Se você é daquelas pessoas que acham que manter o hábito da leitura é um feito quase impossível, o que dizer daqueles que escrevem livros?
Recentemente, tive a grande oportunidade de ir a uma palestra sobre escrita literária, ministrada por Marina Colasanti, uma renomada jornalista, tradutora e escritora ítalo-brasileira, e ali descobri que decidir-se por ser escritor é optar por uma das profissões mais injustiçadas e desvalorizadas que existe no nosso país.
Esta triste realidade é motivada por vários fatores: o pouco interesse da maioria da população pela leitura; o alto índice de analfabetismo funcional (até consegue ler, mas não entende o que o texto diz); a falta de incentivo à leitura desde a infância; o forte apelo imediatista das redes sociais e jogos online que são, a princípio, muito mais “atrativos” para um jovem do que um livro; a péssima qualidade da educação no Brasil; a falta de incentivos fiscais para editoras; enfim, a lista de razões se prolongaria por páginas e mais páginas a fio se este fosse o objetivo desta matéria.
Assim, não sei se você já percebeu, mas a maioria dos escritores, se não tiverem um gordo pé-de-meia, uma bela herança ou um parente caridoso que os possam sustentar, sempre acumulam duas ou três profissões, como, por exemplo, Marina Colasanti, que, além de escritora, teve que cortar um dobrado com trabalhos de traduções ou colunas em jornais para não morrer de fome esperando que algum compatriota seu comprasse um de seus livros.
Não obstante, a escrita em si, independente das dificuldades externas, é um processo longo, que exige tantas pesquisas, esforço mental e renúncias, que realmente é preciso uma força de vontade muito grande para não desanimar.
Há uma frase do jornalista e escritor americano Gene Fowler que diz: “escrever é fácil. Tudo a fazer é se sentar encarando o papel em branco até que as gotas de sangue se formarem em sua testa”.
Sendo algo tão exigente, por que há tantos que se dedicam a este ofício? Bem, cada um teria suas motivações particulares, porém, posso falar por mim: escrever é, antes de tudo, um dom precioso, que quanto mais é exercitado, mais cresce, mas também é uma paixão e até uma necessidade. Me atrevo a dizer que é como um “vício bom”, se é que posso chamar assim, “algo pelo que desistimos de fazer tudo o mais que poderíamos”, como bem disse Marina Colasanti em sua palestra.
E a dica de hoje é, digamos, “uma prata da casa”, como se diz no futebol, quando o jogador revelação da temporada provém das categorias de base do time, um livro publicado pelas Edições Shalom, que é um fruto muito bacana de várias renúncias a muitas noites de sono e a vários momentos de descanso.
Trata-se do ótimo “Teshuvá – O retorno de Lisa”, escrito por Josefa Alves, missionária da comunidade de vida da Comunidade Shalom, formada em Teologia e Filosofia pela Facoltà di Teologia di Lugano, na Suíça, e com mestrado “recém-saído-do-forno”, na área da Teologia Sistemática pela PUC/RJ, livro publicado pela primeira vez em 2014.
A trama se desenrola na Itália, país no qual o envolvimento dos jovens com o ocultismo é cada vez mais comum, e este é o ponto de partida para toda a aventura que será vivida por Mike, Lisa e os outros personagens que poderiam ter uma vida bem comum, se não fosse pelo fato de terem seus dias constantemente permeados pelo desaparecimento ou suicídio de vários jovens da região onde moram.
Lisa, personagem com aguçado senso de justiça, envolve-se de modo mais profundo neste mistério após o suicídio de sua amiga Giulia, e, em meio às idas e vindas de seu conturbado relacionamento com Mike, vai descobrir que, na verdade, está se envolvendo com algo muito maior e pior do que poderia imaginar.
O livro é o primeiro volume da trilogia que vai impulsionando o leitor a mergulhar, juntamente com Lisa, na maior aventura de sua vida: deparar-se com a verdade, reencontrar-se consigo mesma e retornar para o que realmente é chamada a ser.
Em um universo no qual, segundo a autora, “passado, presente e futuro, sonho, realidade e mistério se tocam e se revelam”, o leitor é convidado a colocar a própria vida na balança e pesar, bem medido, os caminhos pelos quais trilhou até hoje, repensar a consequência de suas escolhas e recobrar o ânimo para recomeçar. Certamente Nzuri também o ajudará neste bom propósito.
Você deve estar se perguntando: quem é Nzuri? Vai ter que ler para descobrir…
Ficha
Livro: Teshuvá
Autor: Josefa Alves
Editora: Edições Shalom
Idioma: Português
Páginas: 329
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Boa leitura!


Depois que li seu post, acabei adquirindo via Kindle, e li, muito bom o enredo, me lembrou livros que li de ficção cristã americana, a leitura flui e nos prende, vou ler o resto da trilogia. Obrigada pela indicação 🙂