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Comunidade Shalom comemora 15 anos de presença em Brasília

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15 anos a capital federal recebia um novo carisma para religar o brasiliense a Deus. Carregando no peito um tau com o escrito Shalom talhado em hebraico, seis missionários chegaram por aqui cheios de um vigor que só aqueles que conhecem o verdadeiro Amor podem ter.fotos 010

Dom José Freire Falcão, então arcebispo de Brasília, convidou a Comunidade Católica Shalom para a Arquidiocese. O início foi em 21 de abril, aniversário de Brasília. Na época, a paróquia São José Operário, na 604 Norte, dirigida por padre Evandro Luiz de Assis, abrigou as primeiras atividades e a habitação dos missionários – os rapazes moravam na garagem da paróquia, já as meninas ficavam em um apartamento na 404 Norte.

Ana Paula, Cássia, Cristiane, Simone, Nil e Fernando são os nomes dos seis jovens destemidos que não demoraram muito a atrair outros jovens para a aventura da vida em Deus. Como missionários de Vida, que largaram tudo (casa, família, estudos, projetos pessoais) para estarem radicalmente juntos a Deus, os missionários começaram a ministrar formações e a rezar por quem se aproximava da Comunidade. Foi o primeiro passo para a construção da Obra Shalom.

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Os seis primeiros missionários da Comunidade de Vida em Brasília. Ana Paula, Cássia, Cristiane, Simone, Nil e Fernando.

Nas formações básicas, que incluíam a doutrina da Igreja e um itinerário de oração, os primeiros jovens da Obra iam percebendo a voz de Deus que convidava para novos tempos na terra de Dom Bosco.

Cada tempo de missão do Shalom tem uma fase. Naquele tempo era o Grão de Trigo I que tinha como principal desafio plantar a semente e fazer ressoar o convite do Ressuscitado que passou pela cruz – expressão cara ao carisma – aos jovens da cidade.

Para uns o convite chegou em forma de vocacional, para outros em participação em grupos de oração. E como nas primeiras comunidades cristãs todos cresciam em amor e unidade, em oferta de vida e louvor a Deus. E a providência divina era concreta.

A situação financeira era difícil. Em um certo dia os irmãos da Comunidade de Vida não tinham como comprar itens de necessidades básicos. Fizeram uma lista com o que precisaram e pararam para ver como iriam “fazer o milagre” da compra. E foi um milagre mesmo o que aconteceu em seguida: logo depois de fazerem a lista, pegaram um acesso ao apartamento da Casa Comunitária e viram sacolas de supermercado no chão – o que tinha dentro da sacola estava na lista de compras.

Evangelização porta a porta, visita às casas da comunidade paroquial, oração e aconselhamento eram as atividades cotidianas daqueles primeiros tempos. O primeiro Renascer, retiro de carnaval da Comunidade, também foi realizado da São José. A paróquia ainda incentivou os primeiros passos da lanchonete e da livraria da Comunidade, na 201 Norte, aos moldes do início do Shalom, em Fortaleza.

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Dom José Freire Falcão, então arcebispo da Capital, concedia sua benção na inauguração do primeiro centro de evangelização

Com uma expansão veloz, a Comunidade abriu em 2003, com a presença do fundador Moysés Azevedo, o primeiro Centro de Evangelização de Brasília, no Conic. Hoje, com 1.047 pessoas na Obra e 38 grupos de oração, a missão continua se expandindo: são dois Centros de Evangelização (507 Sul e EPTG) onde atuam 262 membros da Comunidade de Vida e Aliança. Deste total 98 são consagrados e 164 estão a caminho da consagração.

Joyce Suely da Silva, 34 anos, é missionária de Vida. Nascida em Natal, há 10 anos é consagrada e há 7 veio para Brasília para assumir a função de responsável local. Exemplo de oferta de vida para a missão, Joyce, acamada por conta de uma enfermidade, respondeu à entrevista para a matéria.

Em uma rápida mirada para a história do Shalom em Brasília, a missionária vê que os desafios de antes (necessidade de evangelização com poucos missionários e adaptação à cidade) deram espaço para novos. Hoje é preciso que haja um pastoreio dos evangelizados e a perseverança dos membros da Comunidade.

Os anos em Brasília enriqueceram a vida de Joyce: “(Estar em Brasília) Me fez realmente conduzir a Comunidade como uma companhia de pesca, buscando a profissionalização na evangelização, aproveitando dos muitos dons que aqui encontrei em cada pessoa. E, principalmente, me fez entender que todos os homens em qualquer lugar ou tempo necessitam de Deus”.

