Institucional

Quanto tempo vale a pena esperar pelo amor?

“Sim, eu conheço os desígnios que formei a vosso respeito – oráculo do Senhor -, desígnios de paz e não de desgraça, para vos dar um futuro e uma esperança’’

(Jeremias 29, 11) 

No coração de Deus, existem sonhos para cada um de nós e, na vida, são justamente eles que geram a esperança e, mais que isso, a alegria na espera do bem que está por vir. Quantos são os sonhos que guardamos em nosso coração! Conhecer países, ter uma carreira de sucesso, formar-se no curso que se ama, escrever um livro, deixar um legado para o mundo, encontrar um grande amor, ter uma família…. Interessante notar que a maioria dos sonhos cultivados ao longo da nossa história dependem, em algum nível, do nosso comprometimento, esforço e dedicação para sua realização, entretanto, o sonho de encontrar um grande amor foge a essa regra. Não depende do esforço em uma busca frenética pelo parceiro ideal; tampouco ajuda comprometer-se com uma receita mágica para atrair a pessoa amada. Para que aconteça o encontro com o amor, parece óbvio, mas é necessário deixar o Amor agir.

Confiança, abandono, paciência e entrega a Deus são as estratégias que dispomos para realização desse sonho. Foi em 2012, após alguns relacionamentos superficiais, que descobri o caminho para a realização do grande sonho de encontrar a pessoa certa para construir uma família. Esse caminho de confiança em Deus se tornava concreto por meio da oração. Na oração, entendi que, para enamorar-me de alguém, primeiro deveria enamorar-me de Deus, comprometer-me com Ele, experimentar de Sua ternura, de Sua fidelidade, de Seu cuidado, de Sua amizade, de Suas gentilezas e delicadezas expressas diariamente no ordinário de minha vida. E nesse ponto pode surgir uma pergunta: qual importância do enamorar-se de Deus para a realização do sonho de viver um grande amor? Bem, ninguém melhor que o Amor para nos ensinar o que é verdadeiramente amar.

No relacionamento com Deus, fui aprendendo a ter os novos parâmetros, a ter critérios justos , a perceber os valores que são essenciais para mim e a viver a deliciosa contradição do amor que dá segurança, mas que deixa livre, do amor que cuida, mas que, também, envia o outro ao mundo como um dom. Nesse processo de intimidade com Deus, as mentalidades distorcidas sobre o amor como: ciúmes, apego, fechamento no casal e dependência foram sendo descontruídas porque, a cada dia, eu provava do amor verdadeiro em Cristo que sempre deixa livre e gera paz.

Não é raro ouvir alguém dizer: ‘’eu tenho o ‘dedo podre’ para escolher namorado(a)”, isso porque, ao longo da vida, escolheu pessoas que lançavam sobre ele “seus lixos”, aquilo que havia de tóxico, deixando profundas feridas na auto-estima daquele que era usado como “terreno baldio”. Entretanto, quando nos abrimos a Deus, Ele escreve em nós Sua assinatura e quem nos olha passa a ver o limite: ‘’não posso fazer o que bem entendo com essa pessoa, ela é diferente’’, mesmo que não identifique o que há de diferente, ela intui, sente, percebe, ilumina-se com esta verdade: não posso violar a dignidade dessa pessoa. O reflexo do sagrado passa a ser revelado em nós.

Quando nos decidimos pela vida de oração, aprendemos que o tesouro mais precioso que podemos oferecer a alguém não é o nosso corpo ou os nossos sentimentos, embora sejam valiosíssimos, mas a experiência com o Senhor: aquele detalhe de Deus que só eu terei acesso (porque seu amor é pessoal) e que, portanto, só eu posso comunicar. Este é o tesouro que pode atrair o olhar do seu amor a você. Como sei disso?

No dia 28 de abril de 2016, após quatro anos de um profundo e radical enamoramento por Deus, conheci, dentro da vocação a qual Deus me chamou, o homem que percebeu a voz de Deus a me apresentar a ele, que se decidiu por mim e que hoje vive um  namoro santo ao meu lado. Experimentamos, desse modo, o cumprimento da promessa de Deus que tem nos surpreendido e não se deixa vencer em generosidade: “Os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, tudo o que Deus preparou para os que o amam’’(1 Coríntios 2, 9).

Após um caminho de amizade e oração, com a benção da Comunidade Católica Shalom, da qual fazemos parte, e de nossa família, iniciamos o namoro. O Isaak mora no Paraná e eu em Brasília, mas nem a dor da distância, nem a dor da espera ao longo desses anos se comparam à felicidade que vivemos por nos decidirmos por Deus, pela vocação e um pelo outro.

Quanto tempo vale a pena esperar pelo amor? O tempo que for proporcional à importância desse sonho para você, na certeza que a alegria do encontro supera (e muito!) toda a dor da espera.

Pabline Coimbra Bemfica de Sousa
Postulante de segundo ano da Comunidade de Aliança, em Brasília

 

 

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