Formação

Amar a Igreja Católica de Cristo

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“A Igreja! Ela é nosso amor constante, nossa solicitude primordial, nosso pensamento fixo! Não se ama a Cristo se não ama a Igreja: e não amamos a Igreja se não a amamos como a amou o Senhor: “Amou a Igreja e por ela se entregou” (Ef 5, 25)”.

Papa Paulo VI

Em sua carta encíclica Mystici Corporis, o Papa Pio XII (1939-1958), traz ensinamentos riquíssimos sobre a condição de Corpo Místico de Cristo, concedida somente à Igreja Católica. Pio XII não somente fala sobre esse assunto, como também exorta todos os fiéis a amarem a Igreja com ainda mais ardor.

Publicada na Festa de São Pedro e São Paulo do ano de 1943, a encíclica Mystici Coroporis, direcionada especialmente aos bispos da Igreja, se faz atual devido aos seus salutares ensinamentos a respeito da doutrina do “Corpo Místico de Cristo”. A carta ajuda a compreender por que a Igreja é chamada dessa maneira e como essa comunhão com Cristo-Cabeça se dá. “A doutrina do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja (cf. Cl 1,24), recebida dos lábios do próprio Redentor (…) é de sua natureza tão grandiosa e sublime que convida à contemplação todos aqueles a quem move o Espírito de Deus”, afirma Pio XII logo no início da encíclica. A seguir, ele recorda que assim como Cristo, a Cabeça da Igreja, sofreu perseguições, seu Corpo Místico continuará a sofrer na caminhada terrestre: “Propomo-nos, pois, falar das riquezas entesouradas no seio da Igreja que Cristo adquiriu com seu sangue (At 20,28) e cujos membros se gloriam de uma Cabeça coroada de espinhos. Isto mesmo já é prova evidente de que a verdadeira glória e grandeza não nascem senão da dor; por isso nós quando compartilhamos dos sofrimentos de Cristo, devemos alegrar-nos, para que também na renovação da sua glória jubilemos e exultemos (cf. 1Pd 4,13). E para começar, note-se que assim como o Redentor do gênero humano foi perseguido, caluniado, atormentado por aqueles mesmos que vinha salvar, assim a sociedade por ele fundada também neste ponto se parece com o divino Fundador”.

Por fim, em um belíssimo parágrafo, aconselha aos bispos a exortarem os fiéis a amarem a Igreja, reconhecendo nela a imensa misericórdia e grandeza de Deus: “Agora julgamos conforme ao nosso múnus pastoral excitar os corações a amar o Corpo Místico, com ardente caridade, que não se fique em pensamentos e palavras, mas se traduza em obras. Se os fiéis da antiga lei cantaram da cidade terrena: ‘Se eu me esquecer de ti, ó Jerusalém, paralise-se a minha mão direita; fique presa a minha língua ao meu paladar, se eu não lembrar de ti, se não tiver Jerusalém como a primeira das minhas alegrias’ (Sl 136,5-6); com quanto maior ufania e júbilo não devemos nos regozijar por habitarmos a cidade edificada sobre o monte santo, com pedras vivas e escolhidas, ‘tendo por pedra angular Cristo Jesus’ (Ef 2,20; 1Pd 2,45). Realmente não há coisa mais gloriosa, mais honrosa, mais nobre, que fazer parte da Igreja santa, católica, apostólica, romana, na qual nos tornamos membros de tão venerando corpo; nos governa uma tão excelsa cabeça; nos inunda o mesmo Espírito divino; a mesma doutrina, enfim, e o mesmo Pão dos Anjos nos alimenta neste exílio terreno, até que, finalmente, vamos gozar na céu da mesma bem-aventurança sempiterna”.

O AMOR DOS SANTOS PELA IGREJA

Santo Inácio de Antioquia (50ca-110/115), um dos primeiros escritores da Igreja, mártir na Coliseu de Roma, dizia: “Onde está o Cristo Jesus está a Igreja Católica”.

O mesmo repetia o bispo e mártir Santo Irineu de Lyon (ca 115/50 – 202/3): “Onde está a Igreja está o Espírito de Deus, ai estão a Igreja e os tesouros de todas as graças, porque o Espírito Santo é a verdade”.

