Certa vez, Rui Barbosa, que foi uma das figuras públicas mais inteligentes da nossa história, disse que: “tratar a desiguais com igualdade seria desigualdade flagrante, e não igualdade real”.
Deu um nó no juízo? Eu explico: ele quis dizer que é um grande engano querer tratar da mesma forma duas pessoas que são diferentes e, por isso, trazem em si necessidades diferentes.
Assim, se uma mãe tem dois filhos, um recém-nascido e um adolescente, com certeza não alimentará a ambos com leite materno, nem terá que fiscalizar se ambos estão indo bem no colégio, pois cada um necessita de cuidados diferenciados.
Partindo desta verdade, podemos começar a entender uma das razões (dentre muitas) de uma corrente ideológica como o comunismo ser completamente inócua, ineficaz e ineficiente, haja vista que defende ter como um de seus preceitos a igualdade, porém, trata-se, de fato, da desigualdade flagrante mencionada por Rui Barbosa.
Esta “igualdade” defendida à foice e martelo pelos camaradas e veneradores de Karl Marx (idealizador do comunismo), trata-se, tão somente, da proibição de que cada indivíduo desenvolva sua vida, carreira, bens, estudos e família livremente, já que o Estado deve controlar e racionar tudo isto, como se estivesse lidando não com pessoas, mas com um grande rebanho de animais, sem inteligência, necessidades e vontade próprias.
Some-se a isto outros elementos como a tirania dos governantes, as execuções em massa, os exílios, a falência econômica, as apropriações indébitas, a escassez de produtos, a fome a qual a população é submetida, o isolamento comercial do país, a repressão contra a liberdade de expressão, contra a família, contra a vida, contra a propriedade, o confisco dos bens, o “vale tudo” quando se trata de manter a causa revolucionária e a eterna luta de classes que mais parece uma novela mexicana, na qual o “pobrezinho” do proletariado é sempre explorado e injustiçado pela “terrível e ditadora” classe industrial.
Infelizmente, pouca gente no nosso país conhece a fundo a verdade sobre esta corrente ideológica e suas péssimas influências no cenário político brasileiro, o que impede de haver bons resultados quando se trata, por exemplo, de escolher um governante ou entender porque, para muitos, a corrupção é algo completamente aceitável.
A dica da semana, assim, é um clássico moderno, escrito por George Orwell, intitulado “A Revolução dos Bichos”, publicado pela primeira vez à época da Segunda Guerra Mundial.
Trata-se de uma sátira à disputa pelo poder, notadamente, no regime comunista russo, na qual os animais da Granja do Solar iniciam uma revolução, inspirados pelos devaneios do velho porco Major, (personagem que traz um misto de Karl Marx e Lênin), que sonhara, pouco antes de morrer, com um regime chamado “Animismo” no qual os bichos não mais seriam explorados e injustiçados pelo seu dono, sr. Jones.
Liderados pelos porcos, acabam expulsando todos os humanos e tomando a administração do lugar, instituindo os “sete mandamentos do Animismo” e controlando todos os outros animais que, em nome da causa, continuam sua vida de trabalho árduo (ao qual os porcos não se submetiam, claro) e até muito mais rígida e acética que a anterior, sob o senhorio humano.
Ao passar do tempo, os porcos, embriagados pelo poder ilimitado, acabam por manipular tanto a história, a verdade e a mente dos outros animais, que até os sete mandamentos do Animismo passam a sofrer alterações clandestinas na calada da noite até serem completamente esquecidos, a fim de conceder cada vez mais regalias aos porcos, que, no início, rejeitavam qualquer invento advindo dos humanos e acabam mudando-se para a antiga casa do sr. Jones, dormindo em seus aposentos e desfrutando de todos os luxos possíveis, enquanto condenavam os outros bichos ao racionamento de alimentos e às jornadas de trabalho cada vez mais largas, inclusive, levando alguns à desnutrição, estafa e até à morte, como é o caso do cavalo Sansão, figura do proletariado forte e trabalhador, que não poupou esforços para trabalhar em função da causa animista, até que, ficando doente e velho, foi levado ao matadouro pelos próprios porcos, revelando a valorização do ser não pelo que é, mas pelo que pode produzir, o que é típico do pensamento marxista, e até hoje reflete-se em ideologias que defendem, por exemplo, a eutanásia para pacientes em estado terminal e o aborto em casos de gravidezes indesejadas.
Mesmo tratando-se de uma fábula, quem conhece um pouco sobre a história do comunismo pode facilmente perceber a inspiração do autor para a composição dos personagens principais: o autoritário porco Napoleão seria Stálin; o suíno Bola de Neve, banido e caluniado publicamente por Napoleão, refere-se, certamente, a Trotsky; e os próprios eventos narrados no livro correspondem aos fatos que realmente ocorreram na Rússia nos tempos negros do stalinismo.
Não obstante o próprio Orwell ter sido um ativo adepto e defensor do socialismo, escreveu esta sátira a fim de delatar a degradação do regime russo e, indo além, para denunciar toda forma de totalitarismo de qualquer regime político existente, porém, o livro acabou popularizando-se como uma arma ideológica em oposição ao comunismo/socialismo, principalmente na época da Guerra Fria, mesmo a contragosto do autor, que, apesar de suas opções políticas e religiosas questionáveis, conseguiu apresentar uma narrativa livre, revelando, tão somente, a verdade sobre uma corrente ideológica que já nasceu fadada ao fracasso e acabou por corromper-se até a total ruína de uma nação inteira, e continua, infelizmente, a disseminar até hoje nocivas sementes de corrupção, desvalorização da vida e da dignidade humana por onde é propagado.
Portanto, “A Revolução dos Bichos” é o tipo de obra que vale a pena ser lida como um passo inicial para aguçar o senso crítico em relação à mentalidade marxista/comunista/socialista que tanto nos cerca, pois há muito nestas correntes ideológicas que precisa ser conhecido, inclusive, à luz da razão e da fé, a fim de ser combatido dentro e fora de cada um de nós.
Ficha
Capa comum: 152 páginas
Editora: Companhia das Letras;
Edição: 22 (10 de janeiro de 2007)
Idioma: Português
Dimensões do produto: 21 x 13,8 x 1,4 cm
Peso: 227 g
Boa leitura!


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