Quem nunca narrou uma história para um amigo ou para alguém da família? Ou até teve a oportunidade (por livre e espontânea pressão) de escrever uma redação no colégio (#CruzCredoNemMeLembre) ou mesmo voluntariamente escrever uma carta (sim, sou do tempo das cartas e como sinto falta delas!) Ou até escrever um “textão” no Facebook, contando um fato marcante que lhe aconteceu.
A verdade é que, geralmente, nas narrativas a maioria das pessoas utiliza a velha máxima de que “quem conta um conto aumenta um ponto”, principalmente se for cearense, como eu, aí sim o floreado vai ser grande! Cada vez que a história é recontada, o sujeito sempre “inventa” alguma coisa a mais ou exagera na entonação, seja para deixá-la mais engraçada ou mais interessante.
Na dica de hoje, vou recomendar um livro curtinho, que me foi apresentado por uma irmã de Comunidade recentemente, cujo autor tem uma narrativa tão boa, mas tão boa, que não precisou fazer muito esforço ou florear muito para prender a atenção de ninguém, em outras palavras, o autor “se garante”.
Esta história não narra um mistério, um crime, uma teoria de conspiração, um grande segredo ou qualquer outro evento que poderia, pela simples curiosidade, prender o leitor até o fim, mas, na verdade, retrata o extraordinário escondido no ordinário da vida de um velho homem.
Trata-se do romance “O Velho e o Mar”, de Ernest Hemingway, publicado pela primeira vez em 1952.
Santiago é o Velho, um pescador que mora sozinho em uma pequena cabana, dorme sobre uma cama forrada com jornais velhos recheados de notícias sobre beisebol e é apaixonado pelo Mar, o qual chama de “La Mar”, no feminino, como o chamam, em espanhol, os seus amantes e mesmo estando há 84 dias sem pescar nada, ainda não perdeu a sua esperança, pois acredita que aquele 85° dia seria o seu grande dia de sorte.
Como de costume, o sol não nascera ainda e Santiago já estava completamente animado para mais uma vez levar o seu pequeno barco para alto-mar, embora, naquela ocasião, tivesse que enfrentar a jornada sozinho, pois os pais de seu único amigo e ajudante, o garoto Manolin, tinham-no proibido de sair para pescar com ele, pois acreditavam que era um pescador de má sorte e o jovem precisava aprender com exemplos melhores.
A história se passa quase por inteiro no mar e Santiago, em meio à solidão e espera pela sua “maré de sorte”, deve, primeiramente, enfrentar a si mesmo, mediante as angústias de um homem que vai se percebendo vencido pelo tempo e pela idade, todavia, não totalmente derrotado, pois ainda teria forças para viver a maior de todas as suas aventuras, pescar o maior de todos os peixes e enfrentar o maior de todos os perigos.
Ao ler este livro, a reflexão a respeito do mar como uma metáfora sobre a própria vida é inevitável, com todas as suas intempéries e desafios que precisamos enfrentar com determinação e coragem.
Já o desejo de ser como Santiago torna-se praticamente obrigatório: um homem que é tão simplório, mas, ao mesmo tempo, um dos personagens mais resilientes e acéticos da literatura mundial.
Esta é, com certeza, uma “história de pescador” que vale muito a pena ler e, no final, perceber que quem acabou sendo fisgado por esta bela narrativa, além do peixe, fomos nós e que Ernest Hemingway, apesar de não ser São Pedro, é também um ótimo pescador de homens: Pedro, para o Reino de Deus, Hemingway para a literatura de primeira.
Boa leitura!
Ficha Técnica
O velho e o mar
Autor: Ernest Hemingway
Título Original: The old man and the sea
Tradutor: Fernando de Castro Ferro
Gênero: Romance estrangeiro
Páginas: 126
Editora: Bertrand Brasil

