Um, dois, três. Boom. Como um foguete, a Serpentina, o Confete e o Glitter foram lançados rumo ao alto, colorindo o céu, mas tendo como destino o chão. Sorrisos, risos e gargalhadas misturavam-se às músicas e às conversas do lugar que só prometia alegria. Era folia. Euforia.
No asfalto, o Glitter não parava de falar.
– Eu sou o destaque do Carnaval. Todos me amam. Todos me querem por perto. Eu estou na máscara da criança, na fantasia do folião, no rosto da sambista e em muitos outros lugares. Eu adoro quando me lançam para cima, pois me sinto ainda mais importante.
A Serpentina toda desenrolada disparou.
– Meu querido, se anime muito não, porque, quando a festa acabar, vamos todos para o lixão.
– Que conversa é essa?! Eu sou muito caro para ir para o lixo! Meu lugar é onde tem festa. Já o seu não posso dizer o mesmo. Inclusive, você só aparece nessa época. Diga-me para que serve você, Serpentina? Eu só vejo você sujar os ambientes.
Pouco tempo depois, o movimento acabou. A música parou. Os sorrisos, os risos e as gargalhadas se foram. Então, a limpeza começou. Ao varrerem o chão, o Glitter se juntou não só à Serpentina, mas também aos vestígios da promessa de alegria, cumprida em instantes de folia-euforia.
De longe, o Confete refletia sobre a situação. Ao ver o Glitter sofrendo por se misturar com os outros materiais, ele compreendia que o momento de prazer e de euforia fez com que o jovem brilhante não percebe a realidade ao seu redor. Como quem concluía uma história, o Confete declamou:
– Não podemos nos deixar levar pelo momento.
