“Atrairei todos a mim” (Jo 12, 32): essas palavras de Jesus expressam o imenso desejo do seu coração — que todos conheçam a Verdade, experimentem o Amor e provem do Céu, da Vida Eterna.
Antes mesmo da chegada de missionários estrangeiros à Coreia, o Senhor já atraía muitos a Si por meio da Palavra, despertando em muitos corações a fé.
O vento sopra onde quer
Onde há um coração aberto, o Espírito Santo encontra espaço para agir. Ele é o primeiro missionário. Mesmo em uma terra sem igrejas visíveis, mergulhada no silêncio e onde o nome de Cristo era totalmente desconhecido, o Espírito encontrou corações ansiosos pela Verdade — e, assim, realizou maravilhas.
No século XVII, alguns estudiosos coreanos, atraídos pela sabedoria de livros vindos da China, descobriram o Cristianismo através de textos católicos traduzidos. A partir desse encontro com a Verdade, a fé nasceu em seus corações. Embora não tivessem sacerdotes, sacramentos e nem estruturas eclesiais, começaram a viver o Evangelho a partir do que liam. Entre si, eles transmitiam a fé recebida, e assim, muitos foram sendo atraídos a Cristo.
A fé que floresce no cotidiano
À medida que cresciam na fé, surgiu entre aqueles estudantes o desejo de receber o batismo. Na ausência de sacerdotes, eles mesmos se batizavam e transmitiam, com fidelidade, a fé que recebiam.
Nas casas, nas famílias, entre os amigos e nas pequenas comunidades onde viviam, anunciava-se a Boa-Nova. Desse modo, nasceram os primeiros núcleos cristãos.
Eles reuniam-se para rezar, partilhar, ler as Escrituras. Dessa maneira, como um só povo, cresciam no conhecimento de Deus e no Amor.
Quando o padre Zhou Wenmo, um dos primeiros missionários chineses a chegar clandestinamente à Coreia, encontrou o povo, ficou admirado: havia ali uma comunidade viva, corações fervorosos, sedentos da Verdade e centenas de batizados.
André Kim Taegon — o primeiro sacerdote coreano
Entre os primeiros cristãos estava André Kim, um jovem apaixonado por Deus. Sentindo-se chamado ao sacerdócio, partiu para a China, onde foi ordenado. Após sua ordenação, voltou à Coreia de forma clandestina, consciente de que seria perseguido, pois o Cristianismo era visto como ameaça ao poder e às tradições locais.
Mas o amor e o desejo de cuidar do seu povo o levaram a entregar tudo, até o sangue, se fosse preciso.
Seguiu os passos de seu Mestre: fez-se servo, serviu com alegria e generosidade, anunciou o Evangelho a muitos corações. Mesmo diante da prisão, da tortura e da morte, escolheu tomar a cruz e seguir Cristo.
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos” (Jo 15, 13).
Essas palavras se cumpriram em André Kim. Em 1846, aos 25 anos, foi preso, torturado e decapitado. Antes de morrer, declarou com serenidade:
“Agora que estou perto da morte, não a temo. É por Deus que morro. A minha vida não acaba, ela começa.”
Seu martírio converteu a muitos: ao verem a paz com que ele partia, muitos aderiram à Fé.
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Sua vida foi uma Eucaristia — um pão partido, oferecido para que outros pudessem provar a fé. Na sua entrega, compreendemos que a missão se cumpre quando o missionário “desaparece” e Cristo “permanece”.
“Felizes os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 10)
Junto com André Kim Taegon, inúmeros leigos foram martirizados: homens e mulheres, pais e mães, jovens, catequistas, anciãos — todos movidos por um amor incondicional a Cristo, entregaram as suas vidas por inteiro a Deus.
Eles não morreram por uma ideologia, mas por amor. No coração de cada um havia uma certeza: o Céu.
O sangue desses mártires foi como ‘o grão de trigo que cai na terra e morre para dar muitos frutos.’ Se hoje a Igreja floresce no Oriente, é porque o martírio dos primeiros cristãos coreanos fecundou aquelas terras.
Em meio às trevas, eles foram grandes luzeiros que conduziram muitos a Cristo – o Caminho, a Verdade e a Vida. A semente da fé cresceu regada pelo sangue dos justos. Hoje vemos uma Coreia cristã — sede da próxima Jornada Mundial da Juventude (2027) — viva, fiel e missionária: fruto maduro dessas sementes lançadas no escondimento.
Nada poderá nos separar do Amor de Deus
O testemunho dos mártires coreanos nos ensina que a fé é, antes de tudo, um ato de amor. Mesmo diante das perseguições, desafios e lutas, quem vive o Evangelho radicalmente experimenta esta verdade: o Amor vence tudo e permanece para sempre.
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O COMSHALOM lançou nesse mês missionário uma página especial “Nascemos para missão”. Nela, você poderá saber mais informações sobre a campanha missionária da Comunidade Shalom, conhecer testemunhos de jovens que partiram em missão e descobrir como você também pode fazer essa experiência de oferta e evangelização.
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