Institucional

“Pisar na Praça de São Pedro gerou em nossos corações um grande júbilo”

comshalom

Há um mês a Comunidade Católica Shalom celebrava, em Roma, 35 anos de missão. Aos pés do Papa Francisco, missionários de diversas partes do mundo puderam renovar a oferta de vida. Um destes foi Sergio Guerra. Consagrado de aliança da missão Brasília, ele viajou com a esposa e os dois filhos para a Cidade Eterna.

No percurso de preparação para a viagem e chegada na cidade, Sergio e a família puderam tocar na Providência Divina, que cuidou de tudo e proporcionou grandes e inesquecíveis graças.

“Não consigo ter dimensão do que o Senhor quer realizar em mim neste tempo de discernimento para as promessas definitivas no carisma, nem muito menos a partir de sua concretização, mas sei que é algo muito grande e belo. Percebo que passo por uma obra intensa de conversão.

No Congresso de Jovens Shalom aqui em Brasília em setembro de 2016, fui enxergando contornos da Vontade de Deus para este tempo. Naquela ocasião, o Moysés nos motivava a ir para a convenção Shalom em Roma, para renovarmos aos pés de Pedro a nossa oferta de vida. Eu nunca estive presencialmente aos pés do Santo Padre e sempre ansiei por este momento. Por isso, aquele apelo do nosso fundador a partirmos para Roma gerou um grande desejo em meu coração em correspondê-lo.

Mas, ao mesmo tempo, a minha humanidade, a minha incredulidade e a confiança em mim mesmo foram minando este ímpeto. Sim, eu fui planejando partir para Roma confiando em minhas forças e capacidades, me organizando da forma que o mundo, que as pessoas do mundo se organizam para fazerem viagens internacionais. Queria achar a maneira mais cômoda e economicamente adequada. Me perdi nas minhas contas e fui arrefecendo neste projeto.

Foi então que recebemos na missão a visita de nossa co-fundadora Emmir e do ecônomo-geral Leandro para o lançamento e a divulgação do livro “O Segredo da Providência Divina”. Nas palavras da Emmir fui voltando a escutar a voz de Deus, sobretudo no que se refere ao meu relacionamento com o dinheiro. A Emmir dizia firmemente que o mundo colocou Mámon, o deus do dinheiro no centro, de tal modo que tudo gira em torno dele, as pessoas passaram a viver para servi-lo, de forma que nunca estão saciadas, sempre querem mais, na ânsia de preencherem o vazio de seus corações. Mas este vazio só pode ser preenchido pelo Deus verdadeiro. Sou chamado a viver a economia do Reino dos Céus! Sim, aquela na qual é preciso perder para ganhar, dar sem esperar receber, e com a qual se alimentou um multidão com cinco pães e dois peixes! É essa a autêntica economia que não permite que haja necessitados no meio de nós.

Assim, sem perceber, a Emmir e o Leandro foram descortinando a forma sistêmica e mundana que eu ia me relacionando com o dinheiro e ali, na noite daquela terça-feira, eu fui reencontrando a alegria na aventura que é estar abandonado nas mãos de Deus. A partir de então, Deus foi me revelando que era necessário romper com os falsos ídolos e olhar somente para Ele. Nas semanas seguintes isto foi ficando cristalino através das palavras do profeta Daniel, com a passagem da estátua de ouro que evidencia a fidelidade daqueles três jovens e a intervenção divina em favor deles, e na passagem do livro do Êxodo, do bezerro de metal fundido, que o povo de Israel construiu para adorá-lo, traindo a Deus e causando a sua fúria e posteriormente (após a intervenção de Moisés), a sua misericórdia.

Em pouco tempo, após essa minha rendição a Deus e submissão a Sua Divina Providência, o Senhor foi abrindo as portas para que a nossa peregrinação à Roma se concretizasse. Passamos (eu, minha esposa e nossos dois filhos) a rezarmos juntos com maior frequência e a sermos fiéis a oração semanal do Beraká. Em todas essas orações Deus revelava algo novo acerca da viagem para Roma.

A bondade e o cuidado de Deus nos constrangeram a cada dia da Convenção Shalom 35 anos. Pisar na Praça de São Pedro, tocar o berço da Igreja gerou em nossos corações um grande júbilo por ser Igreja, pela condução de Deus a frente do seu povo durante todos esses séculos. Ainda “anestesiados” diante te tantas graças que tocamos nas visitas a Capela Sistina, Museu do Vaticano e nas Basílicas de São Pedro e São João Latrão, partimos no dia 4 de setembro para a Aula Paulo VI, para o tão esperado encontro com o Santo Padre Francisco – sem sombra de dúvidas o momento mais marcante da nossa peregrinação.

Lembro-me que os minutos que antecederam a chegada do Papa foram de muita ação de graças por parte de toda assembleia ali reunida. Com cânticos e louvores expressávamos a nossa gratidão ao Senhor pelo Carisma e pela graça de renovarmos nossa oferta ali, aos pés de Pedro. Foi nesse clima então que as portas se abriram e o Papa Francisco adentrou a Aula Paulo VI com um sorriso largo no rosto e um semblante muito afetuoso. Para nossa surpresa ele parou por um instante bem perto de nós, abençoou os nossos filhos e pude ver no brilho dos seus olhos o quanto aquele momento de contato com o Carisma Shalom o agradou e o cativou.

Em seguida, nossos irmãos Juan, Justine e Mateus, testemunharam a intervenção de Deus em suas vidas. E então o Papa foi, a partir das palavras daqueles três jovens, conversando conosco de forma muito livre – ele estava de fato muito à vontade no meio de nós. Ele foi discorrendo, diante do testemunho do Juan acerca do tripé da nossa vocação: contemplação, unidade e evangelização. Em atenção à partilha da Justine, nos disse que é necessário quebrar os espelhos que nos fazem olhar para nós mesmos e lançar o nosso olhar no outro. Por fim em alusão ao relato do Mateus, alertou-nos que é preciso tomarmos consciência da capacidade criativa que temos e da potência de evangelização que somos quando tomamos esta consciência.

É impressionante como a partir do instante que reconheci que não seria possível ir à convenção através dos meus esforços e me lancei nos braços de Deus, confiando inteiramente na Sua Providência, como as comportas do céu se abriram e o Senhor realizou e tem realizado muito mais que um dia eu poderia imaginar. As palavras do Santo Padre ainda ecoam dentro de mim e retornei à missão com um ardente desejo de transbordar essa experiência.

Obrigado Senhor, por fazer de mim um pequeno barquinho na imensidão do mar que é o Seu Amor e Sua Divina Providência!”

 

Sergio Guerra/Missão Brasília

 

 

 


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