Shalom

Amou-os até a consumação

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“Jesus não se detém diante da rejeição e da ingratidão; mesmo sabendo da intenção de Judas, continua tentando dobrar seu coração com um ato de amor: oferece-lhe um pedaço de pão, serve àquele que está prestes a traí-Lo.”

O Amor que se oferece mesmo diante da traição

Neste Tríduo de preparação para a Morte e Ressurreição de Cristo, somos impelidos a meditar o amor de um Deus que se abaixa até nós e nos ama até o fim, até a última gota de sangue. Um amor que se revela através da misericórdia e nos convoca a multiplicar esses atos de compaixão para com os nossos irmãos. Voltando o olhar para a cena da Última Ceia de Nosso Senhor com seus apóstolos, podemos ver com nitidez essa misericórdia levada até as últimas consequências. Jesus não se detém diante da rejeição e da ingratidão; mesmo sabendo da intenção de Judas, continua tentando dobrar seu coração com um ato de amor: oferece-lhe um pedaço de pão, serve àquele que está prestes a traí-Lo. E mesmo diante desse Deus sedento por se unir a nós, dando Seu próprio Corpo e Sangue, Judas não se arrepende e permanece agarrado ao orgulho que o impede de se dobrar diante do amor de Deus. Esse apóstolo, que foi escolhido por amor como todos os outros e participou da intimidade do Mestre, recusa a iniciativa do Senhor ao arrependimento, pois não quer abrir mão de suas convicções, de suas ideologias políticas e de sua própria vontade. E assim também muitas vezes fazemos: ao nos prendermos às nossas vontades e convicções, deixamos de nos dobrar diante do Amor por orgulho e geramos morte ao nosso redor. Contudo, em nossa liberdade, sempre temos a opção de não deixar o mal ter a última palavra, pois Deus nunca deixa de fazer tudo para nos alcançar com Sua misericórdia.

 

A escolha pelo amor que gera Ressurreição

“Não seja o rancor a decidir o futuro”, ouvíamos na pregação da Sexta-feira Santa. É possível dobrar o orgulho e arrepender-se; é possível perdoar aqueles que nos ofendem e rejeitam. Ninguém pode nos tirar essa liberdade. Se pararmos de fugir do sofrimento, deixando Jesus ser nosso modelo não nos colocando mais como vítimas, mas nos entregando por amor veremos a vida nova brotar em nosso peito, gerando Ressurreição ao nosso redor. Quando saímos do nosso orgulho e nos colocamos com vulnerabilidade diante do outro, revelando nossas necessidades não com vitimismo, mas com humildade, abrimo-nos a esse amor que o Senhor nos ensina na Última Ceia. Precisamos do outro e precisamos nos deixar amar este é o mandamento que o Senhor nos dá. Contudo, é preciso estarmos preparados para as vezes em que não receberemos amor ao revelar nossa necessidade. Como Jesus que, ao dizer “tenho sede”, já pregado na Cruz, recebe vinagre. Ainda assim, não podemos nos fechar ao amor por causa das vezes em que não fomos acolhidos. É preciso manter sempre viva em nós a misericórdia de Jesus que reza: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”. E também conservar a esperança de que sempre há Alguém que pode nos ouvir o próprio Deus e jamais deixar de ir a Ele com um grito sincero de nossas necessidades, confiantes de que Ele tudo fará para nos amar.

 

Por Brenda Lippert


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