Mundo

Vencendo o câncer com os olhos da fé

A jovem Luciana Oliveira se abandonou nos braços de Deus ao unir a dor da doença ao sofrimento de Cristo

Aos 26 anos de idade, Luciana Oliveira sentiu a angústia que 8 milhões de pessoas no mundo passam anualmente. Ela recebeu, no fim de 2016, o diagnóstico de câncer. A doença, maligna, afetou o intestino. Desde então, o que tem sustentado Luciana nesta noite escura é a fé. “Me abandonei em Deus. Fui vendo as providencias d’Ele em minha vida. Ele permitiu isso para algo muito maior”, conta.

Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca), no ano passado, o Brasil identificou 600 mil casos novos da doença. Câncer de próstata, pulmão e intestino grosso são os casos mais comuns entre homens; as mulheres lideram as taxas com o câncer de mama, intestino grosso e colo do útero. 

O câncer tem inúmeras causas. O principal é o tabagismo. O consumo exagerado de bebidas alcóolicas e de gordura animal unido à obesidade e vida sedentária também aumentam a chance de desencadear a doença. Fora isso, há também a carga hereditária.

Luciana começou a apresentar sintomas em 2015. “Sentia que tinha algo estranho; um mal estar. Pensei até que fosse psicológico”. Dentro de uma rotina apertada e com uma alimentação desregulada, ela foi adiando a ida ao médico, apesar dos conselhos da família – pensou que deveria ser somente um problema costumeiro, como os de estômago com que sempre sofreu.

Os alunos da escola em que Luciana trabalha como professora de Português e Inglês perceberam que a barriga da ‘tia’ havia crescido e perguntavam se ela estava grávida. “Colocava o jaleco para esconder, andava com livros à frente da barriga. Parecia que estava com quatro meses de gravidez”, lembra.

Ela só sentiu que realmente precisava de ajuda depois de ir ao casamento da cunhada. Para conseguir entrar no vestido de madrinha precisou colocar duas cintas que seguravam a barriga. No casamento não conseguiu comer nada. Em casa, logo depois de tirar as cintas, começou a sentir dores insuportáveis. Nesta situação, ela decidiu procurar um médico que pediu uma ressonância magnética.

Com o resultado do exame em mãos, a médica que atendeu Luciana não teve papas na língua ao dizer que a jovem estava com um câncer. Luciana se desesperou: ligou para a família, para o namorado, para os irmãos da Comunidade Shalom, da qual faz parte como leiga consagrada. Todos tentaram acalmá-la.

Internada, à espera da cirurgia, as dores aumentavam cada vez mais ao ponto de somente a morfina provocar um alívio maior. No dia 26 de outubro dois tumores de aproximadamente 6 quilos foram retirados. O câncer já havia chegado em um dos ovários e em parte do fígado. 

Fé e conversão

O câncer era maligno, mas tinha tratamento e 90% de chance de cura. O organismo de Luciana teria que combater dois focos da doença, um no peritônio (membrana que reveste a parte interna da cavidade abdominal) e outro no fígado. Para isso outra cirurgia foi feita em 12 de dezembro e, logo depois, o tratamento com a quimioterapia começou.

Ao voltar para casa, a ficha de Luciana caiu.  Ela passou uma semana deprimida ao pensar na perda do ovário, do cabelo que poderia cair com o tratamento. Sentia enjoo de tudo o que comia. Começou a culpar a Deus: “Você não interveio! Eu Te sigo desde os 11 anos de idade!”.

Tensa, Luciana desabafou com o namorado, Rafael Soares. “Se você tá comigo só por conta da doença, pode terminar, porque a gente nunca mais foi feliz!” Mas a resposta de Rafael despertou um outro olhar de Luciana para toda a situação. “A gente foi feliz sim, só que de outra forma. Lembra de quando você saiu da cirurgia? Você sorriu pra mim. Eu esperava o seu sorriso; saber que você estava bem”.

Juntos há quase dois anos, os dois começaram a pensar em noivado e casamento poucos meses antes de saberem do câncer. A primeira reação de Rafael à doença foi de questionamento a Deus: “Ela é tão jovem e o Senhor a permite viver isso tudo. Por que não eu?”. A dor de Rafael aumentou com um aneurisma que a mãe sofreu logo depois do diagnóstico de Luciana. Ele logo percebeu que a única saída naquele sofrimento era o abandono em Deus. 

“Quando deixei que Deus cuidasse da situação, fui amadurecendo o amor pela minha mãe, pela Luciana e fui construindo um novo homem. A minha oração mudou, a minha vontade mudou. Mudou o desejo de estar vivo por elas”, conta.

Com o novo olhar que Rafael lançou sobre a situação, Luciana começou a lembrar das noites em claro que a família e os irmãos de comunidade ficavam ao seu lado no hospital, das inúmeras vezes que intercederam por ela, dos momentos que rezaram com ela, da ajuda financeira. “Foi um cuidado, um zelo sem igual. Hoje eu consigo fazer leitura de tudo”.

Ao longo do tratamento, que ainda perdura, Luciana perdeu 15 quilos. Por outro lado não perdeu a fé. “Eu fui muito relapsa. Mas hoje estou abandonada em Deus, rezando e ajudando outras pessoas que têm câncer e não estão sabendo lidar com a doença. Graças a Deus minha saúde mental está muito boa. Eu não me perco na doença”.

Agora, o grande desejo de Luciana é voltar a cantar no ministério de música da comunidade. “Hoje eu canto de forma diferente, sou outra pessoa. Eu estou vivendo um grande processo de conversão. Não tenho medo. Nossa Senhora tem sido minha companheira. Não tenho pra onde ir: meu lugar é em Deus – na terra ou no céu. Deus realmente se utilizou dessa doença pra me fazer uma nova pessoa, curada, livre. Parece controverso, mas estou melhor do que antes do câncer”.

 

Por Arquidiocese de Brasília

 

 

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