Você sabia que existem virtudes que são consideradas “servas” das outras? E são chamadas assim porque, pelo seu exercício, auxiliam o homem a viver bem as outras virtudes. A Ordem é um exemplo disso.
E o livro que indicamos hoje, “A virtude da ordem”, de autoria de Francisco José de Almeida, nos fará compreender que somente quando ordenarmos o nosso dia, as nossas atividades e compromissos, conseguiremos ser pontuais, comprometidos, eficazes, perseverantes até o fim naquilo que começamos a fazer, enfim, seremos capazes de realizar bem tudo o que precisamos para viver o nosso dia a dia de forma harmônica e, portanto, santa.
Vale ressaltar que não estamos falando apenas de uma ordem exterior das coisas ou uma aparente organização, mas da virtude que tem, segundo o autor, que “partir e apontar para um objetivo muito alto: o de conseguir que todos os nossos atos se ordenem para uma vida virtuosa, que se proponha traduzir nesses atos a ordem querida por Deus para nós e para as coisas que dependem de nós, tal como conseguimos apreendê-la”.
O autor utiliza ainda uma imagem para ilustrar como cada coisa em nossa vida precisa estar disposta segundo a virtude da ordem: assim como os cinco dedos de uma mão necessitam funcionar plenamente para que ela possa realizar todas as funções que lhe cabem, assim são os cinco ramos que precisamos observar para ordenar a nossa vida: os trabalhos profissionais (dedo indicador), os deveres religiosos (dedo médio), as obrigações familiares (dedo anelar), o descanso e a cultura (dedo mindinho) e as responsabilidades de caráter social (dedo polegar).
Vida natural sobrenaturalmente em ordem
Em suma, o texto nos convida a refletir sobre uma vida inteira em harmonia, que diz ser a vida natural sobrenaturalmente em ordem, estruturada segundo o querer de Deus em todas as coisas. Como exemplo disso, transcrevemos um trecho que fala sobre o sentido da ordem material. Leiamos juntos e nos surpreendamos com a profundidade de sentido que podemos encontrar em uma simples atividade cotidiana de organizar o guarda-roupas ou a mesa de trabalho:
“Retenhamos desde já que a chave para assegurarmos uma atitude vigilante nesta matéria tem sempre um só nome: espírito de sacrifício. Parece que não, mas custa racionalizar a ordem das nossas coisas pessoais e melhorá-la, se tal como está é pouco prática; custa dobrar o jornal depois de lê-lo, ou voltar a pôr as cadeiras no lugar após uma reunião em família; custa ter sempre a mesa de trabalho sem lembrar um campo de batalha ou o final de uma feira livre, ter o armário de roupa com cada tipo de peças bem separado, com ‘as gavetas à mesma altura’, como exemplificava alguém, e por aí afora. São tudo pormenores de autodomínio que revelam uma personalidade equilibrada”.
Boa leitura!


Excelente resumo!