Possivelmente, o fato de portar uma mensagem universal, que pode ser compreendida pela maioria dos povos, sem importar a classe econômica, cultural ou idade dos leitores, é um fator decisivo para o sucesso de vendas.
Há também outras possibilidades, como, por exemplo, a atemporalidade do tema, a fama do autor, a relevância do argumento, ou, “simplesmente” ser a Palavra de Deus, como é o caso do livro mais vendido de todos os tempos: a Bíblia, com 3,9 bilhões de cópias e traduções em mais de 2.000 idiomas e dialetos.
Infelizmente, a dica de hoje não é sobre as Sagradas Escrituras, apesar de ser A obra literária por excelência e de maior importância antropológica, filosófica, teológica e demais “ógicas” e “óficas” que você conseguir imaginar, que porta em si os fundamentos da vida e que dispensa qualquer tipo de indicação.
Mas, felizmente, falaremos sobre um livro que aparece em muitas estatísticas como o terceiro mais vendido do mundo, publicado em mais de 160 línguas, que tem como principal característica algo que é capaz de incomodar, intrigar, apaixonar ou atrair intensamente: a simplicidade.
É impressionante como as coisas ou pessoas simples são capazes de provocar a atração ou a repulsa de forma intensa, não por algo que portam em si, mas muito mais pelo que refletem dentro de quem as vê, principalmente para quem sofre das tristes complicações do orgulho, da autossuficiência ou até mesmo do intelectualismo.
Outro grande engano é pensar que, por algo ser simples, é também sem profundidade, pois, na verdade, simples, é aquilo que é destituído de partes ou que existe de um único modo, assim, posso dizer de forma filosófica, por exemplo, que Deus é simples, pois Ele é em si mesmo e basta, é inteiro, sem divisões e talvez esta seja a grande questão que dificulta ao homem moderno, tão cheio de si e em busca de tantas tecnologias e invenções, compreender o amor divino, pois é algo que não precisa ser provado ou mesmo explicado, apenas acolhido com gratidão.
De fato, é complicado apreciar o simples, já que não há nada a ser dito, acrescentado ou alterado, apenas e unicamente apreciado, assim, ordinariamente, não há meio termo para quem, por exemplo, lê “O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, escrito em 1943, pois quem lê este livro, ou se apaixona totalmente ou não tem a menor identificação com a obra.
Curiosamente, “O Pequeno Príncipe” é constantemente rotulado com vários “títulos” não muito verdadeiros: como sendo, por exemplo, um mero livro infantil, pois seu principal personagem é um menino; como leitura para meninas, pois supostamente é muito meloso para homens; como superficial, pois, no século passado, no qual os concursos de Miss Universo e afins estavam na moda, nove entre dez candidatas o citavam como livro de cabeceira.
Enfim, é necessário que esta bela obra seja conhecida pelo que na verdade é: um excelente livro de cunho filosófico, escrito por um aviador extraordinário e desbravador, inspirado pelo que experimentou em um desventurado, porém, providencial (se assim posso dizer) acidente de avião no deserto, enquanto aguardava o resgate em um lugar que, de tão inóspito e solitário, só poderia inspirar uma história na qual aprendemos que o essencial é invisível aos olhos.
Partindo desta experiência, a narrativa começa com Saint-Exupéry encontrando-se com esta criança que lhe aparece misteriosamente no deserto do Saara, pedindo-lhe que desenhe um carneiro para si, para que o mesmo pudesse comer os baobás que ameaçavam crescer desordenadamente e fazer sucumbir seu pequeno mundo, o asteroide B 612, no qual vivia tendo por companhia, tão somente, sua bela Rosa, através da qual aprendemos que o valor que damos ao que nos cerca é diretamente proporcional à quantidade de tempo que lhe dedicamos.
O aviador identifica-se de imediato com o menino ao mostrar-lhe o desenho em rabiscos que havia feito em sua infância, que consistia em uma jiboia que havia engolido um elefante e que todos os adultos sempre julgavam por um chapéu e, ainda por cima, aconselhando-o a parar de perder tempo com tais banalidades e procurar ocupar sua mente com algo mais educativo do que simples ilustrações.
Porém, o Pequeno Príncipe logo reconhece os traços artísticos como o que realmente representavam, o que indicava que, finalmente, alguém neste mundo poderia entender de forma clara não somente os seus rabiscos infantis, mas o que deveras se passava em sua cabeça.
Enquanto tenta consertar seu monomotor, o aviador vai desenvolvendo uma profunda amizade com aquele pequeno garoto de cabelos loiros e cachecol vermelho, que viajara através do Universo até ali, em busca de um novo sentido para sua vida e, neste interim, outros personagens carregados de simbolismos vão surgindo, como a Raposa e a Cobra.
Ao passar do tempo, o piloto e o menino vão travando diálogos surpreendentes sobre amizade, pertença mútua, sentido da vida e da morte, orgulho, autoconhecimento, amor e sobre a felicidade da espera por aqueles que nos cativam.
Por conhecer o fim da história e tendo sido escrita um ano antes de sua real morte em outro acidente, atrevo-me a dizer que se trata, com efeito, de um certo testamento espiritual de Antoine de Saint-Exupéry, no qual ele descreve suas impressões sobre tudo o que viveu e as lições que colheu das experiências como aviador, escritor, amigo e homem cristão.
E quem seria o Pequeno Príncipe? Poderia ser a infância inconsciente adormecida dentro de cada adulto ou a voz interior do autor aguçada pela solidão do deserto, quanto a mim, prefiro a definição que encontrei recentemente em uma livraria virtual: ele é apenas uma criança que, de repente, irrompeu no deserto do coração e que revela em sua face de Pequeno Príncipe, a menos que não se queira ver, a face de um outro, coroada com os espinhos de rosa e que só podemos ver realmente bem com os olhos do coração.
Ficha
Autor: Antoine de Saint-Exupéry
Idioma: Português
Dimensões do produto: 17,8 x 11,6 x 0,4 cm
Boa leitura!


Gostei muito da descrição que a Ana Paula Gomes fez do livro! Digno de um Best seller tão ímpar e belo.
Olá, bom dia estou interessada e conhecer mais obras do autor, não sei se alguém ja leu o correio sul primeiro romance dele, Eu comprei Estes dias, mas lendo a introdução me parece ter cenas indecentes, alguém ja leu sabe se o livro é bom?
Amo demais este livro. Conheci aos meus 22 anos de idade, hoje tenho 32 anos e continuo apoixanada por esse enredo. É simplesmente fantástica a sua mesagem e mais fantastica ainda a experiência que um dia fiz e continuo a fazer através deles.