No próximo sábado, dia 20, em Tubarão, será beatificada Albertina Berkenbrock. É a segunda mulher que a bela e santa Catarina – como é conhecido o simpático Estado sulino – oferece como exemplo de santidade à Igreja e à sociedade.
A primeira foi Santa Paulina, cuja festa se comemora a 9 de julho. Nascida na Itália, em 1865, aportou ao município de Nova Trento aos 10 anos de idade, juntamente com a família e centenas de migrantes que buscavam melhores condições de vida no Brasil. Abrindo-se sem medidas ao amor de Deus, transmitiu-o aos pobres e doentes, gastando sua vida a serviço dos mais esquecidos e excluídos. Fundou uma congregação religiosa para continuar seu carisma na Igreja. Falecida em 1942, foi beatificada por João Paulo II, em Florianópolis, em 1991, e canonizada pelo mesmo Papa, em 2002.
Albertina nasceu a 11 de abril de 1919, na Comunidade São Luís, município de Imaruí. A sua vida de criança em nada se distinguia das demais, a não ser pela fidelidade aos princípios cristãos, já que nascera numa família de raízes profundamente católicas.
Confessava-se com freqüência, ia regularmente à missa e comungava com fervor. Com seus familiares, rezava o terço todos os dias. Dócil e paciente, não fugia das responsabilidades e trabalhos que lhe eram confiados. Fora de casa, era uma menina estimada por todos, colegas e adultos. Amável e risonha, vestia-se com simplicidade e modéstia.
Apesar da pouca idade, entendera que a caridade era a primeira das virtudes. Aproximava-se e brincava com as meninas mais pobres, dividindo com elas o pão que trazia de casa para lanchar no intervalo das aulas. Até mesmo com os filhos do seu futuro assassino, o Maneco Palhoça, que trabalhava na casa do pai, se entretinha alegremente, acariciando-os e carregando-os ao colo. O fato não deixa de chamar a atenção, pois o empregado era negro, olhado com desconfiança pela maioria dos descendentes europeus.
Tudo corria normalmente até o dia 15 de junho de 1931. Naquela manhã, um boi da família perdera-se pelos pastos. A pedido dos pais, Albertina sai à sua procura. Anda de cá para lá, olha, chama pelo “Pintado”, mas nada! De longe, Maneco Palhoça, que rumina dentro de si o plano de conquistar a menina para seus intentos libidinosos, acompanha-a com o olhar e estuda como se aproximar dela.
Albertina mal completara 12 anos, mas aparentava uma idade superior. Alta e forte, bonita e simpática, tinha os cabelos louros e os olhos verde-escuros.
Maneco costumava andar armado com um punhal. Neste dia, ao invés, carrega um canivete afiado.
Albertina procura o boi fugitivo. De repente, vê ao longe alguns chifres e corre naquela direção. Mas eram outros bois, amarrados a um poste. Com surpresa, vê perto deles Maneco, carregando a carroça com sacos de feijão. À pergunta de Albertina pelo boi desaparecido, o homem lhe dá uma pista falsa para encaminhá-la ao lugar onde pudesse satisfazer seus desejos sem chamar a atenção.
Albertina segue a indicação de Maneco, embrenhando-se pelo mato. De repente, percebe que os gravetos estalam e as folhas farfalham. Volta-se e dá de cara com Maneco. Fica petrificada. Sozinha, na mata, com aquele homem na frente!
Ainda naquela manhã levara comida a seus filhos, como sempre fazia. Havia certa familiaridade entre Albertina e Maneco: ela o chamava de “Maneco preto”, como todo mundo, sem nenhuma intenção de ofendê-lo.
Chegara o momento decisivo! Maneco lhe propõe seus intentos. Albertina, decidida, não aceita. Sabe o que significa o pecado e recusa terminantemente. Começa, então, a tentativa do assassino de se apossar de Albertina, mas ela não se deixa subjugar. A menina é forte. Aos pontapés, derruba o assassino. A luta é longa e terrível. Ela não cede. Subjugada e jogada ao chão, tudo parece terminado. Ainda assim, defende-se, agarra seu vestido e se cobre mais que pode.
Maneco, derrotado moralmente pela menina, vinga-se, agarra-a pelos cabelos e afunda o canivete no pescoço e a degola.
Albertina está morta! Seu corpo verte sangue por todos os lados, mas sua pureza e sua liberdade interior ficaram intactas! A batalha foi vencida! Superando os tabus e os preconceitos de uma sociedade dominada pelo erotismo, demonstrara que “um outro mundo é possível” quando as mulheres ocupam o seu lugar e realizam a própria missão!
Fonte: CNBB