Formação

Basta uma música

comshalom

musica-texteira

Todo artista tem uma relação peculiar com a Beleza, já nos dizia S. João Paulo II.

O músico, além da Beleza, tem essa estreita proximidade também com o coração e a vida do homem, de qualquer idade e lugar.

Aliás, a música invade qualquer momento da vida, sempre tem lugar pra ela. Não sei na família de vocês, mas na minha família tudo, absolutamente tudo, termina em música: vai lavar louça? música! vai fazer o almoço? música! fazer a faxina da casa, tem o que? música, claro… churrasco, sono, lavar o carro, tomar banho, descansar, viajar, e etc, etc, etc… termina em que??? Música!

Para qualquer ocasião, tem “aquela” playlist legal, super bem selecionada, e pra agradar o gosto de cada freguês… hehehe…

E o bom é que pra celebrar qualquer situação da vida, feliz ou triste, a gente pode contar com ela… E ela tem um jeito todo próprio de entrar, ficar e celebrar.

A música, por si só, tem o poder de “dizer sem dizer” e alcançar os recônditos mais profundos da alma humana. Diria até, que em alguns momentos, ela nos deixa vulneráveis, conseguindo tocar nossas fragilidades ou dores que tentamos esconder de nós mesmos. Mas se letra e melodia estiverem à serviço da Beleza, da Verdade e do Amor, que se supõe, a música não só nos deixa frágeis, mas tem um altíssimo poder de nos transformar. E ao contrário do que muita gente pensa, isso vale pra música secular também. Não raramente, elas são escritas após profundos momentos de reflexão, dor, perdas ou alegrias, constatação de uma dura realidade ou um grande desejo de mudança, e a única maneira que o músico encontrou para expressar ou transmitir o vivido, foi compondo, causando nos ouvintes a mesma experiência que viveram, ou a “simples” experiência com a vida.

Inúmeras vezes vivi a experiência de ver meu coração desejoso de conversão após ouvir uma música de letra simples, melodia bela, instrumentos bem tocados, que me levaram ao encontro com Deus, que colocaram louvor nos meus lábios e súplica por vida nova. Quantas vezes não fui às lágrimas por causa de um violão que tocou uns acordes num perfeição “horrível”, rsrs…

Quantas e quantas vezes, por pura graça e misericórdia de Deus, escuto testemunhos de pessoas que ao me ouvirem cantar também puderam fazer a mesma experiência, ou tiveram seus corações curados, viram em seu interior um renovado desejo de amar a Deus, de serem pessoas melhores. Isso sempre me traz uma profunda gratidão a Deus, que me deu a graça de descobrir que o dom que Ele me deu precisa e deve ser colocado à serviço do Seu Reino e da transformação e santificação das pessoas.

Toda música, querendo ou não, tendo essa intenção direta ou não, está à serviço do Belo, e consequentemente, à serviço do homem, e precisa fazer com que esse mesmo homem, ao ter contato com ela, transcenda e chegue ao Belo, que é o próprio Deus. E nós, músicos, precisamos crescer sempre mais na consciência de que a nossa música não pode ser mero instrumento de entretenimento momentâneo para as pessoas, mas deve levá-la à essa experiência de amor e comunhão com Deus e uns com os outros.

Nunca me esqueci de uma frase que ouvi quando fui consultar um músico muitíssimo experiente e de muita oração a cerca de uma música que deveria escolher para um determinado momento  num evento da Comunidade: “Débora, lembre sempre que quando você for escolher uma música, ela deve ser uma palavra de ciência ou de sabedoria, que deve entrar como uma flecha no coração das pessoas, e ser instrumento de cura e conversão pra elas!” Isso mudou completamente a maneira de enxergar e viver meu serviço como ministra de música. Nunca mais escolhi uma música pra uma oração comunitária, por exemplo, da mesma maneira que antes.

E aqui, uma pergunta: Sua vida, com sua música e arte, tem sido instrumento de transformação, sua e dos outros? Como você tem levado as pessoas à transcendência com o que você canta, compõe, toca, produz?

A você, querido músico, cantor, instrumentista, arranjador ou produtor, fica meu pedido: que você, com sua música cresça sempre mais na capacidade e potência de “dizer sem dizer” que a vida pode ser melhor, que os dias podem ser melhores, mais belos, que ainda há esperança pronta para nos pôr em movimento e nos fazer viver uma vida cheia de sentido. E às vezes, pra isso acontecer, basta uma música.

Santa Cecília, rogai por nós!

Débora Pires

Missionário Shalom


Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade dos autores e não representam a opinião da Comunidade Shalom. É proibido inserir comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem os direitos dos outros. Os editores podem retirar sem aviso prévio os comentários que não cumprirem os critérios estabelecidos neste aviso ou que estejam fora do tema.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *.

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *