Eu me apaixonarei por um Homem que conhece meus caprichos e, sem que eu peça, cumpre os desejos mais escondidos do meu coração. Ele faz a minha vontade não porque seja servo das minhas exigências, mas porque antes mesmo de eu falar, já conhece meus anseios. Ele me olha, e só no Seu olhar já encontro aquilo que busco. Ele conhece minhas dores, minhas lutas, minhas quedas secretas, e mesmo assim decide-se por mim.
Sim, existe um Homem perfeito — feito para a mulher imperfeita que, pouco a pouco, se deixa amar. Porque o amor não começa na minha capacidade de amar, mas no meu abandono ao Amor que ousa me amar como sou. Como está escrito: “Nós amamos porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19).
Eu me apaixonarei por alguém de verdade
Por alguém que, mesmo quando parece ausente, deixa sinais da Sua presença. Seu silêncio se torna palavra, e o meu coração o percebe. Que importa se não O sinto? Que importa se meus sentidos se calam? O essencial é que Ele existe, Ele é real, e é capaz de fazer tudo por mim.
Esse Amor não me engana com histórias bonitas. Não é um amor que seduz e depois abandona. Está longe de ser apenas uma criação da minha cabeça. Ele me ensinou que a mística encarnada é real: que Deus não é uma ideia, mas presença viva; não é lembrança, mas encontro. Ele me prometeu vida em abundância (cf. Jo 10,10) e já me mostrou que posso viver de tal forma que os sonhos d’Ele se realizem em mim — porque eu sou o Seu sonho. Estou n’Ele, Ele está em mim, e isso basta.
Nunca estive tão segura do amor como quando deixei de buscá-lo em sentimentos passageiros. Nunca estive tão firme como quando deixei de buscá-lo em carícias que se desfazem. Nunca estive tão decidida como quando deixei de buscá-lo em vozes humanas que me chamavam, mas não sustentavam.
Um dia compreendi que era preciso deixar tudo, para que somente Ele fosse tudo em mim.
E então descobri o verdadeiro Amor
Aquele que não entende de desculpas, que não se limita ao tempo, que não mede noites nem dias. Um Amor que fala no silêncio, que fala na espera, que fala na fidelidade escondida do cotidiano. Santa Teresa de Jesus dizia: “Só Deus basta”. Sim, basta! O coração se aquieta quando entende isso.
E você? Como lhe falaram do amor? Que imagens plantaram em seu coração? Será que você acreditou na poesia de contos de fada? Será que esperou finais perfeitos? Será que já se deixou enganar por paixões que pareciam grandes, mas logo se tornaram pequenas?
Hoje eu te convido a ousar mais. A deixar-se seduzir pelo Amor verdadeiro: o único que não engana, que não desiste, que não trai.
O Amor que te leva aonde nunca imaginou, que te faz viver o impossível, que te olha e, sem palavras, te conduz ao infinito.
Apaixone-se pelo Amor
O Amor que não precisa provar nada e, ainda assim, prova tudo. O Amor que cria vida onde havia esterilidade. O Amor que permanece quando todos se vão. O Amor que não depende do que você sente, mas que transforma quem você é.
O Amor que se abaixa para te levantar, que se perde para te encontrar, que morre para te dar vida.
Esse Amor não cabe em definições. Ele se vive, não se explica. Ele é carne, é sangue, é entrega. Ele é um Deus que se fez próximo, que assumiu a nossa condição e, na cruz, gritou ao mundo: “Eu te amei com amor eterno” (cf. Jr 31,3).
É nesse Amor que descubro minha verdade. Porque amar não é apenas ter alguém ao lado, não é sentir emoções intensas, não é colecionar histórias.
Amar é deixar-se transformar pelo próprio Amor
É permitir que Deus habite as minhas fragilidades, que me envolva de tal modo que já não sei onde termina meu coração e começa o d’Ele. São João da Cruz recorda: “Ao entardecer da vida, seremos julgados pelo amor”. E é esse Amor que me julga não com dureza, mas com misericórdia.
Esse Amor não busca perfeição em mim, mas, ao me amar, me faz crescer. Esse Amor não exige máscaras, mas me convida à verdade.
Esse Amor não se escandaliza com a minha pequenez, mas nela revela Sua grandeza.
E quando contemplo esse Amor, percebo que não existe nada parecido
Nenhuma promessa humana se compara ao Deus que deu a vida por mim. Nenhuma paixão passageira pode competir com a paciência eterna d’Aquele que me espera todos os dias. Nenhum abraço terreno tem a mesma força do abraço d’Ele, que me envolve até na solidão.
Por isso, escolho me apaixonar todos os dias por esse Amor. Escolho viver como quem encontrou o tesouro escondido e não troca por nada (cf. Mt 13,44). Escolho ser a mulher imperfeita que se deixa amar pelo Homem perfeito. Escolho não perseguir ilusões, mas permanecer na verdade.
Apaixone-se pelo Amor. Deixe que Ele seja o primeiro e o último. Deixe que Ele seja aquele que molda sua espera, suas dores, seus dias. Deixe que Ele seja o sentido do que parecia vazio.
Permita-se ser olhado por Ele, e você nunca mais será a mesma pessoa. Porque quem é amado por Ele aprende a amar de verdade. E então, finalmente, você compreenderá: “No amor não há temor; ao contrário, o perfeito amor lança fora o temor” (1Jo 4,18).
Esse Amor tem um nome, tem um rosto, tem uma cruz. Esse Amor é JESUS.