Houve tempos, em determinadas culturas, nos quais ser gordo era sinal de prosperidade e fertilidade, como na Idade Média ou até hoje, nas Ilhas Fiji; nos anos 70 podia-se escolher entre ser Disco ou Hippie; nos anos 90 quem não dançasse lambada (é o novo!), era considerado um zero à esquerda; atualmente, a moda é ser fitness, todo mundo está se movimentando mais, buscando fazer exercícios ou, ao menos, pagando mensalidades e mais mensalidades de academia, mesmo que nunca vá a uma aula de alongamento sequer, e fico me perguntando o que os donos destas academias fariam se todos os seus alunos pagantes resolvessem realmente sair do sedentarismo…
Nada contra gordos, Discos ou fitness (já em relação à lambada, graças a Deus que chorando se foi!), mas bem que poderia ser lançada a moda do “bookness”, já que fitness significa “estar em boa forma física”, o bookness poderia significar “estar em boa forma mental”.
Devaneios à parte, tal qual o exercício físico, exercitar-se na leitura também nos traz inúmeros benefícios, dentre eles, um dos melhores, na minha opinião, é aguçar o senso crítico.
Graças aos avanços nas comunicações, grande parte das pessoas hoje pode se expressar livremente, em outras palavras, qualquer “doido” diz o que quer nas redes sociais e outros meios de comunicação e geralmente consegue público para ouvir e curtir, tanto mais, quanto maior o seu nível de loucura for.
E são tantas opiniões e linhas de pensamento que, se o sujeito não tiver o mínimo de senso crítico, ou seja, capacidade de questionar o que lhe é proposto de forma racional e inteligente, certamente vai ser engolido pelo excesso de informações.
Obviamente, o senso crítico por si mesmo de pouco vale, caso o indivíduo não possua o mínimo de discernimento, que é a capacidade de compreender e optar pelo que é certo ou errado, adquirido por uma educação regida pelos valores morais corretos. Neste caso, o Evangelho certamente é a fonte perfeita para formar a melhor capacidade de discernimento.
Voltando ao assunto da leitura, uma das formas de expressão literária que mais é capaz de aguçar o senso crítico é a figura retórica da ironia, que nada mais é do que a pessoa dizer, propositalmente, o oposto daquilo que pensa, a fim de afirmar de forma mais veemente suas convicções ou raciocínio, por exemplo, uma ironia seria eu dizer “ah, como odeio livros! ”.
A dica de leitura de hoje é sobre um livro fininho, cheio de ironias e que vai ajudar muito a afiar o senso crítico de quem se aventurar a lê-lo.
Refiro-me a “Cartas de um diabo ao seu aprendiz”, do britânico C.S. Lewis, publicado pela primeira vez em 1942.
O livro é um apanhado de “cartas” do diabo sênior Fitafuso ao seu inexperiente sobrinho Vermebile, recém-formado na Faculdade de Treinamento dos Tentadores, nas quais escreve conselhos de como tentar o seu primeiro “paciente”, um jovem britânico que vive na Inglaterra em pleno cenário da Segunda Guerra Mundial.
Vermebile tem por missão incitá-lo a pecar de diversas formas para que ele morra em pecado mortal, o que o levaria para o inferno.
No livro, a ironia se encontra exatamente pelas situações serem retratadas totalmente sob o ponto de vista de um diabo, assim, tudo é o oposto da realidade: Deus é o “inimigo” e o salvador é o próprio Lúcifer, as virtudes são ruins e os pecados são bons, e assim por diante.
E apesar deste livro ter sido escrito nos anos 40, traz situações muito atuais, o que gera várias reflexões, dentre elas, sobre a falta de criatividade do mal, pois, desde os primórdios da humanidade, as tentações vêm sendo as mesmas, apenas apresentadas ao homem com uma roupagem diferente para cada determinada época, como um modismo que vai e volta, assim, todo homem sempre é incitado a cometer os mesmos erros e pecados, sempre como base no desejo desordenado de poder, prazer ou possuir, e mesmo que o mal seja astuto, não pode criar nada de novo, pois só Deus é o Criador, não passando o demônio de um reles e fracassado imitador.
Em algumas edições mais recentes, somos presenteados ainda com um capítulo adicional, o discurso para a formatura de Vermebile, intitulado: “Fitafuso propõe um brinde”, impagável.
Resumindo, “Cartas de um diabo a seu aprendiz” é uma boa pedida para quem curte uma leitura interessante, leve e divertida, mas que traz um forte apelo a, utilizando o senso crítico e um bom discernimento, unir razão e fé em função de um crescimento humano e espiritual.
Ficha Técnica
Editora: WMF MARTINS FONTES
Assunto: Religião – Cristianismo
Idioma: PORTUGUÊS
Ano: 2009
Código de Barras: 9788578271114
ISBN: 8578271114
Encadernação: BROCHURA
Altura: 18,50 cm
Largura: 12,50 cm
Peso: 0,24 kg
Nº de Páginas: 216
Boa leitura!

