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Deus me levou até a Ilha do Marajó para me ensinar a amar

“Foi preciso que Deus me tirasse da minha rotina e comodidade, e me levasse até uma Ilha distante 3h de avião e 8h de barco da minha cidade para que eu retirasse meu olhar das coisas do mundo e voltasse meu olhar a Ele”.

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Meu nome é Bárbara França, tenho 23 anos, sou brasiliense, estudante de Enfermagem, vocacionada da Comunidade Shalom há 2 anos e fui como missionária na Expedição Renascer Chaves – Ilha do Marajó, no Pará, do Programa de Voluntariado Shalom.

Desde que conheci a Comunidade sabia que aqui era o meu lugar. Deus havia me apresentado um Carisma que corresponde a todos os anseios mais profundos do meu coração. Desde criança me preocupo em ajudar as pessoas, sempre foi algo com que me importei. A possibilidade de ir em missão para Chaves foi um presente de Deus, no qual Ele permitiu um profundo encontro com as essências da minha vocação.

Um povo capaz de amor com um simples sorriso

Lá encontrei muita pobreza e precariedade que eram muito distantes de mim, de tudo que eu já tinha visto, mesmo na televisão. Deparei-me com casas feitas de madeira, às vezes, com um único cômodo, úmidas, escuras, pouquíssimos móveis, sem água encanada, sem saneamento básico e algumas rodeadas por grandes áreas de lama e esgoto. Em contraponto, lá encontrei um povo que era extremamente feliz, que apesar dos sofrimentos diários, era capaz de me amar com um simples sorriso e que nunca hesitava em me convidar para adentrar suas casas.

Jesus se manifestava diariamente a mim através de cada olhar marcante dos chavienses, me amava diariamente por meio de cada abraço apertado daquelas crianças. Como diz nosso fundador: “existe uma humanidade ferida e necessitada e é para essa humanidade que existimos”.

Lá, eu fui reconhecendo alguns traços da Vocação em mim, fui me apaixonando ainda mais pela evangelização, me encontrando através da vivência da pobreza e entendendo que minha vida só faz sentido se for em vista do outro. Diante disso, entendi que a verdadeira pobreza consiste no desconhecimento da pessoa de Jesus Cristo.

O dia que mais me marcou

Um dos dias que mais me marcou na expedição foi quando adentramos a Ilha para realizar os atendimentos médicos nas casas dos moradores mais distantes. Chovia sem parar, andamos mais de 1 hora e meia com mochilas pesadas de medicamentos nas costas e os pés cheios de lama. Nosso almoço foi alguns pães com manteiga, um pouco de peixe e açaí no meio do caminho e sobre uma mesa improvisada.

Partilhar dessa refeição simples com os outros missionários, vendo o sorriso no rosto de cada um e olhando a imensidão da natureza e do Rio Amazonas que nos cercava, me saciou mais do que qualquer alimento podia me satisfazer. Naquele momento fui preenchida da figura de um Deus que é simples e pobre e fui tomada de uma felicidade nunca experimentada antes na minha vida.

Em cada casa que eu adentrava era como se entrasse também na história de cada família. A gratidão com que eles nos tratavam era algo que me constrangia. A cada trilha que percorríamos, a cada atendimento e evangelização que nós fazíamos eu ia compreendendo que Deus me confiava não apenas homens, mas também almas, e que eu não poderia ser feliz se não continuasse a me doar assim pelo resto da minha vida.

Minha vocação: anunciar o Evangelho

Ali estava o sentido da minha vida, a minha vocação: anunciar o Evangelho, me dispor a ir aonde Ele quiser me levar e me doar em prol do outro. Encharcada de chuva e com os pés sujos de lama, depois de um dia inteiro de caminhadas, eu pude aprender sobre a simplicidade da felicidade. Foi algo que demorei meus 23 anos para entender, e que foi preciso ir até a Chaves para isso.

Foi preciso que Deus me tirasse da minha rotina e comodidade, e me levasse até uma Ilha distante 3h de avião e 8h de barco da minha cidade para que eu retirasse meu olhar das coisas do mundo e voltasse meu olhar a Ele, para que eu saísse do meu egoísmo velado e voltasse a enxergá-Lo na figura do outro.

Deus me levou até a Ilha do Marajó para me ensinar a amar e me deixar ser amada, e sobretudo entender sobre a gratuidade do amor. Volto de Chaves um pouco melhor, um pouco mais humilde, um pouco mais humana. Aprendi a me abandonar à Providência Divina. O centro da minha vida já não sou mais eu.

Passei a dar valor na segurança da minha casa, em cada refeição que eu faço e nas coisas materiais que eu tenho, mas sabendo que aí não se encontra o sentido da minha felicidade. Assim como o jovem rico, o Senhor me chama a deixar tudo e O seguir. Hoje eu entendo que um missionário não precisa de nada, apenas de um povo para evangelizar.

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