Dando continuidade às nossas dicas de livros infantis neste mês de outubro, hoje vamos falar dos contos de fadas.
A origem destes contos é, até onde sabemos, da cultura celta, que se difundiu por grande parte da Europa, inicialmente por uma tradição oral, sendo transmitida por várias gerações, até se transformarem nos livros, como nós conhecemos atualmente.
Trata-se de um gênero literário que recorre a personagens, situações e lugares fantasiosos, como reinos encantados distantes, animais falantes, fadas e outros personagens do folclore de vários povos. Por exemplo, enquanto um conto de origem britânica utiliza personagens como faunos, duendes e esquilos falantes, no Brasil, Monteiro Lobato recheou o imaginário infantil com personagens de lendas nacionais como o Saci, a Mula-Sem-Cabeça ou uma bruxa em forma de jacaré.
Porém, através destas situações fantásticas, os contos de fadas lidam, geralmente, com assuntos que dizem respeito às questões existenciais humanas, aos valores morais ou a superação de conflitos e, mesmo que não se perceba, sempre deixam uma lição para o leitor, convidando-o à vivência da virtude.
Assim, tornam-se instrumentos proveitosos para a educação infantil, bem como, no incentivo ao hábito da leitura e na construção de uma mente mais criativa.
Geralmente, estes contos de fadas são iniciados com: “era uma vez um reino distante” ou “era uma vez uma princesa”, mas a dica de leitura de hoje se inicia mais precisamente com um inusitado “era uma vez um pedaço de madeira falante” e você já deve imaginar de qual conto estou falando.
Trata-se do livro “As aventuras de Pinóquio”, do escritor italiano Carlo Collodi, publicado pela primeira vez em 1881.
A história, em resumo, diz respeito às peripécias de um boneco que foi criado pelo marceneiro Gepeto, a partir de um pedaço de madeira encantado, que quando toma a forma de um pequeno garoto, é nomeado por seu criador como Pinóquio e começa a protagonizar uma série de travessuras que sempre o levam a se dar mal, como, por exemplo, quando teve suas pernas queimadas ao tentar acender o fogo da lareira sozinho ou quando o seu nariz não para de crescer por causa de suas mentiras.
O sonho de Pinóquio, entretanto, era ser transformado um garoto normal, mas, para isso, de acordo com a fada dos desejos, teria que, primeiro, se tornar um boneco bom, o que parecia ser quase impossível, diante de sua natureza impetuosa e desobediente.
Apesar de ser um conto bastante conhecido, não escreveremos aqui como a história termina, para não correr o risco de dar spoilers, todavia, vale muito a pena ressaltar que esta é uma narrativa simples e, ao mesmo tempo, questionadora, que leva o pequeno leitor a refletir sobre algumas consequências de atitudes ruins como a mentira ou o desrespeito, mas também traz uma grande lição para os mais velhos, quando olhamos a atitude de Gepeto, que não desiste da mudança de vida de sua pequena criatura e que, pacientemente, busca ajuda-lo no que for possível.
Sob um olhar cristão, é inevitável recordar das figuras dos dois principais personagens deste conto como uma analogia na qual Gepeto representaria Deus Pai, o Criador que tudo realizou para que a sua criatura reencontrasse a vida verdadeira em Cristo Jesus, e de Pinóquio como sendo a representação do homem, obra prima de suas mãos que, tendo desobedecido ao seu Criador, sofre violentamente as consequências de suas más escolhas, mas que, no fim, é salvo pelo amor divino que não apenas o redime, mas o eleva da condição de criatura para a de filho amado pelo qual o Pai entregou tudo, para que alcançasse a sua salvação.
Enfim, “As aventuras de Pinóquio”, bem como, outras centenas de bons contos infanto-juvenis são, de fato, uma excelente opção para quem quer inserir na vida de suas crianças o gosto pela leitura e revelar-lhes o prazer de descobrir em tantas histórias fantásticas as infinitas e maravilhosas possibilidades que a imaginação humana é capaz de alcançar, desde que direcionada para o bem.
Ficha
Categoria Edições Especiais
Autor: Carlo Collodi
Boa Leitura!

