Um dos maiores espantos para quem não conhece o ordinário da Comunidade Católica Shalom é saber sobre a nossa rotina de oração diária: Missa, Laudes, estudo bíblico, oração pessoal, terço ou rosário, oração ou adoração comunitária e completas.
Além desses, há também as devoções particulares, como a oração do Ofício da Imaculada Conceição, as novenas e o Terço da Misericórdia, bem como, os retiros pessoais e as vigílias mensais, reciclagem anual e uma infinidade de retiros dos mais variados temas, tanto de cunho apostólico, espiritual e comunitário, quanto para o crescimento na maturidade humana, cura interior e autoconhecimento.
Ocorre que, para quem não é acostumado a ter uma vida interior ativa, tal rotina parece ser absurda, porém, ao analisarmos a verdade sobre a condição humana, entendemos que a oração, ou seja, a vida de amizade com Deus, deveria ser a normalidade (cada um segundo a sua espiritualidade, claro!), já que para Ele fomos criados.
Todo homem é capaz de Deus, como expressa o primeiro parágrafo do Catecismo da Igreja Católica, e somente Nele encontra o real sentido da sua existência, portanto, o óbvio seria que todo ser humano se empenhasse com esmero na busca constante pelo crescimento desse relacionamento primordial da vida, todavia, tal evidência não é tão óbvia assim nos tempos atuais.
Para encurtar a história, vou tomar emprestada a frase mais célebre de Josefa Alves, consagrada da Comunidade Shalom, escritora e mestre em Teologia Sistemática: (definitivamente) o óbvio não é óbvio!
A “nova normalidade”
Com um raciocínio semelhante, começa o prefácio da dica de leitura de hoje, falando a respeito da “nova normalidade” do nosso tempo, que é a indiferença ou o relacionamento superficial com Deus, no qual, aqueles que rezam, são admirados pelos que não rezam como se fossem extraterrestres verdes ou um dinossauro que acabou de emergir da era Mesozóica.
Dito isto, vamos apresentar a dica de hoje, que é o livro do padre dominicano Garrigou Lagrange, intitulado: As três vias e as três conversões, publicado pela Editora Permanência.
Este livrinho se trata de um resumo, feito pelo próprio autor, de sua obra magna, que se chama: As três idades da vida interior, portanto, é uma excelente leitura introdutória para não mergulhar diretamente nesse enorme compêndio sobre a vida interior e arriscar desistir dos inúmeros tesouros contidos no livro, por causa do seu tamanho ou da sua complexidade.
Sobre a dica de hoje, convém ainda dizer, como o próprio autor ressaltou, que é um livro acessível a todas as almas interiores e que trata sobre diversos temas de relevante importância para quem quer viver a normalidade da vida humana, ou seja, sua vida interior.
A vida na Graça, os diversos tipos de purificações espirituais e as fases do processo de conversão para chegar à maturidade espiritual plena, são alguns dos assuntos abordados por Garrigou Lagrange.
Para finalizar, segue a transcrição do primeiro parágrafo do livro:
“A vida interior é para cada um de nós o único necessário. Ela deveria desenvolver-se constantemente em nossa alma, muito mais do que aquilo que chamamos de vida intelectual, científica, artística e literária. Ela é a vida profunda da alma, do homem inteiro e não apenas de uma ou de outra de suas faculdades. A própria intelectualidade ganharia muito se, em lugar de querer suplantar a espiritualidade, reconhecesse sua necessidade, sua grandeza e se beneficiasse de sua influência, que é a das virtudes teologais e dos dos do Espírito Santo”.
Ficha de Leitura
Capa comum: 104 páginas
Idioma: Português
Boa leitura!

