Formação

Amor que não se cansa de amar

comshalom

Leonardo Tertuliano
Membro do Projeto Juventude

 Uma vez, em uma dasreuniões da Comunidade, tivemos uma pregação sobre “Intimidade com Deus” dadapor uma consagrada da Comunidade Shalom. Lembro-me o quanto fiquei tocado comessa pregação. Nossa irmã de Comunidade nos falava de uma experiência que ela viveradurante uma confissão, na qual o padre e ela fizeram juntos uma releitura domomento em que Adãoe Eva pecaram e de como Deus reagiu naquela ocasião.

O padre a perguntou como ela imaginava a reação de Deus nojardim, depois de saber que Adão e Eva tinham pecado. Ela respondeu, se não mefalha a memória, que Deus teria entrado “chateado”, “triste”, porque eles Otinham desobedecido. Porém o padre respondeu que ela estava enganada.

Quando Deus apareceu no jardim, apareceu apressadamente,correndo, mas não “chateado” ou “triste” porque seus filhos haviam pecado. Esim, porque sabia que os seus amados filhos, criados à sua Imagem e Semelhança,estavam em perigo, por terem rompido com o Seu plano de Amor para eles, correupara socorrê-los. E qual foi a reação de Adão e Eva? Esconderam-se, achando queDeus ao entrar no jardim iria condená-los.

É assim também que muitas vezes reagimos ao pecarmos. Muitosde nós jovens ainda temos a imagem de Deus como um “castigador”, como um Deusdistante de nós, que está com um “caderninho” anotando tudo o que fazemos deerrado ou de certo. Um Deus que está bem no alto e nós, pobres pecadores, aquiembaixo, longe Dele.

Imaginando Deus como alguém distante ou “castigador”,acabamos por nos afastar ainda mais, pois pensamos que nunca iremos vencer osnossos pecados e, assim, não conseguiremos ser verdadeiros cristãos.

Como nos enganamos ao pensar assim! Como pecamos mais aindaao ver Deus dessa maneira. Deus não é e nunca será um Deus “castigador”. Ele éAMOR! Amor que não se cansa de amar. Ele não reage “chateado”, “triste” ou com“raiva” quando pecamos. Sua ação é a mesma de sempre desde quando Adão e Evapecaram. Quando caímos no pecado, a primeira reação de Deus é correr para juntode nós para nos ajudar a levantar e a vencer. Deus é amor, justiça e compaixão!

Na passagem do Filho Pródigo (Lucas 15,11-32), lemos sobreum jovem que optou por deixar a casa do pai para viver sua vida de maneiradesregrada e sobre um pai que, ao ver seu filho voltar arrependido de tudo oque fizera, corre para encontrá-lo e lhe dá um abraço (Lucas 15,20). E aindamais: ele dá para o seu filho novas vestes, novo anel, novas sandálias, mandamatar um novilho e fazer uma festa. Enfim, restaurou a dignidade do seu filho,pois o filho “estava morto e reviveu; estava perdido, e foi achado” (Lucas15,32).

Quanta ternura havia no coração desse pai! Quanto afeto poresse filho e quanta misericórdia! É possível imaginarmos, ao ler essa passagem,o pai dia após dia olhando a estrada, ao longe, com um olhar de esperança, deexpectativa, de saudade, de lembrança… É possível também imaginarmos o nossoPai do Céu a nos contemplar com esse mesmo olhar. Pai de Misericórdia!

Peçamos a graça de enxergarmos a Deus como o Pai que sempreama seu filho. Filhos que somos cada um de nós, individualmente. E assim comoEle corre para junto de nós quando caímos, também nós tenhamos o desejo decorrer para junto Dele e deixar que Ele, com seu amor, cure nossas feridas,dando-nos o abraço do perdão, as vestes e as sandálias de uma dignidade nova.

Corramos para o Senhor na Confissão, para que nosreconciliemos com Ele e recebamos todas as graças advindas da MisericórdiaPerfeita. Busquemos o nosso Deus Vivo, Ressuscitado, que nos salvou, presentena Eucaristia. Tenhamos a mesma atitude do filho pródigo, que não se escondeucomo Adão e Eva na sua situação de pecado, mas reconheceu quem ele era,necessitado do pai, do seu amor e humildemente voltou. O Pai, por sua vez, nosacolherá com alegria! Voltemos e juntos cantemos: “Queremos correr ao Teuencontro. Arrasta-nos Senhor! Inflama-nos de Amor”.


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