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Beatos Monges de Tibhirine: o Amor que Permanece na missão

Sete monges trapistas escolheram permanecer com seus irmãos muçulmanos em meio à guerra civil na Argélia. Descubra, no testemunho de Dom Christian e seus companheiros, a força de uma missionariedade vivida até o fim — o amor que vence o medo.

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Os monges de Tibhirine e Georges Guillemin

Talvez você já tenha escutado falar dos 7 monges de Tibhirine, também conhecidos como monges trapistas — Padre Christian De Chergé, Irmão Lucas e Michel, Padre Christophe e Bruno, Padre Célestin e Irmão Paulo —, que escolheram permanecer em uma Argélia marcada severamente pela violência, testemunhando a possibilidade de um diálogo com os muçulmanos.

Eles fizeram-se eco vivo das palavras dos Evangelhos: amou-os até o fim! (Jo 13,1); Ninguém tira a minha vida, mas eu a dou livremente! (Jo 10,18)

Em meio à Guerra, eles escolheram permanecer

Por volta de 1990, diante da situação de deterioração da Argélia, emergiu a ascensão política de um islamismo rigoroso que se oferecia como solução para todos os problemas. Em 1992, um golpe de Estado anulou as eleições e acendeu o estopim de uma guerra civil. Grupos extremistas, como o GIA (Grupo Islâmico Armado), espalharam o terror pelo país.

Muitos civis foram atacados nos conflitos e os estrangeiros residentes no país foram aconselhados a deixá-lo.

Em meio a essa situação de um perigo de morte iminente, os setes monges trapistas, do Mosteiro de Tibhirine, escolheram PERMANECER entre os seus irmãos muçulmanos.

Era legítimo ir embora, deixar o país naquela situação, mas permanecer tornou-se a única opção para aqueles corações que desejavam ardentemente anunciar o Evangelho. Eles eram para aquele povo uma Presença — um “sinal nas montanhas”.

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Uma presença silenciosa e escondida, mas profundamente fecunda

O mosteiro era refúgio, ponte e casa comum. Ali, os monges plantavam, rezavam, cuidavam e partilhavam. A evangelização acontecia na simplicidade: um remédio oferecido, uma escuta atenta, um sorriso de acolhida. Era uma evangelização de presença, onde o amor falava mais alto que qualquer palavra.

No encontro, acontecia verdadeiramente a missão. Os monges entenderam que não eram meros estrangeiros em terras alheias, mas um “irmão entre os irmãos”. Não eram convidados, mas amigos!

Eles tinham plena consciência da sua oferta de vida. Fizera-se dom. Compreenderam que a missão sintetizava-se em uma Palavra — Amor.

O mosteiro era uma ponte entre dois mundos

Em Tibhirine, o cotidiano era missão. O encontro com os muçulmanos tornava-se um verdadeiro diálogo de fé. Os monges compreenderam que a missão não é converter, mas comungar; não é conquistar, mas estar.

Dom Christian, prior do mosteiro, amava profundamente o país e o povo argelino. Via na amizade com o diferente um reflexo do amor de Cristo. Em seu testamento espiritual, ele escreveu:

“Se um dia me acontecer — e esse dia pode ser hoje — de ser vítima do terrorismo que parece querer englobar agora todos os estrangeiros que vivem na Argélia, gostaria que minha comunidade, minha igreja e minha família se lembrassem que MINHA VIDA FOI DADA A DEUS E A ESTE PAÍS.”

Seu coração, profundamente missionário, não via fronteiras entre o amor de Cristo e o amor aos seus irmãos muçulmanos. Em meio ao medo e à violência, ele escolheu ver pontes, não muros.

O Amor supera todo temor

O clima era de tensão. Muitos estrangeiros que residiam na Argélia resolveram deixar o país. A ameaça de morte, aos ditos “infiéis” pelos grupos extremistas, era constante.

Mas, os Monges Trapistas, escolheram permanecer. Pois, ‘o Amor lançou para fora todo o temor’(1Jo 4,18) e fez-lhes, com coragem, abraçar até às últimas consequências a missão que o Senhor lhes confiara.

Eles sabiam que a sua missão era, primeiramente, amar. Desse modo, eles movidos pela fé escolheram está com o seu povo, em meio a guerra e no sofrimento, sendo um ‘sinal de Deus’ onde o Amor parecia impossível.

