Espaço temático do Festival Halleluya mostra as inúmeras faces e formas do amor de Deus
O Beco do Rolê, que traz fortes referências da cultura paulistana, já se tornou tradição nas edições do Halleluya São Paulo. E surpreende principalmente aqueles que ainda estão acostumados com o conservadorismo da Igreja.
“Cara, tem Jesus para todos”
Ao se depararem com um ambiente despojado, com decorações em grafite, hip hop, rap e DJ, muitos descobrem que é possível amar a Deus e levar Sua Palavra ao mundo de diversas maneiras. “Quando ele viu os meninos andando de skate e o pessoal cantando rap, ele falou ‘cara, tem Jesus para todos’”, diz Diego, da caravana de Taubaté em referência a um garoto que participou do Halleluya pela primeira vez e ficou admirado com o Beco do Rolê.
Letícia, 25, da caravana de Bragança Paulista, coordena um grupo de jovens em início de caminhada e expressa um sentimento de alegria por testemunhar a experiência de fé que o grupo teve através do Beco do Rolê. Grupo este, que segundo ela, era fragilizado emocionalmente e espiritualmente. “Eu me lembro quando eu tive o primeiro contato com esse amor de Deus, com esse amor de Jesus, quando eu tive o meu resgate de salvação. E ver eles nesse processo, participando e ajudando, é muito gratificante’, diz Letícia, que também ressalta o importante papel do Beco do Rolê, como um espaço para os jovens mostrarem seus dons e se colocarem a serviço da Igreja.
RAP: um som que evangeliza
O grupo Aliança VMS (Virgem Maria Santíssima), foi a principal atração do Beco do Rolê. E através do rap, agitou uma multidão com batidas e rimas que refletiam temas como amor e fé.
“Muitas pessoas que estiveram aqui não sabiam que existia rap na Igreja, não sabiam que tinha grupo de rap na Comunidade Shalom”
Segundo Marcelo Cunha, um dos fundadores do VMS, muitas pessoas que passaram pelo Beco, não sabiam que existia rap na Comunidade Católica Shalom, para ele isso mostra aos jovens que existem outras maneiras para despertar o chamado de Deus. “A gente vai vendo que o Espírito Santo, Ele é sempre novo, então Ele vai nos dando abertura de como eu posso evangelizar? Quais maneiras que eu preciso alcançar o nosso povo?” diz Marcelo.
Além da participação no Beco do Rolê, o grupo, formado por jovens da Missão Shalom de Santo Amaro, também se apresentou no palco principal. E uma das novidades que o VMS trouxe para este ano, foi o novo hit “Voltei” que está disponível em várias plataformas de streaming. Para Marcelo, a nova música vai muito além do propósito de revolucionar. “A gente foi abordando algumas coisas que tava rolando na atualidade, como pandemia, a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. E usar o rap pra gerar uma esperança nas pessoas”, destaca Marcelo.
Batalha no Beco
O comando da Batalha de Conhecimento, também ficou por conta do grupo Aliança VMS, que nesta edição contou com 18 inscrições. Em cada rodada, os competidores tinham o desafio de rimar sobre um determinado tema, como cultura, salvação, anjos, oração e muitos outros.
Alisson, 17, mais conhecido como MC Tralha, participou da competição pela primeira vez e ressaltou a importância do evento na visibilidade ao rap e ao hip- hop, destacando o papel democrático que eles desempenham na sociedade. “Acho incrível porque o hip hop ele é uma cultura para todo mundo, muita gente com certeza depois que sair daqui vai sei lá querer rimar, acompanhar a batalha de rima”, diz.
“É meio que o papel do missionário, ele é um infiltrado em todos os cantos”
Dessa vez Alisson conseguiu chegar apenas na semifinal. A vencedora da edição deste ano foi Isabela,28, discípula da Comunidade de Aliança de Santo Amaro, que também participou pela primeira vez. Segundo ela, a Batalha de Rimas é a oportunidade de expressar a evangelização através da arte, sendo também um espaço para pôr em prática sua vida de missão. “É meio que o papel do missionário, ele é um infiltrado em todos os cantos,” diz Isabela.
Por
Tainá Oliveira


