Neste dia 21 de setembro, 25º Domingo do Tempo Comum, a Palavra de Deus nos apresenta uma parábola intrigante: o Administrador Infiel (Lc 16,1-13). À primeira vista, pode causar estranheza que alguém desonesto seja elogiado por sua esperteza. Mas a riqueza dessa passagem vai muito além de uma questão moral, pois ela nos provoca a refletir sobre a nossa vida, a administração dos dons recebidos e, sobretudo, a urgência da conversão.
A seguir, vamos percorrer sete pontos que comentamos no nosso podcast sobre o Evangelho dominical no canal do YouTube “@FelizesOsQueOuvem”, e que podem ajudar a iluminar o nosso caminho de oração com a Palavra de Deus. Primeiro partilharemos os pontos e depois algumas propostas para a sua oração com eles.
- O Administrador
Jesus fala de um homem rico que tinha um administrador o qual era responsável por gerir (administrar) os seus bens. Esse detalhe já nos coloca diante de uma verdade: não somos donos de coisa alguma, mas administradores daquilo que Deus nos confia, seja o tempo, os dons, a família ou a vida. São Paulo nos recorda: “Portanto, considerem-nos os homens como servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus. Ora, o que se requer dos administradores é que cada um seja fiel.” (1Cor 4,1-2). Nossa vocação é viver essa fidelidade.
- Esbanjar
Esse administrador fora acusado de esbanjar os bens do seu senhor. A palavra evoca desperdício, descuido com o que é precioso. E nós? Quantas vezes esbanjamos o tempo, os dons, a própria vida em coisas sem valor? Aqui cabe a memória citada no podcast, de São Carlo Acutis: “Eu agradeço a Deus porque estou terminando a minha vida sem a ter gastado com nada que não valesse a pena.” Essa é a medida: gastar a vida no que realmente vale aos olhos de Deus.
- Prestar contas
O senhor então pediu ao administrador: “Presta contas da tua administração.” (v. 2c). Essa cena aponta para o juízo em que um dia todos nós prestaremos contas da nossa vida diante de Deus. A vida não é um jogo sem consequências. Há um Senhor que nos confiou dons e talentos e pedirá contas do que fizemos com eles. Hoje ainda estamos no tempo de misericórdia, mas um dia estaremos diante de Deus e o que apresentaremos?
- A reflexão e a ação
Diante da crise, o administrador começou a refletir (v. 3). Talvez nunca tivesse feito isso antes, porém a urgência da situação o levou a parar e pensar. “Antes tarde do que nunca”. Cada noite temos a oportunidade de refletir sobre o dia que passou, de fazer um exame de consciência e nos examinar à luz de Deus. O dia seguinte será assim um tempo de recomeço, de nova chance de amar aqueles que o Senhor nos der. E suas reflexões o levaram a ações concretas.
- A esperteza
O senhor do administrador então o elogia pela esperteza, não pela desonestidade. E Jesus conclui: “Os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz.” (v. 8b). Isso deve nos questionar: Será que colocamos o mesmo empenho para as coisas do Reino de Deus quanto para as coisas deste mundo? Onde está a nossa astúcia para amar, evangelizar e fazer o bem? Os santos (pense, por exemplo, em Santa Teresa de Jesus, São Felipe Neri, São João Bosco) souberam ser “espertos” para Deus, usando inteligência e criatividade para salvar muitas almas.
- A fidelidade no pouco
“Quem é fiel nas pequenas coisas também é fiel nas grandes”. A santidade se constrói nas pequenas coisas: na palavra dita com carinho, na paciência em família, na honestidade em pequenas escolhas. Se somos fiéis no ordinário, Deus nos confiará o extraordinário. Se não cuidamos do pouco, como poderemos cuidar do muito? A fidelidade diária é o caminho da verdadeira grandeza.
- A quem quereis servir?
Por fim, Jesus coloca uma questão decisiva: “Ninguém pode servir a dois senhores… Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.” (v. 13). Aqui está o ponto principal: quem governa a minha vida? Quem ocupa o centro do meu coração? O dinheiro (Mamom) pode virar um ídolo a quem adoramos e vivemos em função dele. Só Deus deve ser Senhor. A pergunta que ecoa é: Quem é Aquele que eu sirvo?
Conclusão
Essa parábola é um chamado à decisão. Não podemos adiar indefinidamente a conversão, como quem espera o último minuto para se confessar. Ninguém tem garantias do amanhã. O tempo é agora. O hoje é o dia favorável, dia de salvação (cf. 2Cor 6,2).
Perguntas para a sua oração que brotam desses pontos:
- Como você tem administrado os bens e talentos que Deus lhe confiou? Você tem sido fiel?
- Como está sua vida de intimidade com Deus. Você tem tido seus momentos “às sós” com Ele para refletir e rezar? Você os prioriza na sua agenda diária?
- Onde está sua confiança, em Deus ou em você mesmo? Você se serve do dinheiro ou serve a ele? Quem é o Senhor da sua vida?
Passos da Lectio Divina
- Leitura (lectio): Leia com atenção Lucas 16,1-13.
- Meditação (meditatio): Reflita sobre um ou mais dos sete pontos: como estou administrando os bens que Deus me confiou? Tenho esbanjado ou vivido com fidelidade? Sou esperto nas coisas de Deus? A quem sirvo?
- Oração (oratio): Fale com o Senhor sobre suas falhas e agradeça os dons. Peça a graça da fidelidade no pouco.
- Contemplação (contemplatio): Permaneça em silêncio, deixando que a Palavra revele quem é o verdadeiro Senhor de sua vida.
- Ação (actio): Tome uma decisão concreta nesta semana: um gesto de fidelidade, de generosidade ou de desprendimento que manifeste que Deus é o centro do seu coração.
Até a próxima semana! Shalom!
José Ricardo Bezerra