Cristo: a expressão de amor e perdão na subida ao Calvário
No segundo dia de retiro de Semana Santa da comunidade Shalom o frei Claudiano de Aragão ministrou a palestra para os participantes. Como toda a Igreja está vivendo o Tríduo Pascal nesses últimos dias, a Semana Santa é o momento mais importante do tempo litúrgico.
O frei Aragão motivou a plateia a ter um novo olhar sobre a Sexta–feira Santa. Ele iniciou a pregação 
A postura de Cristo no momento de grande sofrimento sempre foi o amor. O Senhor poderia pedir a Deus justiça aos que o condenaram, mas escolheu a misericórdia. “Ele recebeu todo tipo de calúnia, ultrajes e deu a benevolência. Recebemos tanta bondade do Altíssimo e damos males aos outros”, refletiu. Apesar disso, durante a trajetória da vida corre-se o risco de abandonar Deus, mas ele não desiste de nós.
O consagrado também apontou o segredo para o verdadeiro perdão e convidou a comunidade a refletir sobre a profundidade do pedido de perdão de Jesus. Ao interceder ao Pai sobre aqueles que zombavam e o açoitavam, não exigiu nenhum castigo sobre eles. “Passamos a vida inteira remoendo o passado e não perdoamos e na última hora podemos não ter tempo de pedir perdão”, acrescentou. O frei ensina que o primeiro passo para quem deseja perdoar é rezar pela pessoa. “Se o próprio Jesus nos perdoou que direito temos de condenar o irmão”, questionou.
Outro momento da paixão que foi muito significativo foi o encontro de Jesus com o bom ladrão. Ao lado do crucificado pediu insistentemente o perdão das suas faltas e desejava o céu. Por outro lado, Jesus poderia lembrá-lo de todos os erros dele, mas ofereceu a salvação e a gratidão em atendê-lo.
Já no alto da cruz o Filho do Homem nos dá Maria por mãe, um verdadeiro presente para a humanidade. “Se você está fraquejando na fé chama por Nossa Senhora. O próprio Cristo não se importou de ter nós como irmãos, logo nós que somos fracos e pecadores”, afirmou.
Ao chegar a última hora do Divino Mestre ele pronunciou a frase “Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonastes?” (Mt 27:46). Ao mergulhar mais profundamente nessas palavras de Jesus, percebe-se que naquele momento experimentava a distância de Deus, pois não o chamou de pai. “Durante toda a sua vida sobre a terra ao se relacionar com Deus Pai, sempre o chamava de Pai, mas naquele momento o tratou por Deus”, disse. No ponto de vista do frei, a marca do pecado original é muito forte em cada um de nós, consequência disso é que podemos tratar o Senhor como Deus ou Pai. Porém, para Jesus fazia toda a diferença em chamá-lo de pai.
Os últimos suspiros, cada gesto e cada fala têm um ensinamento profundo. Quando o Cristo disse que “Tudo está consumado” (Jo.19,30), significava que cumpriu toda a vontade de Deus. “O herói divino vê concluída toda a sua obra na terra. Ali fechou os olhos e morreu o autor da vida”. Ao passar por situações delicadas, por vezes muito difíceis, caímos na tentação da falta da esperança. “Por mais que você passe por sofrimento, una a sua dor a dor d’Ele e você nunca irá se desesperar. A cruz sem amor é dor, é loucura. Abrace a cruz com amor”, finalizou.
Por Jéssica Costa