Entrevista de Adriane Valente, Comunidade de Aliança
No julho da Paz, aniversário de 41 anos da Comunidade Católica Shalom, a Missão de Santo André celebra a vocação com uma entrevista mais que especial da consagrada Adriane Valente, com promessas definitivas na Comunidade de Aliança. Acompanhe abaixo os relatos e testemunho da nossa irmã, que compartilha conosco suas experiências na vocação.
Quais os fatos mais marcantes da sua consagração na Comunidade de Aliança?
Acredito que a consagração em si, a preparação para esse momento, quando está para ter a missa e você vai se arrumando. Passa um filme na cabeça… o vocacional, o postulantado, o discipulado… Você vai dando “sim’s” até chegar a consagração.
As minhas primeiras promessas foram ainda mais fortes para mim porque ocorreram com a viagem agendada para o Reconhecimento Pontifício definitivo da Comunidade, em 2012. Fui à Roma como consagrada, unida à Missão, no meio da convenção.
Já foi em missão alguma vez? Como foi?
Em Roma, nessa mesma época, eu senti o chamado para ir em missão. A partir dali eu já sabia que ia ser algo rápido porque, acho que quando Deus chama, Ele prepara.
Então a Comunidade, através da assessoria missionária, fez o convite para eu ir em missão.
Assim que eu cheguei, tinha tanta certeza que ia ser rápido que eu fui pagando tudo, resolvendo a vida, e foi muito breve mesmo. Em poucos dias então fui em missão para o Rio de Janeiro nos preparativos da Jornada Mundial da Juventude em 2013, que foi uma experiência vocacional. Na Jornada, como vinha muita gente de outras paróquias, então se via a realidade de muitas delas. Esse foi um momento muito forte de me sentir Igreja. Tive também oportunidade de conhecer o Papa Francisco.
Qual a evangelização que você mais gosta de recordar como Comunidade de Aliança?
A evangelização que eu mais gosto de recordar como comunidade está ligada às Artes. Sempre fui envolvida com esse ministério. Apresentamos o espetáculo “O Canto das Írias”, que a gente fez como se fosse uma turnê num mês inteiro no Teatro Bibi Ferreira, em São Paulo.
Havia uma senhora que foi logo na primeira e ficou encantada. O “Canto das Írias” é um espetáculo querigmático que fala muito profundo ao coração de todos que o assistem. E essa mulher ficou tão encantada, tão maravilhada! Então eu disse assim a ela: “Olha esse é o seu convite, traga os seus amigos”. Ela foi o mês inteiro ao espetáculo, e a cada apresentação ela mudava um pouco. Deus é sempre atual e falava com ela de forma nova a cada dia.
Até os amigos! Ela realmente levou pessoas diferentes e todos eles saíram maravilhados também.
Conte um pouco sobre as graças e desafios que valem a pena compartilhar.
As graças, eu acredito que são as mudanças: como você era antes, e como você está agora. Não tem como isso não acontecer… as reciclagens, as orações, adorações, evangelizações, você muda!
Outra graça também foi oportunidade de ir a Roma. Para mim são recordações eternas que eu guardo na memória e no coração…Também ver os irmãos e irmãs crescendo, se tornando homens e mulheres maduros, seguindo o caminho de Deus. Isso também é uma grande graça.
Sobre os desafios… a fidelidade. Você conseguir ser fiel a tudo é um desafio muito grande e é uma graça também. Quando eu comecei o meu vocacional, fazíamos em Santo Amaro, muito distante, dependia de carona, foi um desafio.
Outro ponto importante foi na Comunidade de Vida, quando estive em missão. Foi desafiante viver diariamente uma forma de vida na qual não sou chamada a viver.
Como é para você vivenciar o “para sempre” dos definitivos? Algum conselho para quem está neste caminho de discernimento?
Vivenciar o “Para Sempre” é uma graça, outra resposta na qual Deus vai resgatando muitas coisas que foram ditas no vocacional, que ficam ali meio que perdidas no meio desse trajeto todo. O Senhor vai falando de uma forma mais clara, eu acho que por estarmos mais maduros.
Um conselho que dou é este: pessoas vêm e vão, autoridades vêm e vão. Se você não tiver o olhar fixo n’Aquele que te chamou, fixo no que você tem que viver, você acaba se perdendo.
É aquela velha história dos cachorros que correm atrás da lebre. Você precisa olhar a lebre porque, se você vai no embalo só dos cachorros, acaba se cansando, pois você perde o sentido e já não sabe mais a razão de estar correndo.
Então mantenha o olhar fixo em quem te chamou.