Uma vida toda nova

Dagoberto Queiroz, Edileia Tibério, Vânia Nunes e Antenor de Farias puderam testemunhar o início da Comunidade em Brasília. Eles fazem parte das primeiras turmas de vocacionados e consagrados da missão da capital federal e ganharam de Deus o presente de uma vocação que mudou completamente a vida.

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1ª turma de vocacionados

“Como era minha vida antes do Shalom? Comportamentos desordenados no matrimônio, no aspecto profissional, sendo pai e sendo filho. Envolvido seriamente com a bebida e tendo o dinheiro como um grande ídolo. Pensa em um homem perdido!

O que mais me chamou a atenção no Shalom? A fraternidade, em especial a alegria cativante e libertadora. Tinham um jeito diferente de ser, geradores de esperança; a oração inflamada – é difícil retratar a eternidade.

O que mais mudou em mim: meus comportamentos, um novo olhar como pai, como esposo, como vocacionado, como profissional. Mas posso destacar um aspecto: conheci o verdadeiro amor de Cristo de forma concreta, aprendi a olhar e encarnar o sofrimento com a Luz do Cristo Salvador… A renúncia de mim mesmo ao ponto de morrer para fazer a vontade de Deus. De que adianta minha conversão se não viver a vontade de Deus?”. 

Dagoberto Queiroz Mariano, 48 anos, servidor público, casado com Luciane Moreschi com quem tem três filhos
Dos 15 anos na Comunidade 9 são de consagrado de Aliança
É formador pessoal, ecônomo e membro do conselho local da missão

 “Conheci o Shalom em 1998 por meio de outra Comunidade, a Vida Nova. O que mais me chamou atenção foi o testemunho de uma irmã que era da Comunidade e estava indo pra Palmas (TO). Ela falou muito da páscoa do Ronaldo, um irmão do Shalom que havia falecido em um acidente de carro. Ela dizia que durante o enterro olhava para ele e sentia que queria que a morte dela fosse assim, uma morte com sentido. Isso me impressionou. Depois fiquei encantada com a vida de oração e a missionariedade.

O que mais mudou em mim do começo de tudo até hoje, acredito que seja algo que vem mudando ao longo do tempo. Hoje me sinto muito mais madura para viver o meu chamado e a certeza do grande presente que Deus me deu permanece a cada dia mais forte. Deus me deu uma magnifica vocação. Sou Shalom, sou feliz para sempre!”

Ediléia Tibério Santana, 37 anos, assistente social, solteira com vocação ao matrimônio
Há 14 anos na Comunidade, tem promessas definitivas como Comunidade de Aliança
Coordena o Projeto Artes e é formadora pessoal
Fez o vocacional por carta e já foi da Comunidade de Vida

“Conheci o Shalom através da Internet (Papo Católico). Viajei para Macapá, me apaixonei por um rapaz da Obra, fui conhecer ele e acabei apaixonada pela Comunidade. O que mais me chamou a atenção foi a alegria e a acolhida.

O que mais mudou: minha vida toda, meu desejo de amar, meu compromisso pela Igreja, o conhecimento de Cristo. A oferta de vida”.

Vania Nunes dos Santos, 42 anos, secretária, celibatária
Há 4 anos é consagrada na Comunidade de Aliança
É formadora comunitária dos postulantes, formadora pessoal e animadora do setorial dos celibatários

“Conheci o Shalom no Rio Grande do Norte. Me senti muito atraído, porque o acolhimento no Shalom é bem diferente. Lá me falaram que tavam fundando uma missão em Brasília. Em 2002 fiz o Seminário de Vida no Espírito Santo – tinha’ pouca gente. No começo tínhamos que fazer tudo: cantar, dançar, preparar pregação, carregar cadeira, pintar – éramos todos nós.

A comunidade cresceu muito na questão humana, na interação tecnológica e de comunicação e também no discipular, confiar nas pessoas e na capacidade que o Espírito dá a elas. Hoje a grande graça é discipular os jovens, cada vez mais maduros, mais fiéis à vontade de Deus.

O meu maior testemunho daquele tempo é a fidelidade dos irmãos da Aliança que foram em missão. Eles abriram o caminho pra que tudo acontecesse. Tinham que sair da Ceilândia pra ir à L2 Norte.

Tudo o que eu aprendi foi no Shalom. Aprendi a levantar os braços e louvar, a rezar, a ser um formador, a compreender as pessoas, a me alegrar e a sentir as dores dos meus irmãos, a ter sobriedade nas minhas roupas e no comer. Eu fui moldado em tudo dentro da carisma, desde o discernimento pra namorar até as promessas definitivas. O Shalom me moldou pra ser filho de Deus e ter uma vida ofertada”.

