O Bendita Leitura de hoje traz uma dica não só de um livro, mas o seu conteúdo é um conselho utilíssimo para a vida. Trata-se de A constância, de Dom Rafael Cifuentes.
De fato, os maiores fracassos e frustrações na vida moderna se dão, muitas vezes, pela falta de constância de certas pessoas. No primeiro desafio enfrentado, muitos tendem a desistir ou mesmo a perder o sabor pela caminhada. E por que não há constância? Segundo o autor, não há constância sem ideal, mas também o ideal não se realiza sem a constância: “Quando um navio é fiel à sua rota – quando é constante – avança, chega ao porto de destino. Quando não o é, detem-se ou gira sem rumo, esterilmente”.
Da mesma forma, o homem necessita de um ideal que o faça seguir uma rota certa, sem desvios ou desviando o mínimo possível e, para isso, precisa da constância, essa virtude que o retira do imobilismo e o faz desejar sempre seguir em frente. A constância é o que possibilita perseguir o ideal e perseverar nessa busca, seja quão desafiante for. E qual seria, para os cristãos, esse ideal a ser buscado com tanta constância e perseverança? Não é outro, a não ser Jesus Cristo: “A vida de Cristo apresenta-se-nos como um ideal divino e humano que – quando conhecido em seu autêntico significado – faz vibrar o coração nas suas fibras mais íntimas, tornando-se a motivação vital e o modelo perfeito da perseverança”. Além de ideal a ser buscado, a vida de Jesus é também o modelo para perseverar até o fim nessa meta.
Nesse caminho, que vamos chamar de processo de conversão ou santificação, no entanto, podemos nos deparar com algumas situações que geram o desânimo ou a inconstância, pois a caminhada é longa e demorada, é trabalho para uma vida inteira. Assim, o autor nos indica que precisamos conhecer, reconhecer em nós e superar alguns elementos que podem nos levar à inconstância, tais como: controlar o temperamento, vencer más inclinações, costumes e hábitos, lutar contra a vaidade e o orgulho, superar a tentação de fazer somente o que nos agrada, vencer a preguiça pela diligência e laboriosidade, por fim, ultrapassar os obstáculos com espírito esportivo, com aquela vontade que os atletas possuem e que os faz vencer os desafios que apontam para a grande verdade de que a vida não é fácil e, portanto, precisamos lutar para superar toda oposição que se levanta contra nós, ainda mais quando diz respeito à meta fundamental nossa vida: a vida de Cristo:
“Não sabeis que, nas corridas do estádio, todos correm mas um só recebe o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis! Todos os atletas impõem-se uma rigorosa abstinência: e eles o fazem para conseguir uma coroa corruptível. Nós, porém, esperamos uma eterna. Eu, portanto, corro, não como quem corre na incerteza; luto, mas não como quem açoita o ar. Ao contrário, castigo meu corpo e mantenho-o sob o meu domínio, a fim de não suceder que, depois de ter pregado aos outros, venha eu a ser rejeitado” (I Cor 9,24-27).
Para finalizar, a última dica de Dom Cifuentes é seguir duas ações: confiar e amar. Confiar na fidelidade divina que é capaz de superar toda inconstância humana e amar, pois o amor é o segredo da perseverança, mas não um amor com perspectivas meramente humanas, mas o amor na perspectiva da fé, que é o Espírito Santo e sua força, que nos move a cada dia a seguir o ideal de Cristo.
Boa leitura!
