O Papa Francisco, na bula de proclamação do Jubileu Ordinário de 2025, nos diz:
“A vida cristã é um caminho, que precisa também de momentos fortes para nutrir e robustecer a esperança, insubstituível companheira que permite vislumbrar a meta: o encontro com o Senhor Jesus… Pôr-se a caminho é típico de quem anda à procura do sentido da vida.”
Devemos, portanto, permitir que essa condição de peregrinos nos interpele. Ao olhar para a jornada, precisamos nos perguntar: Estou realmente a caminho ou estou paralisado, estático, com medo e sem esperança, acomodado na minha zona de conforto?
Coloquemo-nos no trajeto, pois é hora de partir. Em nosso interior há muitas incertezas, medos e inseguranças, pois o caminho é longo e desconhecido. “O que está por vir? E se eu me perder? E se não valer a pena tudo isso?” São perguntas que passeiam em nosso coração. Apesar disso, a esperança de ver a face Daquele que tanto nos ama deve nos impulsionar a caminhar.
>> Receba notícias, formações e orações do comshalom no seu Whatsapp!
Antes de dar o primeiro passo, nós, peregrinos, verificamos se temos tudo pronto: calçados resistentes, uma mochila leve, água, alimentos, roupas confortáveis e tudo aquilo que julgamos essencial para a jornada.
Nos primeiros dias, sentimos o nosso corpo reclamar das dores adquiridas. Os pés latejam, os ombros pesam e o sol queima. O caminho é árduo, as subidas são íngremes e, às vezes, não há sombra nem descanso à vista. Apesar disso, olhamos para o lado e percebemos que não estamos carregando a cruz sozinhos.
Antes de continuar, vale destacar o imenso valor da cruz. Nela, os sofrimentos tomam outro significado. Isso não quer dizer que diminuam, mas que adquirem um sentido mais profundo. Por meio dos sacrifícios, aprendemos a amar e nos unimos mais ao nosso Redentor. Descobrimos, ainda, que a verdadeira alegria está em aceitar as aflições e humilhações por amor a Cristo, sem perder a paz e a confiança em Deus.
Nesta Quaresma, devemos encarar os sofrimentos com alegria, na certeza de que Cristo vencerá todas as nossas mortes. O Senhor, pela força de sua Ressurreição, triunfará sobre nossas fraquezas e iniquidades, como exclamava São Paulo:
“A morte foi tragada pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1Cor 15, 54-55)
Continuando a nossa peregrinação
A cada passo, compreendemos que a dor faz parte do percurso e nos serve de purificação. As renúncias, as ofertas e as cruzes são essenciais nesta aventura. Não tem como chegar ao destino final sem passar pela bendita e santa cruz.
Quando as pernas começarem a falhar e o desânimo bater em nossa porta, lembremo-nos do motivo pelo qual tudo deixamos. A esperança de chegar à terra prometida deve ser mais forte que o desejo de voltar atrás.
As maiores lutas não estão nas estradas pedregosas, mas no nosso interior. As dúvidas nos atormentam, a saudade do conforto tenta nos desviar e o medo do desconhecido ainda habita no nosso coração. Contudo, a peregrinação nos ensina a confiar. Nem sempre saberemos o que nos espera por trás do próximo monte, mas antes de qualquer coisa, devemos caminhar.
Os nossos pecados, fraquezas e limitações tentarão nos paralisar. Todavia, devemos perseverar. Um passo atrás ao outro, mas nunca devemos parar de caminhar. Quando faltarem as forças, lembremo-nos que não estamos sós. Temos por certo a Cristo, Maria, os sacramentos, os irmãos que nos levarão nos braços, se for preciso.
Chegará um ponto nessa jornada que perceberemos a nossa mochila pesada demais. Aquilo que julgávamos essencial tornou-se um fardo. É preciso, então, despojar-se, cair em si e deixar tudo o que é supérfluo para trás.
“O pecado, mesmo depois do perdão, deixa marcas na alma que precisam ser purificadas. A conversão exige um verdadeiro despojamento do homem velho.” (CIC 1473)
Depois de tanto suor e lágrimas, nós, peregrinos, avistaremos, ao longe, o destino tão esperado. Nosso coração baterá mais acelerado, e nossos passos se tornarão mais leves e rápidos. Os pesos que carregamos sobre os ombros já não importarão mais, pois a chegada, agora, será certa.
Uma profunda gratidão invadirá nosso coração, e uma enorme alegria e paz nos envolverão, pois, enfim, chegaremos ao lugar que tanto buscamos. Neste momento, entenderemos que a jornada foi mais que uma peregrinação: foi uma verdadeira conversão.
Diante desta peregrinação, devemos, então, confrontar-nos:
- Estou, de fato, em um caminho real de conversão ou estou paralisado por minhas limitações e fraquezas?
- Estou acomodado com minha condição ou tenho buscado sair da minha zona de conforto?
- Nesta peregrinação, permito que Deus retire de mim tudo o que pertence ao homem velho?
- Busco verdadeiramente me libertar das situações de pecado e falta de dignidade?
Por fim, todos nós somos peregrinos nesta vida e devemos nos deixar interpelar por essa condição. Como vimos acima, o caminho não é nada fácil. Muitas questões se levantam no nosso interior, mas confiar e caminhar deve ser a nossa única opção, pois o homem que iniciou a Quaresma se perderá, e a caminhada, então, fabricará um novo eu.
Inscreva-se gratuitamente na página comshalom.org/quaresma, e tenha acesso a conteúdos em vídeo, como pregações semanais do Padre João Chagas, além de conteúdos formativos e oracionais para você viver uma experiência de conversão.
