Você sabe o que é uma coisa simples? Resumidamente, é algo sem dobras ou partes complexas, ou seja, algo inteiro. Na filosofia, no embate entre duas teorias semelhantes, aconselha-se escolher a mais simples. Na arte, diz-se que quanto mais simples, melhor. Com os seres humanos não é diferente: as pessoas simples são as agradáveis de se conviver. Claro que existe uma diferença entre ser simples e ser simplório. O simples é descomplicado, sincero, de coração transparente. Já o simplório é um tolo.
Talvez essa seja a grande questão da dica de leitura dessa semana: um homem simples, que é tido por simplório, por gente complexa ou cheia de dobras. Trata-se de O Idiota, de Fiódor Dostoiévski. Lançado em 1869, O Idiota é um romance que conta a história do príncipe Michkin, um jovem herdeiro de uma fortuna, que retorna a São Petersburgo após passar uma temporada na Suíça, tratando-se de epilepsia.
Virtudes de Cristo e excentricidades de Dom Quixote
O príncipe Míchkin é um personagem que possui as virtudes de Jesus Cristo e as excentricidades de Dom Quixote, que parece viver contracorrente dos valores sociais de sua época, fazendo pouco caso de títulos de nobreza ou do dinheiro, por isso, é tomado por um simplório ou um idiota, de onde vem o nome da obra.
Atitudes como o perdão, a honestidade, a sinceridade e a pureza soam de modo estranho em meio aos nobres, niilistas, golpistas e fanfarrões com os quais Michkin deverá dialogar durante a trama, fazendo com que estes revelem, pouco a pouco, o que escondem por entre suas dobras ou seus comportamentos duplos.
Ao ler essa obra, é impossível não recordar de inúmeras situações em que a fidelidade aos valores ensinados por Jesus Cristo soa como uma atitude simplória e até idiota, em meio ao que grande parte do mundo de hoje entende por inteligência ou virtude, por isso, essa leitura leva a um tipo de reflexão que faz recordar as palavras de São Paulo, em I Cor 1, 27s: “O que é estulto no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes; e o que é vil e desprezível no mundo, Deus o escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são.”
Ficha de leitura
Páginas: 688
Idioma: Português
Editora: Editora 34; Edição: 4 (1 de janeiro de 2014)
Boa leitura!

