp’s, terceiro como serva. E todos os anos Deus renova em mim aquilo que Ele selou no meu primeiro acampamento! Espero ansiosamente pelo Acamp’s deste ano, espero ansiosamente para ter uma nova experiência com Ele que é a eterna novidade!
Gabriela Brajão
Vocacionada missão de Santo André