Quem joga Cookie Crush sabe que, de vez em quando, é surpreendido com um “Challenge”, o desafio com 15 níveis mais difíceis do que o normal, que tem hora certa para acabar e o número limitado de tentativas.
A cada cinco níveis completados, o jogador recebe alguns prêmios bem melhores que os usuais.
ATENÇÃO! Não pare de ler este texto para ir jogar Cookie Crush, pois esse jogo é, como dizem por aí, uma “rede traiçoeira”.
Todo mundo já sabe também que o objetivo desta coluna é despertar o gosto pela leitura, oferecendo opções de bons livros e algumas dicas sobre os benefícios da leitura, e, até agora, a maioria dos livros sugeridos possuem um número de páginas bem pequeno, mas hoje, essa moleza vai dar uma pausa…
No caminho de qualquer aprendizado, inclusive no apurar o gosto pela leitura, os desafios são essenciais para a formação, sendo que o sujeito tem duas opções: ou desiste diante da primeira dificuldade e perde inúmeras boas oportunidades na vida ou persevera até o fim, mesmo aos “trancos e barrancos”, e, perseverando, quase que imediatamente consegue perceber os benefícios que a sua tenacidade lhe trouxe.
O “Bendita Leitura” não é o Cookie Crush (Graças a Deus!), mas hoje vai propor um desafio de 999 páginas para você que vem acompanhando estas postagens e que consiste no excelente “Os irmãos Karamazov”, de Fiódor Dostoievsky.
Dostoievsky dispensa apresentações, mas, se acaso este nome não lhe seja tão familiar assim, ele era russo, filósofo, jornalista e um dos mais renomados escritores do mundo; e esta obra nada mais é do que um dos mais importantes romances da literatura mundial, escrito em 1879, o último de sua vida.
Muito, mas muito resumidamente, o livro narra a conturbada relação entre o desqualificado Fiódor Karamazov e seus três filhos: o esbanjador Dimitri, o incrédulo Ivan e Aliócha, extremamente puro de coração e que tem horror só de pensar que, por ser um Karamazov, possui algo dentro de si que pode leva-lo ao mesmo estado de corrupção que seu pai e irmãos.
Dostoievsky segue retratando as questões existenciais dos personagens (que acabam por refletir os próprios questionamentos que circundaram toda a sua própria vida), abordando muitos aspectos essenciais para a humanidade, como o livre-arbítrio, as leis morais, a fé, a decadência a qual o homem pode chegar estando longe de Deus etc.
A trama vai crescendo ao passo que outros personagens vão sendo inseridos na história, como Pavel Smerdiakov e o monge Zossima, até que um crime acontece e abala completamente os frágeis vínculos familiares que ainda perduravam.
Outro ponto muito bacana é que esta narrativa se passa na Rússia do século XIX, período no qual o próprio Dostoievsky viveu, e como os seus dons para descrever os personagens, ambientes e costumes é enorme, o livro torna-se um prato cheio e saboroso para quem gosta de conhecer detalhes de outras culturas e épocas da história.
Para quem aprecia a boa leitura, este é um clássico indispensável, um livro que equilibra muito bem a comicidade de alguns personagens e os seus dramas morais e é, enfim, um desafio que vale muuuuito a pena ser aceito e degustado página por página, até o fim.
Ficha Técnica
Data da primeira publicação: novembro de 1880
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editora: O mensageiro russo
Gênero: Romance filosófico
Adaptações: Os Irmãos Karamazov (1958), Os Irmãos Karamazov (1969)
formato: 17 x 23 cm
Boa leitura!


Confirmo a indicação e o desafio!
São quase 3 anos que estou lendo este livro (não uma leitura continuada, mas alternando entre momentos que não consigo ler por diversos motivos), cheguei neste mês de janeiro à reta final. São impressionantes as análises psicológicas que ele faz, e como ele vai colocando um pouco de filosofia ao longo do romance. Recomendado demais!
“Decidi sempre: recorrerei ao amor humilde. Se tomardes uma vez para sempre esta decisão, podereis subjugar o mundo inteiro”. (de Zossima, um dos personangens do romance)