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‘Alguns santos passaram por depressões, mas todos eles buscaram o equilíbrio’

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depressao tristezaNo segundo dia do curso Depressão e Síndrome do Pânico – O sentido do sofrimento, a neuropediatra Silvia Maria Lemos falou sobre causas, sintomas e formas de tratamento do suicídio, ansiedade e síndrome do pânico. Promovido pela Comunidade Católica Shalom de Brasília, o encontro terminou neste domingo, 1º de novembro, na Universidade Católica de Brasília (Taguatinga Sul).

Sobre o suicídio, Silvia deu algumas pistas demonstradas por crianças, jovens, adultos e idosos que tentam tirar a própria vida por não mais conseguir encontrar esperanças na existência. Em geral, estas pessoas falam de morte e no caso de crianças e adolescentes, manifestam a angústia da falta de atenção dos familiares.

Os jovens que pensam em tirar a própria vida buscam fugir do enfrentamento de um fracasso acadêmico, da pressão imposta – muitas vezes pela própria família – para o bom êxito nos estudos ou para a formação em uma profissão que seja mais promissora perante a sociedade. Fracasso nos estudos e no emprego também podem desencadear o suicídio.

Adultos começam a pensar na possibilidade de suicídio depois de sofrer uma grave depressão ou ter um transtorno de personalidade não detectados em tempo oportuno. Muitos também apresentam sinais após passar um longo tempo ocioso por perder o emprego, ter um luto mal resolvido, sofrer com infidelidade e problemas conjugais, passar por um divórcio mal resolvido, estar inserido em um ambiente familiar muito conflituoso, estar em situação de encarceramento ou ter praticado um aborto.

Já os idosos ficam mais propensos ao suicídio quando há isolamento social e quando inexiste uma dimensão espiritual. Junto a isso surgem o efeito do ninho vazio com ausência de projetos para o futuro, sentimento de inutilidade ao não conseguir, por exemplo, cuidar do próprio corpo e problemas de insônia. Muitos idosos deixam de comer, ocultam sintomas de enfermidade de médicos e familiares, abandonam tratamentos médicos e têm desinteresse pela recuperação da saúde.

Como ajudar:

– Suspeitar de mudanças de atitude que apontam para tentativas de suicídio

– Procurar levar a pessoa a ter uma consulta com um psiquiatra

– Tentar mostrar esperança à pessoa

– Fornecer ajuda espiritual com pessoas idôneas e de boa formação

Além disso, Silvia explica que é necessário ter uma comunicação aberta e sem moralismos. “Não podemos cair num discurso de pregador: ‘Deus morreu por nós… Isso que você quer fazer é um grande pecado…’ Isso só afasta mais a pessoa. O ideal é não deixá-la sozinha, comunicar-se com alguém que possa ajudá-la e dizer que você se importa com ela”.

Pânico e medo

A síndrome do pânico foi conceituada ainda no século XVI. Atualmente ela é definida como um transtorno de ansiedade, com causas objetivas e subjetivas, que propicia uma resposta inadequada do corpo para lutar ou fugir de situações totalmente inofensivas.

Quem sofre com este transtorno sente falta de ar, tontura, sensações de desmaio e tremor, pensa que está saindo de si mesma, aceleração das batidas cardíacas, suor e medos de morrer, enlouquecer ou fazer algum mal. Tudo acontece de forma repentina com duração de 10 minutos.

A síndrome atinge em maior proporção pessoas entre 15 e 30 anos de idade e tem causas desencadeantes nos seis meses anteriores ao surgimento da doença. A síndrome tem cura e o tratamento é medicamentoso e psicoterápico.

Os santos e o sofrimento

Neste 1º de novembro a Igreja celebra o Dia de Todos os Santos. A liturgia fala das vestes lavadas pelo sangue do cordeiro e usadas pela multidão que passou pela grande tribulação, os santos (conf. Ap 7,9). Padre Emmanuel Ifeka Nwora, da paróquia Bom Jesus dos  Aflitos (Águas Claras), presidiu a missa da solenidade durante o curso.

Nigeriano e estudante psicologia, o sacerdote partilhou a luta dos santos para alcançarem o céu. “Os santos vieram de diversas realidades de vida, de variadas profissões. Alguns santos passaram por depressões, mas todos eles buscaram o equilíbrio”. Ele incentivou os fieis a buscarem a vida de plenitude em Cristo. “Você pode ser santo! ‘Ah, padre, mas a minha vida…’ Não! Esqueça o que passou. Deus te dá meios pra ser santo hoje. Hoje tem pessoas na sua situação que vivem a santidade, e isso não é utópico”.

 

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Comentários

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  1. Como buscar o equilíbrio? Faço tratamento há anos, imploro a Deus todos os dias para me curar, e agora vejo.minha filha de 18 anos também acometida por depressão… Na Igreja não encontro espaço para conversar sobre o que passo, me sinto deslocada, falha. Não participo mais da comunidade, e minhas orações não tenho mais esperança.

    1. Olá Márcia, Shalom querida! Primeira coisa que precisamos entender é o seguinte: doenças, mortes, etc é próprio de seres humanos. Se não fosse assim viveríamos eternamente nesse mundo e Deus não nos criou para viver no mundo para sempre. O diferencial de quem tem fé, não é o fato de não adoecer e morrer, mas é o modo como lidam com essas coisas. Os santos sofreram e morreram, sabem que este mundo é de passagem, fomos criados para o céu. Eu também tenho sérios problemas de saúde e sinceramente não sei por quanto tempo viverei, mas tenho procurado viver cada dia intensamente, amando e sendo amado por familiares e amigos. Estarei rezando por você minha querida e oferendo a Deus meus sacrifícios por sua saúde. Shalom!