Formação

Apóstolo São Tomé

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No dia Três de Julho toda a Igreja celebra a Festa do Apóstolo São Tomé. Sabemos que São Tomé foi um dos doze discípulos escolhidos por Jesus a segui-lo. Após a Paixão e morte de Jesus, em meio à tristeza e ao medo, os discípulos reunidos tiveram a grande graça de experimentar da presença do Cristo Ressuscitado. Porém, Tomé não estava entre eles, e disse que só acreditaria se ele mesmo o visse com os próprios olhos e se tocasse em suas chagas. E Deus por sua infinita misericórdia assim concedeu essa grande oportunidade.

Na figura desse Apóstolo, devemos avaliar como está a vivência da nossa fé. Nada foi por acaso, ou seja, o encontro com o incrédulo Tomé com o Ressuscitado revela a grande manifestação da Divina Providência de Deus, colaborando assim para que se existisse uma graça particular dada para nós pela incredulidade inicial de Tomé. Podemos citar a leitura Patrística para melhor compreendermos:

“Nada disso aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A clemência do alto agiu de modo admirável a fim de que, ao apalpar as chagas do corpo de seu mestre, aquele discípulo que duvidara curasse as chagas da nossa falta de fé. A incredulidade de Tomé foi mais proveitosa para a nossa fé do que a fé dos discípulos que acreditaram logo. Pois, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde apalpar o nosso espírito, pondo de lado toda a dúvida, confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e apalpou tornou-se testemunha da verdade da ressurreição” ( São Gregório Magno, Papa). 

Olhar para Tomé, na sua experiência com o Ressuscitado, é olhar para a mais autêntica da fé: O encontro com o Ressuscitado nos tira da obscuridade da fé para que possamos alcançar a mais perfeita fé, e assim dizer com uma mudança radical de vida: “Meu Senhor e meu Deus!”

Mas como podemos saber se estamos nas obscuridades da fé? O que do encontro de Tomé com o Ressuscitado pode nos ensinar e nortear a nossa fé? Primeiramente, devemos entender que a fé é a grande prova das realidades que não são vistas: “A fé é um modo de já possuir o que ainda se espera, a convicção acerca das realidades que não se vêem” (Hb 11, 1). Por isso, não podemos dizer que temos fé em algo que já vimos, mas sim daquilo que não vimos. Então, observando bem quando Jesus questiona a Tomé assim: “Acreditaste porque me viste?” é porque Tomé viu uma coisa e acreditou noutra, ou seja, ele viu a humanidade de Jesus e acreditou na divindade de Jesus, Conforme nos ensina São Gregório Magno, na mesma leitura Patrística citada acima.

Assim, Deus nos indica, no caminho peregrino da nossa existência, que devemos trilhar com passos firmes na fé, sem esmorecer, sem vacilar ou temer. Acreditar na realidade divina de Cristo, em meio às desesperanças e aos fracassos no qual nos faz sofrer. Deus quer provar a nossa fé, e é em meio às tribulações que devemos renovar a nossa confiança em Deus. 

O Papa Bento XVI lembrou que "o cristão de fé adulta e amadurecida não é o que segue as modas e as últimas novidades, mas sim aquele que vive profundamente enraizado na amizade com Cristo". Assim, lutar contra o modismo também é um aspecto decisivo para o amadurecimento da nossa fé.

Por fim, trilhar um caminho de fé experimentada nas nossas vidas requer um olhar puro e reconciliado com a Divina Providência, como bem ensina o Papa Bento XVI. “Aqui, como o apóstolo São Tomé, vocês recebem a oportunidade de “tocar” as realidades históricas que sublinharam nossa confissão de fé no Filho de Deus. Minha oração por vocês hoje é para que continuem, dia após dia, a “ver e acreditar” nos sinais da providência de Deus e infalível misericórdia, e a “tocar” as fontes de graça nos sacramentos, e encarnar para os outros sua promessa de novos tempos, de liberdade nascida do perdão, da luz interior e da paz que podem trazer cura e esperança para até mesmo as realidades humanas mais obscuras”.

Assim, o autêntico caminho da fé exige uma experiência verdadeira com o Ressuscitado, de forma pessoal e viva; não desacreditar e tirar os olhos de Deus em meio às tribulações das nossas vidas; um constante amadurecimento na amizade com Cristo. Sem esses passos a seguir, não a fé verdadeira, mas sim uma fé morta e inconsistente.


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