Formação

Alguns aspectos da Evangelização

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“1. Enviado pelo Pai a anunciar o Evangelho (cf. Mc 1, 14),Jesus Cristo convida todos os homens à conversão e à fé (cf. Mc 1, 14-15),confiando aos Apóstolos, depois da sua ressurreição, a continuação da suamissão evangelizadora (cf. Mt 28, 19-20; Mc 16, 15; Lc 24, 4-7; At 1, 3): «comoo Pai me enviou também Eu vos envio» (Jo 20, 21; cf. 17, 18). Na verdade,através da Igreja, Ele quer atingir cada época da história, cada lugar da terrae cada âmbito da sociedade, chegar a cada pessoa, para que haja um só rebanho eum só pastor (cf. Jo 10, 16): «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a todaa criatura. Quem acreditar e for batizado será salvo, mas quem não acreditarserá condenado» (Mc 16, 15-16). Com efeito, os Apóstolos, «movidos peloEspírito, convidavam todos a mudar de vida, a converter-se e a receber oBatismo»[1], porque a «Igreja peregrinante é necessária à salvação»[2]”.

“2. «Toda a pessoa tem o direito de ouvir a ‘boa nova’ deDeus que se revela e se dá em Cristo, para realizar plenamente a sua própriavocação»[5]”.

“3. Todavia, hoje verifica-se uma crescente confusão queinduz muitos a deixar inaudível e inoperante o mandato missionário do Senhor(cf. Mt 28, 19). Muitas vezes pensa-se que toda a tentativa de convencer osoutros em questões religiosas seja um limite posto à liberdade. Seria lícitosomente expor as próprias idéias e convidar as pessoas a agir segundo aconsciência, sem favorecer uma conversão a Cristo e à fé católica. Diz-se quebasta ajudar os homens a serem mais homens ou mais fiéis à própria religião,que basta construir comunidades capazes de trabalhar pela justiça, a liberdade,a paz, a solidariedade. Além disso, alguns defendem que não se deveria anunciarCristo a quem O não conhece, nem favorecer a adesão à Igreja, pois seriapossível ser salvos mesmo sem um conhecimento explícito de Cristo e sem umaincorporação formal à Igreja.”

“4. Nada como a procura do bem e da verdade põe em jogo aliberdade humana, solicitando-a a uma adesão tal que compromete os aspectosfundamentais da vida. De modo particular é o caso da verdade salvífica, que nãoé só objeto do pensamento, mas algo que afeta toda a pessoa – inteligência,vontade, sentimentos, atividades e projetos – quando essa adere a Cristo.

Todavia, hoje formulam-se, com maior frequência, interrogaçõessobre a legitimidade de propor aos outros aquilo que é verdadeiro para si.Muitas vezes, tal proposta é vista como um atentado à liberdade dos outros.Esta visão da liberdade humana, desvinculada da sua referência inseparável daverdade, é uma das expressões «daquele relativismo que, nada reconhecendo comodefinitivo, deixa sozinho, como última medida, o próprio eu com as suasdecisões, e sob a aparência da liberdade torna-se para cada um uma prisão» [9].Nas diversas formas de agnosticismo e relativismo presentes no pensamentocontemporâneo, «a legítima pluralidade de posições cedeu o lugar a umpluralismo indefinido, fundado no pressuposto de que todas as posições sãoequivalentes: trata-se de um dos sintomas mais difusos, no contexto atual, dedesconfiança na verdade. E esta ressalva vale também para certas concepções devida originárias do Oriente: é que negam à verdade o seu caráter exclusivo, aopartirem do  pressuposto de que ela semanifesta de modo igual em doutrinas diversas ou mesmo contraditórias entre si»[10]”.

“O acolhimento da Revelação, que se realiza na fé, apesar deacontecer a um nível mais profundo, entra na dinâmica da busca da verdade: «aDeus que revela é devida a «obediência da fé» (Rom 16,26; cfr. Rom 1,5; 2 Cor10, 5-6); pela fé, o homem entrega-se total e livremente a Deus oferecendo “aDeus revelador o obséquio pleno da inteligência e da vontade” e prestandovoluntário assentimento à sua revelação»[14]… Por isso, solicitar honestamentea inteligência e a liberdade de uma pessoa, no encontro com Cristo e o seuEvangelho, não é uma indevida intromissão nos seus confrontos, mas uma legítimaoferta e um serviço que pode tornar mais fecundo as relações entre os homens”.