A Esperança que não morre 

Os Monges, faziam do Evangelho a sua regra de vida! Eles compreenderam que ser missionário era tornar-se amor, ser o rosto de Cristo, converter não por Palavras, mas com o testemunho da vida. Era trilhar um caminho de Cruz, na certeza da Ressurreição.

Nos seus corações, eles nutriam a Esperança do Encontro. Então, sabendo da iminente possibilidade do martírio, Dom Christian escreveu uma das páginas mais belas da espiritualidade missionária:

“E essa fidelidade me permite esperar que, se Deus quiser, eu possa mergulhar o meu olhar no olhar do Pai para contemplar com Ele Seus filhos do Islã, iluminados pela glória de Cristo, frutos do Seu Espírito.”

Ele desejava encontrar no Céu seus amigos muçulmanos, sendo eles filhos do mesmo Deus.

Amou-os até o fim!

Diante das ameaças e prevendo uma morte violenta, ele escreveu que seu coração permanecia em Paz, aberto até mesmo ao seu assassino. Nele, não havia ressentimento algum, mas apenas amor e perdão.

“E a você também, amigo do último instante, que não sabe o que faz…
Sim, também por você eu quero dizer ‘obrigado’ e ‘adeus’.
E que Deus de todos nós nos conceda de nos encontrarmos, ladrões felizes, no Paraíso, se assim for do agrado do Pai. Amém! Inshallah!”

Como o próprio Cristo, no alto da Cruz, ele foi capaz de amar até as últimas consequências aquele que tiraria a sua vida.

“O Sangue dos Mártires é semente de novos cristãos.” 

O que há muito era temido, sofrido, preparado e aceito, então aconteceu. Na noite de 26 para 27 de março de 1996, os sete irmãos de Tibhirine foram sequestrados. Meses depois, soube-se que haviam sido assassinados. As circunstâncias permanecem obscuras. Mas uma coisa é certa: sua morte não foi o fim, e sim semente.

Suas vidas ecoaram como um grande brado de Paz em tempos tão marcados por divisões e intolerâncias.

Eles foram fiéis a Deus, à Igreja da Argélia e ao seu voto de permanecer até o fim; eles escolheram ficar e compartilhar o destino do seu País doente e corrupta, auxiliando os últimos, os pobres e os doentes, na esperança de um futuro mais límpido e fraterno;

Os monges amaram até o último sinal, como Cristo, seus vizinhos, as pessoas humildes da localidade, os camponeses de Tibhirine, que estavam em perigo, oferecendo-lhes amizade sincera.

Foi-lhes concedido testemunhar o absoluto de Deus e a possibilidade de amar sem limites através do dom supremo, livre e total de suas vidas.

O Papa Francisco, na beatificação dos sete monges em 2018, afirmou que eles são para nós “testemunhas da fraternidade até o martírio.”

Permanecer onde o Amor parece impossível

A história dos monges de Tibririne não é um mero acontecimento trágico, mas é uma parábola viva do Evangelho no solo Africano. Eles nos ensinaram que ser missionário não é somente “partir”, mas também “ficar”.

Em meio as guerras, a violência, ao medo, ao ódio e as tensões, o mosteiro foi um sinal de Paz, uma presença de Cristo onde Ele parecia ausente.

Os monges nos ensinam que a missão não é conquista, mas comunhão. E, por meio do diálogo, que respeita e escuta, é possível anunciar a Boa nova.

Ser missionário, como podemos ver, não é um chamado a ser herói, mas a Fidelidade, a Presença, a Escuta, ao Diálogo, a Fraternidade, a Amizade, ao Amor. É viver o Evangelho com a própria vida, até o fim.

No seu testamento, Dom Cristian, encerra-o com suas palavras que resumem toda a sua vida missionária:

“Amém. Inshallah.”
(Assim seja. Se Deus quiser.)

Quer saber mais sobre a vida missionária?

O COMSHALOM lançou nesse mês missionário uma página especial “Nascemos para missão”. Nela, você poderá saber mais informações sobre a campanha missionária da Comunidade Shalom, conhecer testemunhos de jovens que partiram em missão e descobrir como você também pode fazer essa experiência de oferta e evangelização.

Acesse: comshalom.org/missao

página da comunidade shalom sobre a campanha missionária nascemos para a missão


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