Depois de um longo período de trabalho, nada melhor e mais merecido do que tirar férias e fazer uma viagem dos sonhos, não é mesmo?
Dá até para imaginar a sensação: escolher o lugar, comprar a passagem, fazer as malas, enfrentar algumas horas de voo ou estrada e, finalmente, chegando ao destino, desligar-se da rotina por alguns dias ou, para quem pode, até mesmo por semanas.
Acontece que a maioria das pessoas, em suas escolhas de destinos de viagens, optam por lugares aprazíveis, como, por exemplo, uma bela praia, um local de clima agradável ou uma cidade com muitos atrativos culturais, tudo isto, dependendo do gosto do freguês, caso busque por sossego, agitação ou simplesmente um bom lugar para estar com os amigos.
Obs.: só não pode esquecer de levar um ou dois livros para ler antes de dormir, só para não perder o hábito, claro!
Entretanto, a dica de hoje é sobre um livro de alguém que escolheu um destino turístico com base em critérios um pouco excêntricos: o Afeganistão.
Estou falando do livro “Os lugares do meio”, do escritor britânico Rory Stewart.
Além de escritor, Stewart é político e diplomata e, óbvio, possui um gosto turístico muito peculiar, pois, além da escolha pelo Afeganistão, um país asiático que, apesar de possuir uma cultura e uma história muito ricas, é pouco conhecido pela maioria dos ocidentais, contribuindo para isto, as décadas que permaneceu quase que totalmente fechado para o resto do mundo, por causa das restrições impostas pelo governo, resolveu percorrê-lo, em quase toda a totalidade do território, a pé.
Exatamente! O sujeito tinha como meta atravessar o Afeganistão a pé, sofrendo todo tipo de intempéries, desconfortos e perigos que se possa imaginar, mas, também, fazendo uma experiência extraordinária com a cultura e o povo daquele lugar.
Some-se a isto tudo, o fato de que Rory foi um dos primeiros ocidentais a entrar no Afeganistão em 2002, após a derrubada do poder ditatorial pelos Estados Unidos.
Durante sua travessia, Rory também encontra o cachorro Babur, o qual lhe servirá de companhia até os últimos momentos de sua jornada e que merece créditos por deixar a narrativa mais interessante e dinâmica.
Por tudo o que foi dito, esta é uma obra que vale a pena ser lida, exatamente por esta experiência tão peculiar com um país bem diferente do que estamos acostumados a ver, bem como, pela coragem de Rory Stewart em desbravar aquele lugar, que por tanto tempo ficou escondido do resto da humanidade.
Finalizo dizendo que, ao terminar o livro, mesmo que o Afeganistão não se torne o seu próximo destino de férias e nem de longe seja considerado a viagem dos seus sonhos, com certeza abrirá a sua inteligência para apreciar as riquezas e belezas deste lugar do meio, entre as cordilheiras e o deserto, entre a cultura persa e hindu, entre a guerra e a paz.
Ficha
Ano: 2008
Páginas: 336
Idioma: português
Editora: Record
Boa leitura!