Antenor de Farias Souza, 39 anos, motorista do Seminário Nossa Senhora de Fátima.
É solteiro vocacionado ao matrimônio e consagrado desde 2012
Há 8 anos é pastor de grupos de oração

Caminho da Paz

O que sustenta o Shalom é o carisma do amor esponsal. Inspirados no Cristo Ressuscitado que deu a vida pelo mundo em uma cruz, os membros procuram alcançar o céu se ofertando pela Igreja, pelos homens e pelos jovens. O amor esponsal é o amor de desposamento e despojamento: é aquele amor que une toda alma ao Amado, que tem por Ele um amor apaixonado e quer derramar o último suspiro para a salvação de todos.

Quem entra na Obra faz parte dos grupos de oração e começa a trilhar o Caminho da Paz, um percurso de formação humana e espiritual próprio da Comunidade. Cada integrante também recebe um acompanhamento mensal do líder do grupo que reza, partilha e ajuda o acompanhado a escutar a vontade de Deus. Neste caminho também surge a percepção do chamado de Deus a uma consagração na Comunidade.

Aqueles que sentem atraídos pelo carisma fazem um encontro vocacional e também recebem um acompanhamento humano e espiritual para responder ao chamado de Deus no Shalom. Se o vocacionado tem o germe do carisma, pode entrar na Comunidade como postulante de Vida ou Aliança – neste período permanece por dois anos.

Enquanto os membros de Vida deixam tudo, os de Aliança permanecem com o trabalho, estudos, namoro e são chamados a anunciar o Shalom no meio do mundo. Depois deste tempo os membros passam para uma nova fase de mais dois anos, o discipulado, em que recebem o tau talhado com o Shalom. No discipulado quem é da Comunidade de Vida recebe o tau com um cordão bege, os de Aliança têm o cordão cinza.

Passados os dois anos é chegada a hora da consagração. A cor do cordão para os de Vida é marrom escuro e para os de Aliança é branco. A cada ano a consagração é renovada. Depois de cinco anos de renovação dos votos da consagração (pobreza, castidade e obediência), são feitos os votos perpétuos, aprovados pela Santa Sé em 2012 com o Reconhecimento Pontifício definitivo dos Estatutos da Comunidade.

A vida diária dos membros tem uma rotina: oração das Laudes, duas horas de oração pessoal e leitura orante da Palavra pela manhã, missa e recitação do terço todos os dias, formações na segunda e oração comunitária nas sextas, apostolado em ministério semanalmente, confissão, vigília e acompanhamento pessoal mensalmente.

Centrado em uma vocação pascal, o Shalom tem em São Tomé um grande referencial. Foi ele quem se abalou profundamente com a morte de Jesus e permaneceu indiferente ao anúncio da Ressurreição de Cristo pelos apóstolos e amigos. Tomado pela tristeza, Tomé não tinha mais forças para acreditar, mas Jesus se aproveitou da situação para mostrar a Sua Misericórdia: o discípulo colocou o dedo no lado do Mestre, recobrou a vida e reconheceu o Senhor e Deus.

Para o Shalom, os Tomés são os homens de hoje, tanto aqueles que tiveram a experiência com Cristo e deixaram a fé ser arrefecida, quanto aqueles que ainda não tiveram a oportunidade de tocar a vida que brota no lado aberto do Ressuscitado.

Para que esta experiência com Jesus seja encarnada na vida do mundo, a Comunidade trabalha com diversos públicos nos mais variados projetos: Família, Criança, Juventude para Jesus, Promoção Humana, Artes, Mundo Novo, entre outros. Aglutinados aos projetos também estão os eventos de formação, espiritualidade e os de grande porte, como Renascer, Capital da Paz, Arraiá da Paz e Reveillón da Paz.

Com o crescimento da missão, o Shalom Brasília chegará na fase Alma da Cidade, na qual tem como objetivo adentrar todos os campos de vivência dos brasilienses, em especial dos jovens, para que, a partir da experiência com o amor de Cristo, essas pessoas possam irradiar o Evangelho em todos os cantos do Distrito Federal.

Comemorações

Para celebrar os 15 anos da missão, a Comunidade terá uma missa especial nesta quarta-feira, 21 de abril. A Eucaristia será no Santuário Dom Bosco, na 702 Sul, às 19h30.

Os festejos continuam no próximo sábado, 23 de abril, com um jantar especial no Shalom EPTG, ao lado da Churrascaria Buffalo Bio. A refeição custa 15 reais.

Mais informações sobre o Shalom podem ser encontradas no portal da Comunidade comshalom.org/brasilia.

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Por Lilian da Paz
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