Chegamos ao terceiro texto deste tempo da Quaresma, que escrevo na Diaconia Geral, sede da Comunidade Shalom que fica em Aquiraz, município da região metropolitana de Fortaleza, no Ceará, e aqui, graças ao bom Deus, as chuvas têm sido generosas ultimamente.
Como se trata de uma região onde há vários mangues e a vegetação em sua maioria é rasteira, após a chuva, a primeira coisa que podemos observar é que existem diversos pontos onde a água se acumula e acaba formando muito barro.
Nesse cenário, se tentarmos, por exemplo, passar de carro por alguma estrada não-pavimentada, corremos o grande risco de atolar o veículo; se formos a pé, fatalmente causaremos um grande estrago em nossos calçados, portanto, a melhor solução é não arriscar, preferindo sempre o caminho mais seguro, que oferece uma certa estabilidade e firmeza maior para a travessia.
Quem já teve alguma vez o desprazer de ficar atolado em um lamaçal ou ter os pés molhados de lama enquanto se dirigia para algum destino, sabe bem do que estou falando.
E se devemos ter esse cuidado ao escolher por onde passamos, imaginem só o tamanho da atenção que precisamos ter com o nosso interior, para que não caiamos no atoleiro espiritual das instabilidades, desleixos, apatias, acomodações e pecados recorrentes?
Assim, a dica de leitura de hoje, esperançosamente, trata-se de um verdadeiro trator que vai nos ajudar a pavimentar o nosso interior, tornando-o, pelo auxílio indispensável da graça divina, um solo firme como a rocha, capaz de resistir ao trânsito constante de pessoas, situações, afetos e circunstâncias aos quais somos expostos diariamente.
Trata-se do ótimo livro Fortaleza, de Rafael Llano Cifuentes, publicado pela editora Quadrante e que fala dessa firmeza interior tão necessária para a nossa estabilidade emocional, espiritual e relacional, que é a virtude cardeal da Fortaleza.
O livro começa exatamente com esta comparação entre o barro e a rocha: “Já reparamos na diferença que existe entre o barro e a rocha? O barro, qualquer chuva o dilui, qualquer enxurrada o carrega para as mil valetas dos caminhos, qualquer depressão do terreno o transforma em charco… A rocha mantém-se firme em face das tempestades, levanta-se como um baluarte diante das ondas furiosas, emerge mais brilhante depois da tormenta, como um desafio ao mar e à impetuosidade das ondas”.
O autor ainda nos fala a respeito das três características de uma autêntica personalidade, citadas pelo filósofo espanhol Jaime Balmes: cabeça de gelo, coração de fogo e braços de ferro, sendo sinônimos, respectivamente, de raciocínios claros, entusiasmo vibrante e instrumentos eficazes para a execução das ideias planejadas.
Com estas três características, dificilmente alguém pode se deixar levar apaticamente pelas circunstâncias e, mesmo em meio às vicissitudes da vida, é capaz de dar a resposta mais acertada, mesmo que não seja a mais conveniente para si ou para os outros, mas sempre a mais acertada para a realização dos planos de Deus em sua vida.
O livro também é repleto de dicas sobre os meios para crescermos nesta virtude da Fortaleza, finalizando com a grande certeza de que é em Deus – e somente através Dele – que podemos crescer nesta graça da firmeza interior, afinal de contas, sem Ele nada somos e nada podemos, nem nos desviamos do atoleiro ou conseguimos sair dele.
Por outro lado, com Deus somos capazes de superar tudo: quer sejam as grandes chuvas ou os tempos de seca, estando o terreno da nossa vida bem pavimentado pelas virtudes divinas, somos capazes de tudo superar, inclusive aqueles pecados que há tempos nos atormentam, querendo nos jogar do lamaçal da ausência divina e que são os alvos dos nossos jejuns e penitências neste tempo quaresmal, que não é repleto somente de chuvas torrenciais no Estado Ceará, mas também de chuvas de graças para todos os que desejam uma real e concreta conversão à santidade.
Boa leitura e santa conversão!
Ficha
Autor: Rafael Llano Cifuentes
Editora: Quadrante
Idioma: Português
Páginas: 88
Edição: 1997
Acabamento: Brochura
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