A dica de leitura dessa semana é um clássico da literatura francesa que já foi adaptado para o teatro e para o cinema; possui traduções em inúmeros idiomas e que começou a ser escrito em 1846, porém, só foi publicado em 03 de abril de 1862. Estou falando de Os Miseráveis, do escritor Victor Hugo.
Uma das características dos romances históricos é a quantidade de informações que trazem de sua época, assim, por meio deles, podemos viajar para os tempos em que foram escritos e apreciar cultura, costumes e conflitos dos povos e lugares descritos pelas narrativas.
No caso de Os Miseráveis, somos transportados para a conturbada França do século XIX, período no qual Victor Hugo e seus personagens viveram. O autor nasceu em 1802 e morreu em 1885, portanto, presenciou grandes acontecimentos como: o surgimento do primeiro império de Napoleão I, a Revolução de 1830, a Revolução de 1848, o segundo império de Napoleão III e a terceira república francesa, que teve início em 1870.
Além disso, houve também o desenvolvimento de diversos movimentos culturais, como o Neoclassicismo, Romantismo, Realismo, Parnasianismo e Naturalismo; isso tudo em meio a todas as questões que eclodiam desde o século anterior, causadas pela infame Revolução Francesa (1789), sem falar nas consequências da Revolução Industrial, que transformava vertiginosamente a Europa daquele tempo.
Diante dessa ebulição sócio-cultural, Victor Hugo desenvolveu uma narrativa que gira em torno de Jean Valjean, um jovem órfão e pobre, que tornou-se arrimo de sua família por causa do falecimento da irmã mais velha. Ele foi preso por furtar um pão em uma loja e acabou condenado a dezenove anos de trabalhos forçados, tanto pelo furto, quanto pelo mau comportamento apresentado ao longo de sua prisão.
Ao voltar para a sociedade, Jean se vê rejeitado por todos, a não ser pelo bispo Myriel, que o acolhe em sua casa, até que o rapaz rouba-lhe um par de castiçais e alguns talheres de ouro. Porém, ao ser capturado pela polícia, recebe o perdão do bispo, que diz ter entregue os objetos a Jean de presente. Ele, por sua vez, diante da clemência recebida, deseja tornar-se um homem honesto, assim, muda-se para a Alemanha, onde assume uma nova identidade e acaba se tornando dono de uma fábrica.
Todavia, Jean Valjean vive atormentado pelo seu passado e teme ser descoberto nessa nova vida pelo inspetor Javert, que o persegue por anos. Em meio a tudo isso, ele interessa-se pela dura realidade de uma de suas funcionárias, Fantine, que acaba demitida pelo gerente da fábrica e morre buscando sustentar de qualquer modo sua filha Cosette. Quando descobre o ocorrido, Valjean resolve adotar a criança e, então inicia-se uma nova etapa do livro, narrando os acontecimentos sobre a vida de Cosette e de Marius, um jovem cheio de ideais pelo qual Cosette se apaixona.
O tema principal do livro desenrola-se sob o prisma da miséria na qual o povo francês vivia desde a Revolução de 1789, trazendo questões ligadas às injustiças sociais da época. Po fim, resta dizer que, sem dúvida, é um clássico que precisa ser visitado pelos que apreciam boas leituras e romances históricos.
Boa leitura!