“7. Embora os não cristãos se possam salvar mediante a graçaque Deus dá por “caminhos que só Ele sabe”[ 21], a Igreja não pode não terconta do fato que a esses falta um grandíssimo bem neste mundo: conhecer overdadeiro rosto de Deus e a amizade com Jesus Cristo, o Deus conosco. De fato,«não há nada mais belo do que ser alcançados, surpreendidos pelo Evangelho, porCristo. Não há nada de mais belo do que conhecê-Lo e comunicar com os outros aSua amizade»[22]. Para qualquer homem a revelação das verdades fundamentais[23]sobre Deus, sobre si mesmo e sobre o mundo são um grande bem; enquanto viver naobscuridade, sem a verdade acerca das questões últimas, é um mal, muitas vezesna origem de sofrimentos e de escravaturas dramáticas. Eis porque S. Paulo nãohesita a descrever a conversão à fé cristã com uma libertação «do reino dastrevas» e uma entrada «no reino do Filho predileto, no qual temos a redenção eremissão dos pecados» (Col 1, 13-14)… A Igreja quer tornar participantes destesbens todas as pessoas, para que tenham assim a plenitude da verdade e dos meiosde salvação, «para entrar na liberdade dos filhos de Deus» (Rom 8, 21). Oimpulso originário da evangelização é o amor de Cristo pela salvação eterna doshomens. O espírito cristão foi sempre animado pela paixão de conduzir toda ahumanidade a Cristo na Igreja. De fato, a incorporação de novos membros àIgreja não é a extensão de um grupo de poder, mas o ingresso na rede de amizadecom Cristo, que liga o céu e a terra, continentes e épocas diversas. É aentrada no dom da comunhão com Cristo, que é «vida nova» animada pela caridadee pelo empenho pela justiça. A Igreja é instrumento – «gérmen e início»[27]- doReino de Deus; não é uma utopia política. É já presença de Deus na história etraz em si também o verdadeiro futuro, aquele definitivo no qual Ele será «tudoem todos» (1 Cor 15, 28); uma presença necessária, pois só Deus pode trazer aomundo verdadeira paz e justiça”.

“8. O Reino de Deus não é – como alguns hoje sustentam – umarealidade genérica que domina todas as experiências ou as tradições religiosas,e às quais deveriam tender como que a uma universal e indistinta comunhão todosaqueles que procuram Deus, mas é acima de tudo uma pessoa, que tem o rosto e onome de Jesus de Nazaré, imagem do Deus invisível [28]. Por isso, qualquerapelo do coração humano para Deus e o seu Reino só pode conduzir, pela suanatureza, a Cristo e ser orientado à entrada na sua Igreja, que daquele Reino ésinal eficaz. A Igreja é, então, veículo da presença de Deus e instrumento deuma verdadeira humanização do homem e do mundo. O dilatar-se da Igreja nahistória, que constitui a finalidade da missão, é um serviço à presença de Deusmediante o seu Reino: de fato não se pode «desligar o Reino da Igreja» [29]”.

“10. Hoje, todavia, o anúncio missionário da Igreja é «postoem causa por teorias de índole relativista, que pretendem justificar opluralismo religioso, não apenas de fato, mas também de iure (ou deprincípio)»[30]. Há muito que se criou uma situação na qual, para muitos fiéis,não é clara a mesma razão de ser da evangelização [31]. Afirma-se mesmo que apretensão de ter recebido em dom a plenitude da Revelação de Deus esconde umaatitude de intolerância e um perigo para a paz”.

“Compreende-se, então, a urgência do convite de Cristo paraevangelizar e como a missão, confiada pelo Senhor aos apóstolos, se dirige atodos os batizados. As palavras de Jesus – «ide e ensinai todas as nações,batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-lhes aobservar tudo o que vos mandei» (Mt 28, 19-20) – interpelam a todos na Igreja,cada um segundo a sua vocação”.

13. Os relativismos e irenismos de hoje em âmbito religiosonão são um motivo válido para descurar este trabalhoso mas fascinante compromisso,que pertence à própria natureza da Igreja e é «sua tarefa primária» [54].

 


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