Você já parou para pensar quanto tempo é preciso para escrever um bom livro? Dizem que, em média, são necessárias três horas para finalizar uma página. O escritor americano Stephen King desenvolveu a teoria de que um livro não deve consumir mais que três meses do trabalho de seu autor, que seria o tempo correspondente a uma estação do ano. Já o britânico J. R.R. Tolkien demorou apenas 16 anos para finalizar seu masterpiece, O Senhor dos Anéis.
Pois bem, considerando que cada escritor tem seu ritmo e que o tempo que a escrita leva não significa necessariamente que um livro vai ser um best seller ou não, a dica de leitura de hoje é sobre um clássico cujo autor levou somente 25 dias para escrever: O jogador, do russo Fiódor Dostoiévski, publicado pela primeira vez no final de 1866.
Não que Dostoiévski fosse um escritor apressado, mas a verdade é que foi obrigado a escrever esse pequeno romance em tão curto tempo por causa de um contrato de trabalho mal ajustado e de sua situação financeira da época. No entanto, apesar das circunstâncias adversas, a humanidade não pode deixar de agradecer por esse trabalho que conta as desventuras de Alexis Ivanovitch, um jovem viciado em jogo. Na verdade, o livro retrata o próprio dilema sofrido pelo autor na vida real, fato que enche a narrativa com o tom existencialista tão apreciado pela obra dostoievskiana.
No desenrolar da história, que se passa em um balneário alemão fictício, chamado Roulettenburg, nosso protagonista conta, em primeira pessoa, o drama de ser dominado pelo vício de jogar roleta e a paixão não-correspondida por Polina Aleksandrovna. De fato, o que vemos é a história de um jovem perdido em seus vícios, como o próprio autor descreveu: “O ponto essencial é que toda sua seiva vital suas forças, sua impetuosidade, sua audácia são absorvidas pela roleta… É a descrição de uma espécie de inferno semelhante à estufa do presídio”.
Além de Alexis, há outros personagens como o General, o marquês De Grieux e a vovó Antonilda Vassilievna que, com suas questões humanas, colaboram para acentuar ainda mais a complexidade da trama, mas também são apresentados, de certo modo, caricaturados, o que acrescenta à narrativa as doses certas do humor peculiar de Dostoiévski.
Diante dessa obra, a pergunta que constantemente reverbera em nossa consciência é: Afinal, as nossas escolhas influenciam no rumo que a nossa vida toma? Para Dostoiévski, são exatamente essas decisões cotidianas que nos conduzem para o bem ou para o mal, para o triunfo ou a derrocada da nossa vida. O jogador é, assim, um clássico que nos leva a refletir sobre qual caminho queremos escolher. Se eu fosse você, apostava nesse livro como sua próxima leitura.
Boa leitura!
Ficha de Leitura
Número de páginas: 96 páginas
Editora: Mimética
Idioma: Português