“É realmente verdadeira e firme a pregação da Igreja, onde a única via de salvação em todo o mundo. Com efeito, à Igreja foi confiada a luz de Deus, e, portanto a “sabedoria” de Deus, pela qual Ele salva os homens… Por toda a parte a Igreja anuncia a verdade: ela é o candelabro de sete luzes (Ap 2.1) que transporta a luz de Cristo… convém refugiar-se na Igreja e ser educando em seu grêmio, nutrindo com as santas Escrituras do Senhor. Pois a Igreja está plantada neste mundo como o Paraíso.” (Contra as Heresias. Liv. V. cap. 20).

“Quem se aparta da Igreja e se junta a uma adúltera, separa-se das promessas da Igreja. Quem deixa a Igreja de Cristo não alcançará os prêmios de Cristo. É um estranho, um profano, um inimigo. Não pode ter Deus por Pai quem não tem a Igreja por mãe. Se alguém se pôde salvar dos que ficaram fora da arca de Noé, também se salvará os que estiverem fora da Igreja?” Escreve o bispo e mártir São Cipriano de Cartago (210-258).

Para Santo Agostinho (354-430), bispo e Doutor da Igreja: “Era cheio do Espírito Santo aquele que fosse cheio de amor à Igreja: “Onde está a Igreja aí está o Espírito de Deus”. Na medida em que alguém ama a Igreja é que possui o Espírito Santo”. E completava: “Fazei-vos Corpo de Cristo se quereis viver do Espírito de Cristo. Somente o Corpo de Cristo vive de Seu Espírito”.

O Doutor Angélico, Santo Tomás de Aquino (1225-1274), afirmou: “O bem de Cristo é comunicado através dos sacramentos da Igreja”.

A grande mística e Doutora da Igreja Santa Catarina de Sena (1347-1380), disse de modo espetacular: “Tenho certeza de que quando eu morrer, a única causa de minha morte será meu amor pela Igreja”.

Uma dos maiores expressões e mais bela e magistral afirmação de amor a Santa Madre Igreja é a da Padroeira das Missões e Doutora da Igreja Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897): “Encontrei, enfim, minha vocação; minha vocação é o Amor!… Sim, encontrei meu lugar, oh meu Deus, fostes vós que me destes… No Coração da Igreja, minha mãe, serei Amor… Assim serei tudo… Assim será realizado o meu sonho!!! O menor movimento de puro Amor é mais útil à Igreja do que todos as outras obras juntas…”

As expressões abissais de amor dos santos à Santa Igreja de Deus, são para nós uma chamada ardente de entrega radical na caridade ao Corpo de Cristo. Amar a Igreja é a forma nítida de ser verdadeiros cristãos…

 

CONCLUSÃO

 

O Novo Testamento apresenta muitas imagens para descrever a Igreja: o templo de Deus (1 Co 3,16), o Corpo de Cristo (1 Cor 12,27), a família de Deus (Ef 2,19), a habitação de Deus em Espírito (Ef 2,22), a coluna e baluarte da verdade (1 Tm 3,15) e a Esposa de Cristo (Ef 5,25-32; Ap 19, 7-9).

Colossal é o mistério da Santa Igreja de Cristo. Há dois mil anos ela brilha mais do que o Sol é a sua brancura jamais é manchada pelas nódoas de alguns filhos atropelados pelo pecado.

Para Igreja não existe o tempo noctâmbulo e sim o Kairós do Cordeiro Imaculado (Ap. 22,5). Realmente, é grande a transcendência do Corpo Místico de Cristo! Compreender um pouco de tudo isso, só em estado de êxtase abissal. No entanto, cabe a cada cristão buscar com fervor a compreensão e a sabedoria da Igreja de Deus pelas três Colunas de Ouros desse grande edifício: A Sagrada Tradição, a Sagrada Escritura e o Sagrado Magistério.

A nossa brilhante missão é conhecer, amar, defender e morrer por amor pela Santa Igreja Católica: Corpo Místico de Cristo.


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